<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662</id><updated>2012-01-16T10:26:39.636+01:00</updated><category term='greve'/><category term='política'/><category term='Lendo o &quot;Público&quot;'/><category term='Jornais'/><category term='férias'/><category term='Jardim'/><category term='fados'/><category term='remexendo no baú'/><category term='Fim'/><category term='reabertura'/><category term='Lendo o &quot;DN&quot;'/><category term='Citações'/><category term='som'/><category term='Nada'/><category term='parvoíces'/><category term='comentário'/><category term='conto/crónica'/><category term='sei lá o que é isto...'/><title type='text'>CUOTIDIANO</title><subtitle type='html'>cumentários, contos e mais cuoisas que me apeteçam</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>356</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7363285304898736317</id><published>2011-12-25T03:07:00.004+01:00</published><updated>2011-12-25T05:57:33.752+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>MAIS UM ESTÚPIDO CONTO DE NATAL          (dedicado à minha amiga APC que, anonimamente, se esforça por alguns - mas todos os - anónimos que são Gente)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A noite era igual a todas as outras, apenas com a diferença de que lhe haviam dito que era diferente de todas as outras – afinal, sempre era Natal... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não tinha nascido naquele dia, não conhecia ninguém que o tivesse feito mas, ao que parece, há dois mil anos atrás alguém o havia - e em estilo. Sim, porque a mãe desse, perdão, Desse-com-letra-maiúscula, não o pariu, ele é que mandou a mãe pari-lo naquele preciso e exacto dia (pumba!). Aliás, segundo as más-línguas e ao que consta, era filho do patrão e, por isso, tinha uma &lt;em&gt;golden share&lt;/em&gt; na sua vida - contrariamente a todos nós, mortais, que não temos quaisquer acções douradas ao longo de toda a puta da nossa incógnita e miserável vida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, ele apenas esperava a carrinha das boas acções. Que nunca mais vinha – “despachem-se, chiça!” - com um pacote de leite e tudo (luxo!). E depois adormeceria enrolado em jornais, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(cheios de notícias de que iríamos ficar ricos depois de ficarmos pobres e moribundos e inúteis e que se não quiséssemos ser pobres e moribundos e inúteis e viver na fantasia de que um dia seríamos ricos e vivos e úteis sempre nos deixavam sair do país e emigrar (luxo!) - mas, em todo o caso, que mandássemos os ordenados para cá…)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;sonhando e esperando que a noite fosse igual a todas as outras. Sim, porque surpresas normalmente dão mau resultado, nomeadamente quando aparecem uns ricaços com vontade de bater em alguém, apenas como diversão alternativa à caça à perdiz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adormecer. Era preciso adormecer. Que o dia já se havia pirado há muito e a noite, com o seu harém de estrelas, viera – apenas e só - para o embalar. Havia que aproveitar, então. Nem que fosse para esquecer que, no dia seguinte, haveria um tempo cheio de horas e minutos e segundos e chatices do género, fazendo-o explodir a fome desde as entranhas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Finalmente chegaram. Cumprimentou os tipos da volta, naquele dia particularmente afectuosos. Repetiram-lhe a palavra “acreditar” até à exaustão, até que ele confessasse que leite era melhor que rum – que não é. Bebeu o leite, imaginando-se um lorde inglês. Tapou-se com os jornais, versão culta dos lençóis de seda que nunca havia experimentado. Tentou &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adormecer. Para esquecer a possibilidade de, no dia seguinte, aparecerem uns fiscais da ASAE dizendo que não tinha seguido as (mui) exactas normas da depressão e que, como tal, estava multado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Mas porque é que estas lágrimas me perseguem?”, pensou. E elas escorriam, continuavam a escorrer, indiferentes à estranha e absurda felicidade que, naquele momento, sentia. Puta de Natal!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7363285304898736317?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7363285304898736317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7363285304898736317' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7363285304898736317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7363285304898736317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/12/mais-um-estupido-conto-de-natal.html' title='MAIS UM ESTÚPIDO CONTO DE NATAL          (dedicado à minha amiga APC que, anonimamente, se esforça por alguns - mas todos os - anónimos que são Gente)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8225245344562909574</id><published>2011-12-09T05:28:00.001+01:00</published><updated>2011-12-09T05:29:40.917+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>A rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ele descobriu que havia rosas de quatro cores e não apenas uma única e exclusiva cor-de-rosa, veio-lhe à cabeça a hipótese de que sua amada poderia não ser apenas sua mas apenas sua obsessão, eventualmente amante de outro tempo, de outro alguém, de uma outra falta ou desejo maior. Ele, que tanto a amava, só queria que ela o amasse. Mas a verdade é que nem isso (lhe) chegava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela descobriu que ele era obcecado por si, não apenas por causa da sua própria obsessão pelas rosas vermelhas (que tanto o fazia rir pelo daltonismo da coisa) mas, se calhar, pela cor avermelhada do seu cabelo naquele estranho corte de homenagem a Rod Stewart (ou por qualquer outra coisa ainda mais estranha), veio-lhe à cabeça a hipótese de afinal, naquela noite, não abraçar a noite sozinha, como em todas as outras noites. Ela só queria voar. Mas a verdade é que nem isso (lhe) chegava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando os seus olhos dançaram pelo cabelo dela, pintado e não naturalmente louro, cor-de-vinho ou avermelhado ou lá o que seria, mesmo assim ele estupidamente pensou que a poderia “domesticar”, torná-la “normal”, na acepção que as pessoas “normais” dão à normalidade – ou seja, serem minimamente estandardizadas e iguais a si próprias. Mas… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando depois ela dançou, tornou-se deusa, tornou-se flor. Sem cor ou cores, sem tempo, sem amarras. Sem esperas. Tornou-se ela, tornou-se – aí sim - obsessão. Já não havia tempo nem margem para nada, havia que a aceitar como era, com calças feitas de cortinados, com aquela saudável e invejável ignorância da realidade mais básica, até mesmo com aquele total desprendimento de tudo – que tanto o chocava e que, simultaneamente, tanto o atraía. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando depois foram para casa dele, deitaram-se, despiram-se, entrelaçaram-se, despediram-se, “até amanhã”. Mas o beijo na face fez-se beijo na boca e o beijo na boca fez-se corpo e o corpo fez-se desejo e os corpos assumiram o desejo de tudo o que tanto queriam e desejavam. Então o chão tornou-se nuvem os cheiros tornaram-se desejo o cor-de-rosa tornou-se cor-de-fogo e trocaram saliva e trocaram suor e trocaram de corpos e viraram-se totalmente do avesso ao trocarem mais e mais outra vez de corpo quando a noite se fez cor da madrugada quando a madrugada se pintou do rosa do desejo, do rosa do abraço, do rosa do beijo, do rosa do Amor. Ou seja, das quatro cores do rosa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Indiferente a tudo, a verdade é que ele se apaixonou definitivamente quando descobriu que, quando ela dançava, havia rosas dentro dela – melhor, que ela mesma era uma rosa de quatro, de todas as cores. E, desde esse mágico instante, não mais deixou de a amar. Como a rosa que, efectivamente, ela era.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8225245344562909574?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8225245344562909574/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8225245344562909574' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8225245344562909574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8225245344562909574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/12/rosa.html' title='A rosa'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3188492250218414098</id><published>2011-12-08T23:38:00.000+01:00</published><updated>2011-12-08T23:39:15.906+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Aguarrás</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando Artur lhe confessou – por mensagem telefónica, claro, que a coragem bebida em duas imperiais não dá para mais – que estava cheio de saudades, aproveitou para lhe pedir para se encontrar com ela, nem que fosse só para lhe dar um beijo quente (foi a melhor adjectivação que arranjou, provinda da cultura recente da novela brasileira das 9). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela lhe respondeu – também por mensagem, claro - “preferia se pudéssemos evitar isso do beijo, traz antes uma garrafa de medronho que é igualmente quente e sempre é mais higiénico”, Artur achou que, afinal, talvez fosse melhor esperar por sábado para o encontro, já que sábado era o dia de banho. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Sim, D. Etelvina, o melhor para isso é usar aguarrás” -, aconselhou Artur. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3188492250218414098?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3188492250218414098/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3188492250218414098' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3188492250218414098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3188492250218414098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/12/aguarras.html' title='Aguarrás'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2127836144116736635</id><published>2011-12-06T02:39:00.001+01:00</published><updated>2011-12-06T02:40:35.781+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Artur (versão continental)</title><content type='html'>Quando a namorada de Artur lhe disse que sexo oral só daí a um ano e que anal… - ai, ai! - só daí a dez, conformou-se e foi para casa ver ininterruptamente o canal erótico de Singapura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está, não sem antes lhe pedir que lhe telefonasse daí a 364 dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2127836144116736635?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2127836144116736635/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2127836144116736635' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2127836144116736635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2127836144116736635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/12/artur-versao-continental.html' title='Artur (versão continental)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2408892421480747839</id><published>2011-11-30T03:25:00.008+01:00</published><updated>2011-12-01T14:01:12.754+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Antecipando o Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Ponto um.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para celebrar o Natal comprei uma figura de Cristo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Pontos seguintes.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sendo uma pessoa simples – para além de extremamente tesa -, queria nada mais nada menos que apenas o dito, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(é que a graçola de árvores enfeitadas é demasiado pagã para mim que, para além de preguiçoso praticante, sou um agnóstico convicto – não acredito, não acredito… mas nunca fiando!)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;o que provocou, quando o separaram do restante do Presépio, uma choradeira louca - não da vaca nem do burro, muito menos dos sagrados pais que suspiraram de alívio ao se poderem pirar em paz do estábulo, sem pesos nos braços ou na consciência -, apenas do vendedor; mas enfim, comércio é comércio, negócio é negócio, crise é crise, religião é mito. Ou seja, o Cristo era meu. Comprei-o. Pimba!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltei para casa, olhei-a,&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(ela a figura, claro; sim, porque em termos de convicções, também sou um Margríttico convicto - uma representação de não é o &lt;em&gt;the&lt;/em&gt;!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;bebi um copo e olhei-a de novo. Bebi um copo (já tinha dito?). Comemorativo, está bom de se ver.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhei-a &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(não é preciso justificar-me outra vez, pois não?)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e pensei que faltava alguma coisa. Ou seja, pensei: “falta alguma coisa…”. (Já tinha dito?) Bom, bebi mais um copo e achei – porque o número de &lt;em&gt;achanços&lt;/em&gt; é proporcional ao número de copos – que faltava alguma coisa… Luz, é isso, Cristo é o portador da Luz, falta-lhe… ah, já sei, Luz!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Voltei ao Pingo Doce – a minha (maior mas não única) agnóstico-dependência actual – e, para além de um quilo de amêijoas e do pacote familiar de lavagem, tão eficaz tão eficaz mas tão eficaz ao ponto de lavar a alma e branquear dinheiro, comprei também umas quantas lâmpadas que haviam sobrado da inseminação artificial dos pirilampos mágicos. Voltei para casa. Feliz. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Bebi mais um copo.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Toma lá, Cristo!”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;pensei, enquanto lhe colocava uma lâmpada na &lt;em&gt;peidola&lt;/em&gt; e lhe atava o pescoço a uma corda presa ao tecto; ou melhor – apesar de não ser o Cristo mas sim uma representação de &lt;em&gt;the&lt;/em&gt; -, ao Céu; sim, com maiúsculas, que, mesmo sendo uma representação, merece. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Bom, com frases destas nem como agnóstico me safo!)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Adiante. Dei um piparote na dita (reitero que não vale a pena tornar a explicar; aliás digo isto com um ar estupidamente convicto para tentar safar-me do – Deus queira que eventual - Inferno) e a figura começou a rodopiar. Dei mais outro, acelerando o rodopianço, e outro ainda, e&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Bebi mais um copo)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;todo aquele voo do Cristo ou da figura ou fosse do que fosse estava a deixar-me cada vez mais religioso – ou, no mínimo, enjoado; é que o tipo, perdão, o Tipo, voava mesmo! &lt;em&gt;Yeah&lt;/em&gt;, voava, há que beber mais um copo - &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(apenas para comemorar, claro, que eu não sou nenhum alcoólico - ou, segundo a versão fina do dicionário do &lt;em&gt;xôr&lt;/em&gt; Aurélio, &lt;em&gt;the best of the beasts&lt;/em&gt;, “bêbado com licenciatura”)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;é que ele ou ela ou seja o que for que já estou baralhado é o Maior ou a Maior ou seja o que for que já estou baralhado. (Já tinha dito?)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Bebi mais um copo.)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Aliás, onde é que eu estava? Ah, já sei, no Cristo – melhor, na representação dele (sim, continuo Margríttico) – que voava tresloucadamente em círculo, à conta da energia piparoteana. Quanto a mim, e seguindo a Luz, passei a viver em círculos. Felizmente bem viciosos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o eventual Deus deliciava-se com as efectivas Pombas Procriadoras, já que os Anjos faziam gala de não terem sexo, nem que fosse para dar ou vender. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2408892421480747839?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2408892421480747839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2408892421480747839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2408892421480747839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2408892421480747839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/11/antecipando-o-natal.html' title='Antecipando o Natal'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6892925433008611810</id><published>2011-11-10T02:27:00.001+01:00</published><updated>2011-11-10T02:49:10.666+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Bolsa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando o Conselho de Administração se reuniu, o ar estava pesado e solene – grande parte dos investimentos que haviam sido feitos na Bolsa corriam mal. A poliomielite estava a ser erradicada - contrariando a aposta na morte precoce, por essa doença, de 10.000 unidades de carbono/ano -, a peste à beira de acabar, a guerra na Líbia quase no fim…; enfim, tudo o que era o seu pior pesadelo, ao contrariar frontalmente a jogada especulativa de que a Humanidade estaria exterminada nos dez anos seguintes, estava a acontecer – ou seja, tudo o que lhes traria um lucro considerável “voava”, o que os prejudicava fatalmente, independentemente do irrelevante facto de que, caso ganhassem a dita aposta, estariam mortos. Aliás, muito à semelhança do que se passava. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas, felizmente para eles, a desgraça não era total. Por sua sorte, a pobreza havia aumentado 5% no último ano e a malária estava no auge, o que aumentava consideravelmente os lucros e a probabilidade de mais lucros ainda virem. Para além disso, a sua aposta secundária no mercado de armamento americano estava em grande, à conta das guerras por todo o lado em que houvesse petróleo - excepto no Texas, claro, onde já existia exploração, petrolífera que fosse, muito antes, até, do próprio Ser Humano. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Fazendo o balanço geral, fumaram mais um charuto comemorativo enquanto, em cada expirar de alegre fumo, morriam dez crianças africanas de doença ou, ainda pior, de sub-nutrição. E mais dez. E mais… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Não pára, mesmo, por mais que voltemos a cara.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, claro está, enquanto assim continuarmos, não parará jamais! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6892925433008611810?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6892925433008611810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6892925433008611810' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6892925433008611810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6892925433008611810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/11/bolsa.html' title='Bolsa'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4850325898272109385</id><published>2011-10-14T00:26:00.003+01:00</published><updated>2011-10-14T00:36:52.443+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>João Nuno de Almeida Reis Hipólito</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5l60--_PStw/Tpd0TCU0lvI/AAAAAAAAACs/IKgb0aq3yKs/s1600/joao.gif"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 149px; FLOAT: left; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5663122926832228082" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-5l60--_PStw/Tpd0TCU0lvI/AAAAAAAAACs/IKgb0aq3yKs/s200/joao.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Soube hoje da morte do João Hipólito. Do Prof. Dr. Eng. João Nuno de Almeida Reis Hipólito. Do Joãozinho. Do Hipólito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num só morreram muitos, nestas graçolas parvas de vários em um que a Morte resolve pregar inspirada nos champôs. Ele estava numa reunião, falava, sorria, fazia os outros sorrir e pensar (sem darem por isso, como ele sempre fazia) e, como se de uma última piada se tratasse, caiu para o lado. Com ele morreu o Amigo, o Homem, a Criança, o Professor que eu já não via há anos – demasiados anos, como são todos os minutos que se passam longe das pessoas que estimamos desde a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o meu “mentor”, o meu primeiro “chefe”,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(qualquer designação destas que eu lhe dê fica sempre entre aspas, pois não só soa mal como nunca diz exacta e completamente o que o Hipólito era)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando comecei a dar aulas na faculdade. Tinha uma paciência infinda para o puto (eu, no caso), sempre (bem-)disposto a ajudar e as aulas dele a que eu era teoricamente obrigado a assistir para preencher os requisitos de “escravo de 1ª categoria”, eram momentos de um prazer enorme – não só pela forma como explicava as matérias mais complexas, tornando-as evidentes, como pela empatia e cumplicidade que criava com os alunos que, quisessem ou não, saiam dali a gostar daquilo, por mais arrependidos que ficassem umas horas depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também, no Departamento, fizemos umas incursões nocturnas, mais ou menos escabrosas, e o Hipólito era o “motor” da noite,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(tudo o que o designa continua entre aspas – eu não disse?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre a alegrar os espíritos, com todo o seu humor e inteligência e humor inteligente, elevando-nos – com a ajuda do álcool, é certo - muito acima do estado lamentável em que já estávamos – também com a ajuda do álcool, é certo outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me acompanhou no meu percurso académico posterior, mesmo não sendo ele o meu orientador oficial e estando teórica e formalmente desobrigado de me acompanhar. Mas era ele a quem eu recorria sempre que tinha dúvidas ou problemas, era ele quem me aconselhava desinteressadamente, quem eu sonhava que seria algo como eu mas em ponto grande – aliás, sempre tive a esperança que ele achasse que eu era o Hipólito em ponto pequeno. Nunca lho perguntei e agora já é tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for o tempo passou, nós fomos passando, afastando-nos, gerúndio após gerúndio, ano após anos. Por isso mal acreditei quando, no meio do almoço de hoje, soube, por mero acaso, o que se havia passado. De imediato regressaram à memória todos os momentos, tudo o que nos vai sobrando da vida que não é mais do que o instante em que tocamos e somos tocados por alguém, no mais “almário” sentido do toque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento fiquei sem palavras, agora fiquei sem ar mas – a verdade é essa – é que amanhã e depois e depois e depois ainda fiquei sem o Amigo, o Homem, a Criança, o Professor, quem eu nunca mais vi julgando que, a qualquer momento, poderia voltar a rever e que, agora, sei que não mais reverei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tudo e mais o peso na consciência e mais a saudade e mais a vontade completamente inútil de me sentar contigo a beber um copo (a) mais, deixo-te um abraço, um até sempre e, como um absurdo grito de guerra, deixo o teu nome rasgado no ar, com a perenidade da água que passa mas com a memória que a mesmíssima água deixa. Onde quer que estejas, aqui vai ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HIPÓLITO! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4850325898272109385?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4850325898272109385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4850325898272109385' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4850325898272109385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4850325898272109385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/10/joao-nuno-de-almeida-reis-hipolito.html' title='João Nuno de Almeida Reis Hipólito'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5l60--_PStw/Tpd0TCU0lvI/AAAAAAAAACs/IKgb0aq3yKs/s72-c/joao.gif' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-766756828198227763</id><published>2011-10-09T21:49:00.009+01:00</published><updated>2011-10-09T21:55:28.519+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Reality blows</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando Andy Warhol constatou que as pessoas se vendiam por quaisquer 15 minutos de fama, faltou-lhe concluir que o ser humano não evoluiu nada desde a domesticação de ovelhas. Melhor, desde o Homem de Cro-Magnon. Aliás e melhor ainda, desde os primeiros vegetais terrestres. Ou, ainda melhor - sejamos francos -, desde seja quando for até agora, no estado de desenvolvimento actual e a que poderemos genericamente designar por "Homus Ignorantus". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em conclusão, não evoluímos nada desde as bactérias. Sim, é verdade, consta até que algumas delas desesperavam pela invenção do microscópio, só para terem a possibilidade de gritar (mesmo sem cordas vocais, enfim, falhas do Criador...) "vejam, vejam que lindas nós semos!" &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro está que a boa conjugação de verbos só surgiu depois, lá para o séc. XXIII.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-766756828198227763?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/766756828198227763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=766756828198227763' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/766756828198227763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/766756828198227763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/10/reality-blows.html' title='Reality blows'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6455490024914413269</id><published>2011-10-09T19:41:00.003+01:00</published><updated>2011-10-09T19:49:34.030+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Percepções da realidade</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o pequeno Julian acordou com o delírio que lhe havia sido confiada uma Missão com maiúscula e tudo: iria purificar o Mundo, expurgá-lo da mentira e da hipocrisia, e passaríamos todos a viver na Verdade, sem serem sequer precisas religiões, numa felicidade, pureza e transparência tantas que os advogados só serviriam para papel higiénico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns dias depois, ao roubar o seu primeiro computador, Julian Assange ficou a saber que a sua legítima proprietária, a jovem Millie, andava metida com o reitor do Liceu – claro está que pôs logo a boca no trombone, criando uma legião de fãs adepta de chatear o poder instituído e, simultaneamente, uma legião ainda maior de tipos que lhe queriam mostrar o que era uma mais que verdadeira sova. Para seu azar, nestes últimos incluía-se o irmão de Millie e seus amigos da equipa de râguebi local que, mui amavelmente, o fizeram sentir na pele o quanto haviam estimado todo aquele ritual de purificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entusiasmado com a saga, uns anos mais tarde fundou a WikiLeaks (uma espécie de &lt;em&gt;gossip girl&lt;/em&gt; mas em versão informática) e conseguiu sacar uns quantos segredos diplomáticos que o Mundo desconhecia por completo, nomeadamente que o Berlusconi era louco por orgias com adolescentes, que o Putin era um ditador asqueroso e que os americanos achavam que dominavam o Mundo a partir de um conjunto de hambúrgueres espiões. Sim, tudo tinha que ser exposto, não havia lugar para segredos num mundo decente e frontal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, inchado de tanta missão cumprida e feliz consigo próprio, resolveu escrever a sua biografia - ele e o Mundo mereciam. Contratou um “&lt;em&gt;ghost writer&lt;/em&gt;”, começou a ditar-lhe a sua vida em detalhe e, chegados ao fim, resolveu reler tudo com atenção. Estranhamente, pela primeira vez hesitou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Será que toda a gente precisa de saber tudo?” – interrogou-se o já não tão jovem Assange. “Se calhar é melhor esquecer isto, um tipo também tem direito à sua privacidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está que o “&lt;em&gt;ghost writer&lt;/em&gt;”, com tudo o que havia aprendido com Assange, resolveu fazer dinheiro (e de Assange) e, claro está, publicou a biografia. E o que é que é mais extraordinário nisto tudo, para além de o dito Assange ter sido comido na própria teia (o que, por si só, já seria extremamente divertido)? É que se criou um novo estilo literário! Sim, criou-se, não tenham dúvidas! Já havia biografias autorizadas, já havia biografias não autorizadas, já havia auto-biografias – mas agora criou-se a (rufem os tambores) “auto-biografia não autorizada”! E de quem? Do rei da transparência, aquele que, agora, não autorizou que se publicasse, sequer, a história de sua vida que ele próprio ditou! Enfim, sempre há direito à privacidade, não é assim, Assange?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A agora também já não tão jovem Millie é que se deve estar a rir à gargalhada…) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não há buraco na Madeira. Não, o buraco da Madeira é de mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 2 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 3 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 4 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 5 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 6 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 7 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 8 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 9 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 8 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 7 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 6 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 5 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 4 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 3 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de 2 mil milhões. Não, o buraco da Madeira é de mil milhões. Não, não há buraco na Madeira. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;(Notícia de jornal, citação integral)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um britânico de 46 anos atacou um adolescente depois de este ter ganho uma partida on-line no videojogo de guerra «Call of Duty: Black Ops»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso teve lugar na localidade de Plymouth no início de Julho e está actualmente a ser julgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo avança a imprensa local Mark Bradford, um homem de 46 anos e pai de três filhos, está a aguardar sentença pelo ataque a um jovem de 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tribunal Mark Bradford admitiu que foi a casa da vítima e tentou estrangulá-la depois de o jovem ter gozado com ele, na sequência de uma partida on-line de «Call of Duty: Black Ops», na qual o jovem tinha assassinado Mark virtualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Citado pela imprensa local o advogado de Mark Bradford alega que o seu cliente tem problemas mentais e “passou-se” quando foi provocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sentença deverá ser conhecida dentro de um mês.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6455490024914413269?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6455490024914413269/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6455490024914413269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6455490024914413269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6455490024914413269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/10/percepcoes-da-realidade.html' title='Percepções da realidade'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-848545660376310089</id><published>2011-09-20T01:01:00.002+01:00</published><updated>2011-09-20T01:04:54.687+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Numa osmose parva</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Com o passar do tempo pintamos de sons as imagens que vivem nos estranhos sótãos de nós – e que, de tão gastas, haviam ficado a preto e branco. Melhor: com os sons que o acaso nos traz, somos obrigados a ir buscar (e rebuscar em) tudo aquilo que nem queríamos relembrar - tanto mais que, provavelmente, naquela altura usávamos calças à boca de sino. Mas, pautas apontadas à cabeça, as cores das canções tingem-nos o passado do que, no momento, mais desejamos – o que, reconheçamos, sempre é melhor do que estalinamente recortar pessoas e momentos que não nos interessam e deitá-los para o caixote do lixo ou um qualquer outro &lt;em&gt;goulag&lt;/em&gt;. Ou do que andar de carrossel a tentar acertar nas bolas até morrer de tonturas. Ou cantar uma canção do Tony Carreira. Ou fazer cocó em cima dele, num carrossel, a cantar. (Do que esta última talvez não…) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;… E com os sons voltam as boas e velhas cores; melhor, as cores até são novas – só que, entretanto, a tecnologia entranhou-se-nos ao encostar-se às lembranças, numa osmose parva; por isso, o que relembramos afinal não é repetição, apenas ligeiramente parecido e com as mesmas personagens mas que, de tão melhoradas no casco da idade, metamorfoseiam numa outra realidade paralela. Um &lt;em&gt;remake&lt;/em&gt; sem maquilhagem e sem &lt;em&gt;make&lt;/em&gt;. E sem lagartas. E assim. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade é que nos agarramos ao passado com medo de nos afogarmos no futuro&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;(frase brilhante esta, não?)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e, nos espaços que sobram, só nos resta sobreviver ao presente, qual galinha a acompanhar o movimento de uma máquina de escrever, olhando fixamente cada momento sem o relacionar com o seguinte, até que – plim! – aí está o momento seguinte e – plim! – já se foi. A verdade maior é que ainda somos piores, basta ver que nem sequer conseguimos pôr ovos. (E, na maior parte dos casos, nem estrelá-los.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;De facto e muito mais cientificamente, somos o cruzamento de um lorde inglês falido com um pássaro dodó. Mas de pior aspecto, com a mania de altos voos, sem conseguir sair do chão - e sem dinheiro que chegue, sequer, para a classe turística dos sonhos de alguém. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas tudo isto porque ouvi a (maricônça) canção de quando me “despediste” – na altura ouvi-a vezes sem conta, fazia-me sentir pior portanto melhor, reguei-a com as estúpidas lágrimas que me percorriam o sangue, enquanto o teu reflexo na lua te dava os parabéns em dia de teu aniversário, bipolarmente passado na praia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Fui ter contigo a casa mas não estavas, havias acostado num qualquer porto, dos tantos que o mundo da maresia te compõe. Abriu-me a porta uma amiga tua, emprestou-me um degrau e um visque para me sentar, eu disse-lhe ah e tal e não sei quê ou algo ainda mais alcoolicamente imperceptível, e parti - até hoje, que a teu corpo não regressei mas que relembro.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A canção saiu em 95, disseste adeus em 96, ainda nos encontrámos no Arquivo de Identificação, fizemos o BI juntos, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(depois de teres deixado de fazer amor comigo, foi a melhor aproximação que arranjei – e até que já não foi mau…) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;mas depois partiste de vez - e agora, tantos anos e tantos anos e tantos anos depois, tinhas de me aparecer sob a forma de uma canção de colorir recordações a preto e branco… &lt;em&gt;Gandapontaria&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, estava eu nestes mariquismos, passou o sacana do Eric Clapton cantando o wonderful tonight só para ti e, claro está, deu-te um beijo de boa noite por mim – decididamente, hoje a noite, vestida de cores e de veias repletas de estrelas, é toda e completamente tua!&lt;br /&gt;Mas enfim, continuo vivo e a gostar de ti – é o que interessa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Dorme bem, meu amor.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-848545660376310089?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/848545660376310089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=848545660376310089' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/848545660376310089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/848545660376310089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/09/numa-osmose-parva.html' title='Numa osmose parva'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6030898920521634564</id><published>2011-09-03T03:18:00.003+01:00</published><updated>2011-09-03T03:26:40.122+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>(Apenas uma) trilogia insular – nada de relevante</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tu gostas de Florença e de máquinas e depois para ficar ainda mais estranho e assim e coisas há óculos que vomitam dioptrias que vão percorrendo o teu sangue à procura de ti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“perscrutando” também ficava giro…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto eu simples e camponiamente respiro faço compras no Continente fico pelo Sting e pela incultura assumida e cá me vou arrastando por aqui ou seja algo mais ou menos próximo do Sol mas que afinal Eluard que queima ainda mais que o propriamente dito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“elefantes são contagiosos”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois é por aqui podes evidentemente ver que também passei em Sevilha por causa das vertigens não subi à Giralda o verdadeiro pecado do saboroso minarete original fiquei à porta logicamente tomaram-me por um porteiro ilógico deram-me os bilhetes para rasgar sempre num silêncio reverente ao invisível poder que é comum a qualquer língua que seja&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(já agora e a despropósito também não uso sandálias e não me torno pescador de almas mesmo quando desalmadamente rasgo pessoas ao meio enquanto espero por bilhetes em garrafas provindas de uma qualquer ilha que vai murchando embalada pelos ombros do mar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e subiram para se sentirem vivos ao despejar frenéticos e arfantes acenares às humanas formigas que em baixo olímpica e contagiosamente as ignoravam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“…….,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,;;;;;;;;;;;;;;;” – para colocar onde vos aprouver sou assim um libertino)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que depois da pançada que os moinhos apanharam ficaram subservientes, sei que a minha batalha – qualquer que ela seja - não é jurídica mas sim ridícula, sei que Florença é fabulosa e que o Micas é ainda mais angélico do que o pintam – mas, enquanto me afundo na insuportável lama do quotidiano onde me escondo, felizmente vou lendo coisas novas e geniais e bestiais e assim e coisas como “artur tinha um coelho angorá chamado hércules, um pastor alemão chamado ervilha, um cágado chamado leão e um periquito chamado engenheiro. Na reunião de condomínio, os vizinhos resolveram fazer uma denúncia para a sociedade protectora dos animais, não porque os animais representassem algum incómodo ou estivessem maltratados (muito pelo contrário), mas porque achavam que a escolha de nomes revelava delírios de grandeza e podia gerar confusões psicológicas profundas nos animais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por estas (e não por outras) que perco a batalha - mas ganho a Terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;… Até que um escaravelho leu em voz alta o livro que me havia esquecido de querer escrever e assim, sem mais nem menos e então, achei f***-** afinal o melhor é esquecer essa merda da cultura e deixar andar e mandar para o ar palpites desportivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o contacto com a água me provocou sede. Até que o toque me provocou. Até que a sede me devorou - a cada instante, a cada momento sedento e inesperado, a cada temporal sequioso de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Depois entrei em &lt;em&gt;overdose&lt;/em&gt; de lugares-comuns, tremi à brava e morri.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6030898920521634564?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6030898920521634564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6030898920521634564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6030898920521634564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6030898920521634564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/09/apenas-uma-trilogia-insular-nada-de.html' title='(Apenas uma) trilogia insular – nada de relevante'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8840351029131949656</id><published>2011-07-21T23:11:00.002+01:00</published><updated>2011-07-21T23:17:20.091+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O meu casamento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O meu casamento durou seis meses – o que foi fantástico já que, em apenas seis meses e um dia, tinha passado por três estados civis quase mais depressa do que um norte-americano passa por três estados ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de vinte e poucos anos de solteiro e meio de casado, tinha pela frente – como quem acorda cedo e decide fazer um pormenorizado e generoso plano para esse dia, mesmo que acabe por adormecer a meio dele –, uma eternidade de divorciado, estado que orgulhosamente mantenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Há um amigo meu que defende a teoria de que o “Div.” do Bilhete de Identidade corresponde a um estado “Divino” – claro está que ele é casado!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas tudo acabou porque eu e Ela, seis meses passados, continuávamos a gostar um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Parêntesis cultural: Quando perguntaram a Bertrand Russell porque é que se havia apaixonado por sua Mulher, ele respondeu algo como “porque ela era ela, porque eu era eu”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Parêntesis menos cultural: Terá mesmo sido Bertrand Russell que o disse?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, continuávamos a amarmo-nos. Perdidamente. Ora, como toda a gente sabe, ao fim de seis meses pelo menos um tem de detestar o outro - ou, melhor ainda, ignorá-lo - para que o casamento se aguente e siga de vento em popa. Enfim, algo estava errado, era por demais evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como seria de esperar, acabámos com o casamento. Despedimo-nos no fim de um jantar romântico, beijámo-nos e, no que me toca, parti com a secreta esperança de que Ela um dia me telefonaria dizendo que me odiava – e aí eu voltaria para os seus braços a correr, sendo escorraçado mas (&lt;em&gt;hélas&lt;/em&gt;) com um sorriso nos lábios. Ou seja e finalmente, entender-nos-íamos &lt;em&gt;comósoutrosadultos&lt;/em&gt;. E, qual cereja no topo do bolo, como se de um anúncio ou de uma novela televisiva se tratasse. Fixe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está que a realidade nunca dá jeitinho nenhum – logo a começar por ser A realidade. Alguns anos mais tarde, já os meus sonhos de amores eternos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sendo que a eternidade são dois dias, em proporção à vida serem três)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se haviam desvanecido, cruzei-me com Ela num café. Tentei cumprimentá-la e, muito a custo e pelo meio de uma qualquer frase concebida e formatada para a despedida de pessoas pretensamente civilizadas, dei-lhe um beijo e meio de raspão,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a última metade foi dada quando ela já lá não estava, por isso não conta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto ela fugia como se eu fosse um vil violador de passados. Nunca mais a vi e nunca mais a relembrei. Até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje soube que Ela tem uma filha (Dela e do seu segundo marido e primeiro Zé) a morrer. &lt;em&gt;Palhaçamente&lt;/em&gt; pus-me a fazer projecções do tipo “e se e se e se” e se calhar a filha poderia ser minha e não me passa pela cabeça encarar a morte de um filho e nem quero pensar nisso e nem quero que uma morte dessas me roce sequer o pensamento e só espero que tudo corra bem e que o tal de deus ressuscite por instantes - apenas para dar um empurrão mágico na cura –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(infelizmente o sacana de “o tal de deus” não costuma ligar muito às crianças, principalmente às do continente que é o nosso rés-do-chão, se calhar por isso encaradas como as porteiras que havia no tempo da minha avó - com a diferença de que a nossa porteira de 200 quilos comia 10 carcaças de manhã e hoje não há, sequer, 10 carcaças para todas as crianças da Somália)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se não der e se o cirurgião não prestar e se a doença teimar em viver e se a criança então morrer, que Ela tenha a sorte de, antes, ser atropelada ou esfaqueada ou morta de qualquer forma que seja desde que não assista à morte da filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Ela tem um nome, esqueci-me de o dizer. Ana. A filha também o terá, mas eu ignoro qual. Seja como for, para a Ana fica agora e aqui e sob a forma de um texto, a metade do último beijo que eu lhe tentei dar, num já longínquo fim de tarde sombrio que se abateu sobre um café vazio de tudo e mais alguma coisa mas que, naquela hora e por segundos, se iluminou Dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica esta metade - que nunca será completada com a metade Dela -, apenas como o meu mísero e inútil contributo para a Fortuna que é sempre precisa nestes casos, já que “o tal de deus” se finge morto nas traseiras de uma igreja construída a ouro e ilusões, enquanto cura a ressaca da grandiosa bebedeira que o levou a fazer este mundo de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(deus da merda, não é Ana?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8840351029131949656?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8840351029131949656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8840351029131949656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8840351029131949656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8840351029131949656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/07/o-meu-casamento.html' title='O meu casamento'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1692250922988865195</id><published>2011-06-29T00:56:00.003+01:00</published><updated>2011-06-29T01:06:43.798+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Psicólogos? Bem passados, faxavor!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre adorei mulheres casadas: provocam-me ejaculação precoce de tanta excitação que é estar a – digamos – prevaricar, apesar do &lt;em&gt;prevaricanço&lt;/em&gt; ser dela, que eu nunca tenho qualquer compromisso com &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt;, seja &lt;em&gt;ele&lt;/em&gt; quem for, mesmo um colibri. No entanto, o que &lt;em&gt;a priori&lt;/em&gt; poderia ser uma chatice, tem o &lt;em&gt;bright side&lt;/em&gt; de sempre me ter ajudado a sair vivo da situação – já que tenho tendência para mulheres problemáticas com maridos acabados de sair de uma linha de montagem do IKEA; ou seja, uns armários do &lt;em&gt;catano&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, como já devem ter reparado, este texto é sobre psicólogos. Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a maré cheia calhou às duas da tarde, a sala de espera estava repleta, a casa de banho fazia fila no corredor, àquela hora todo o centro de escritórios se inundou de psicólogos recém-formados loucos por almoçar. Primeira conclusão: lá para as cinco teríamos maré vazia; segunda: às oito, de novo maré cheia; terceira: tinham fome, tal qual as baratas e demais coisas, incluindo as humanas. Bom, a verdade é que não me enganei. Saíram todos frenéticos para almoçar, disfarçados de pessoas simples do campo e da cidade e de alguma coisa intermédia que eventual e vagamente exista mas que fume – por exemplo, dentistas ou pandas nicotínicos. Dos giros, claro! Bom…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de almoço, voltaram apressados para a aula, basicamente sobre o ciclo da vida, há que começar do princípio, que isto de ser psicólogo contém a extrema dificuldade de compreender o que é intrinsecamente simples; ou seja, aceitemos o filosófico conceito de que, agora, estamos todos tesos, é a crise, é a crise, vai-te devorar, a crise eu sou – e assim. O povo está teso, fica deprimido, consequentemente precisa de psicólogos, as faculdades de psicologia abrem as portas, está um mercado do &lt;em&gt;catano&lt;/em&gt;, ´bora aí ter muitos psicólogos que o povo está maluco, entretanto o povo de tão teso que está começa a cortar nas despesas todas excepto na comida e na casa e na operação para aumento do pénis e que se lixem os psicólogos e os problemas, quem é que tem tempo e dinheiro para estar deprimido, e os psicólogos ficam todos no desemprego e consequentemente deprimidos fazendo cursos de formação no gerúndio com outros psicólogos igualmente deprimidos e igualmente desempregados e a darem borlas uns aos outros e de tantos que são começam a devorar-se a meio das sessões, e de novo cada vez menos psicólogos e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às tantas a economia começa a melhorar e as pessoas podem repetir o puré de batata e não é que às quartas-feiras até há bife e recomeça a haver mercado e os psicólogos vivos recomeçam a trabalhar e, simultaneamente, a recear a concorrência dos psicólogos mortos – que são muito melhores ouvintes e muitíssimo menos chatos – e depois, para grande gáudio e uma maior masturbação ainda do presidente da república, os psicólogos recomeçam a reproduzir-se fora do cativeiro e o país começa a exportar psicólogos porque passou a haver excedente no mercado nacional e às tantas os chineses começam a adorar os psicólogos portugueses porque nunca respondem nem servem para nada e é muito mais Freudiano e eficaz não dizer &lt;em&gt;népia&lt;/em&gt; e deixar que o paciente se exprima e que a sua costela doente se f*** e que vá para o talho das especialidades &lt;em&gt;groumet&lt;/em&gt; e a verdade maior é que a verdade há-de surgir um dia, nem que seja no rabo de uma gazela africana, facto que, devidamente interpretado, irá indicar que o ditador do país em causa teve uns problemas lixados porque sua mãe, na adolescência, nunca o deixou fazer cocó descansadamente e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às tantas é maré vazia e nem um único psicólogo se aproxima da casa de banho, porque está em deformação e até o pescoço lhe dói mas – lembra-se e - constrói e reconstrói evidências e depois rapara que torcicolos nas recordações é que são lixados, e o mais seguro é ficarem todos juntos na gruta a que chamam sala de formação, quais pintos encostados uns aos outros e rezando para que a lâmpada vermelha não estoire nem entre em morte cerebral nem seja contagiosa, e de tanto estarem juntos começam a ficar fartos de tanta junção e conjunção e &lt;em&gt;verbalite&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;borex&lt;/em&gt; para férias e &lt;em&gt;iupii&lt;/em&gt; mas o país está em bancarrota mas há – yeah! - por aí malucos para comprar e vender mas – outro “mas” ainda, chiça! - a chatice é que a maior parte deles somos nós e parecemos as autofágicas meninas do &lt;em&gt;shopping&lt;/em&gt;, de loja em loja até ao vómito final, porra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às tantas é maré cheia e saem todos com aquela efervescência juvenil digna da vitamina C de aluno de liceu, e &lt;em&gt;borex&lt;/em&gt; para férias e &lt;em&gt;iupii&lt;/em&gt; mas o país está em bancarrota mas – outro “mas” ainda, chiça! - que se lixe e felizmente os meus pais não têm tempo para estarem deprimidos e eu vou para o Bairro Alto beber uns &lt;em&gt;shots&lt;/em&gt; de vida e perceber o quão fantástico é haver imunidade à depressão e esperar que daqui a uns tempos haja gajos suficientemente deprimidos e insuficientemente na bancarrota que queiram desabafar – a &lt;em&gt;pagantes&lt;/em&gt;, claro, que aqui no Bairro é “à borliú” – a verdade é que não convém arriscar cobrar dinheiro a alguém que eventualmente possa ser um colega e amanhã há segunda lição e do que será que irão falar? ‘pera aí que sou eu a dar a aula porra e porra e mais porra outra vez e&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às tantas passou por mim uma mulher casada que, por entre beijos e outras confissões íntimas, se sentou num sofá e me disse que era psicóloga, o que me provocou uma impotência estuporada; decididamente, ela era diferente de todas as outras ovelhas que eu havia conhecido intimamente: não tive qualquer hipótese - apaixonei-me!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1692250922988865195?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1692250922988865195/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1692250922988865195' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1692250922988865195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1692250922988865195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/06/psicologos-bem-passados-faxavor.html' title='Psicólogos? Bem passados, faxavor!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6607010163914307476</id><published>2011-06-14T23:52:00.002+01:00</published><updated>2011-10-09T19:49:52.068+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Jardim das estrelas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando, à saída do Liceu, ele ia com os colegas (versão embrionária mas não menos verdadeira de amigos) para o Jardim da Estrela jogar futebol com uma minúscula bola de plástico comprada com o dinheiro de vários lanches não comidos, num campo limitado pelos bancos vaidosamente eleitos ao estatuto de baliza por expulsão dos velhos para o jogo da sueca, os pavões, essa estranha fusão de perus desalmados com &lt;em&gt;top-models&lt;/em&gt; em desgraça, saudavam-nos sempre com estridentes gritos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinu, pinu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no que eles acreditavam ser uma fantástica coincidência com a recém-ouvida história de Pepino, o Breve, o rei tão perdido mas também tão recém-descoberto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(havia uma tal de Clotilde que…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acabadinho de sair dos compêndios e da voz (tão desesperada por atenção, coitada) da professora de História que, segundo ela e o livro oficial da verdade por apenas 20$ apenas, havia sido um rei tão pequeno tão pequeno ao ponto de nunca ter conseguido ser nada mais que uma mera interjeição de pavão. Por isso ou por nada que ver com isso, iniciavam o jogo numa espécie de ritual quase religioso, gritando em uníssono com os pavões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pinu, pinu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começava o jogo. Cinco minutos, golos, faltas... Adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era já quase tradição, enquanto fintavam o tempo e a chatice dos TPC’s, passava por eles uma mulher de corpo esfarrapado e de olhar para além da lua, empurrando um carrinho de compras atestado de um nada feito de roupas velhas, trapos, sacos, algo que, para a mentalidade deles, nada mais seria senão um potencial objecto de gozo – um gozo já testado vezes sem conta. Talvez por isso, um gozo maior ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó mãe, dá pão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Gritavam)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó mãe, dá pão!&lt;br /&gt;- Ó mãe, dá pão!&lt;br /&gt;- Ó mãe, dá pão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não paravam)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó mãe, dá pão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não paravam. Mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela gelava e mudava de pele e de olhar, começava a apedrejá-los, gritava, uivava estridentes delírios sem sentido - mas mais sentidos que o que quer que fosse -, tão cruamente verdadeiros que os pavões calavam, que a bola - ainda mais minúscula do que realmente já era -, se escondia por debaixo dos bancos, que o carrinho chorava ao ponto do jogo acabar; mas eles, cruéis como qualquer criança que se preze, riam cada vez mais da aventura quase planeada, da morte tão verdadeira quanto encenada dos filhos que ela teria tido e que, de fome, haviam morrido sem nunca ninguém, sequer, ter percebido se realmente teriam vivido - a não ser ela, por quem os filhos, acorrentados nas entranhas dos pavões, gritavam; por quem, aprisionados nos pescoços dos cisnes, todos os dias desejavam afogar-se à falta de um minuto de afecto dela que fosse – mas a verdade é que ela, por sua vez, também navegava as lágrimas de mil olhares de ódio e desprezo e gritos e vozes e gozos que, lenta mas certeiramente, a iam corroendo e matando... Infelizmente, devagar demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol punha-se no jardim. Os cisnes recolhiam, conformados, às casotas de madeira por entre os canaviais. Os pavões bebiam a água do lago para refrescar os gritos. Os bancos descansavam da correria atrás da bola. Os velhos abandonavam as suecas que, de tristes, iam para o Bairro Alto jogar às cartas com o Destino. Os putos regressavam a casa, a toques de cajado dos pais. Aproveitando a ausência do Sol, a noite pintava todo o jardim dos azuis e ondulantes reflexos lunares do lago. Voltava a calma, ao sabor refrescante da brisa. Amanhã? Amanhã ainda era algo muito, mas muito distante - que se lixe o amanhã. Em suma, nem o silêncio se ouvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Na verdade, os filhos que ela nunca havia tido - mas apenas e muito e muito desesperadamente desejado -, limitavam-se a jogar à bola num jardim plantado na estrela mais distante. Entretinham-se, enquanto a esperavam.) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6607010163914307476?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6607010163914307476/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6607010163914307476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6607010163914307476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6607010163914307476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/06/jardim-das-estrelas.html' title='Jardim das estrelas'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3875746889521570630</id><published>2011-05-20T00:57:00.002+01:00</published><updated>2011-05-20T01:00:10.171+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Coisas geniais que eu não escrevi mas não sei porquê gostava de o ter feito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A vantagem de tudo ser absolutamente irrelevante é que te posso usar. Nomeadamente para me confessar. (Mas o que é que isto quer dizer?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, sem nunca te ter visto, sem saber a cor dos teus olhos, a altura ou grossura do teu corpo, assim mesmo, arraçada de pano cru, posso dizer o que me apetece, ou não dizer nada, ou apenas porque sim ou porque é assim ou só porque que me aceitas sem saber que me aceitas – fantástico, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Agora não te deixo um Beijo… depois talvez deixe beijinho...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculhei a tua Casa, vasculhei, sim, é verdade! Mas – que queres - a porta está aberta e entra quem quer, opções de quem é mesmo educado - e tu, contrariamente a mim, és&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que passou a depois, o beijinho passou a Beijo... Fixe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pruke te lembro, pruke tenho saudades tuas, pruke agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pruke te li pela manhã, pruke foste caminhar junto ao mar, e não sei bem pruke pensava no que tinhas escrito, apenas pensava "pruke escreveu ela uma frase sem o meu nome?"... já agora… existes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E cheguei agora da cama, e chegaste agora da caminha - que não a mesma -, e as falésias cantam e gritam e gemem e aqui estou eu a escrever estas palavras, com ou sem sentido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei, escolhe tu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Quem és tu e como sabes que te amo?)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3875746889521570630?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3875746889521570630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3875746889521570630' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3875746889521570630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3875746889521570630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/05/coisas-geniais-que-eu-nao-escrevi-mas.html' title='Coisas geniais que eu não escrevi mas não sei porquê gostava de o ter feito'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-973518026253024740</id><published>2011-05-07T03:14:00.001+01:00</published><updated>2011-05-07T03:16:53.714+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Maria P.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tenho vontade de morrer mas não de morrer e pronto, &lt;em&gt;pim&lt;/em&gt; – ou seja, prefiro mais aquela versão do José Gomes Ferreira de morrer durante 6 meses, nada de definitivo, apenas o suficiente para retomar o fôlego, saber quem apareceria no meu funeral, os poemas que os meus hipotéticos amigos citariam para me homenagear, e depois voltar, com licença que ainda não estou suficientemente morto, apenas o suficiente para continuar vivo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Olá, lembras-te de mim?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas o suficiente para não merecer estar morto (como se a vida se conquistasse…), apenas poder dizer-te (que ninguém – nem eu - sabe quem és) qualquer coisa de inteligente. Enfim…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palitei os dentes com um aviso das Finanças que dizia que passarei a pagar a Taxa Moderadora em mais 150% de cada vez que for atropelado. Divertiu-me imenso; é que ninguém sabe – nem eu - quem és e o que é que isso tem a ver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nem eu, chiça, nem eu!)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-973518026253024740?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/973518026253024740/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=973518026253024740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/973518026253024740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/973518026253024740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/05/maria-p.html' title='Maria P.'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5241825396420943865</id><published>2011-05-05T02:26:00.002+01:00</published><updated>2011-05-05T02:31:01.546+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Helga</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou ao barco. Olhou muito lentamente em volta, de olhos semi-cerrados. Inspirou a maresia. Ignorou o tempo, feito de segundos e pensamentos que lhe zumbiam a cabeça. Afinal estava ali, apenas ali, e a cheirar a maresia. Apenas isso. Mais nada. Eram segundos únicos, preciosos, estava só, não tinha que falar com ninguém, muito menos discutir quem é que se levantaria para saber porque é que a criança chorava, resolve lá isso, que chatice, e vai lá tu, e não vou, e estou a ir, chiça, era apenas aquele momento e era seu, o mundo que parasse e que calasse, era o seu momento, não queria lembrar nada, nem que fosse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o seu bilhete, se faz favor)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está bem, já compramos um sumo, vá lá, não chores, e o barco lá andava sobre as míseras ondas do estuário que até um lago suíço tem mais personalidade ondulante, que trampa de vida até o rio é uma chacha sem emoção, mas cheirava a maresia ao ponto de parecer real, e o som da sirene e o meio nevoeiro que se ia espalhando pelos olhos e pelas roupas, e tentava que o momento, o tempo fosse de novo seu, mas a criança chorava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Lembrava-se que, quando pequena, sua Mãe a levava ao Jardim Zoológico mostrando-lhe os animais - mas ela só queria sair dali porque sabia, vá lá saber-se como, que aquele sítio é apenas para adultos e que eles só levam as crianças como desculpas para não parecer mal, que merda, tirem-me daqui)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá lá, não chores, estamos quase a chegar, e saiu do barco carregando a criança e dores e sono e despejou-a na creche e correu para o trabalho e sorriu para o computador, para as 8 horas que ainda faltavam para voltar para o barco e para a maresia e para a criança - que todos eles a esperavam – ah, é verdade, e também para o “companheiro” que jazia no sofá em &lt;em&gt;overdose&lt;/em&gt; de futebol e anos juntos e de namoro e tirem-me daqui era a cidade mais próxima e não quero esta vida e dêem-na a alguém e agora será que serei o que estou a ser com dúvidas e vozes e coisas estranhas revolvendo o que vou pensando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mas afinal como é que cheguei aqui?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã é hoje e ontem e é igual, o que é que eu fiz para merecer isto e entra a sogra em casa com um bolo e sim estamos todos muito felizes e sai a sogra com o prato do bolo e o bolo arrasta-se pelos intestinos de todos como a porra da minha vida se arrasta pelos intestinos deste sítio e tempo mal-cheirosos chiça que merda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tenho de adormecer, amanhã acordo cedo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, boa noite, todos para a cama, rápido que já é amanhã, e beijinhos, e boa noite, e desculpa não me apetece, não é nada sempre assim, agora é que estou morta, então está bem mas despacha-te, sim, para mim também foi óptimo, espera aí que a criança está a chorar, volto já, até amanhã, que é quase dia, quase barco, quase maresia, quase vida quase sem tempo. Quase a minha vida. A que não tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Eu só queria cheirar a maresia. Por uns míseros segundos. Sozinha. Será pedir muito?!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vou! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5241825396420943865?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5241825396420943865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5241825396420943865' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5241825396420943865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5241825396420943865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/05/helga.html' title='Helga'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4731371518783348076</id><published>2011-05-01T23:04:00.003+01:00</published><updated>2011-05-01T23:12:18.767+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Dia da Mãe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ainda estou para perceber porque é que, depois de morreres, nunca mais me disseste nada! Não, não é delírio espírita ou algo do género, é mais “lei das compensações” ou “acerto de contas” ou outra coisa qualquer - desde que parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembras-te quando eu era criança e tomava conta de ti? Quando te tirava os comprimidos que te enlouqueciam ainda mais do que a falta deles? Quando intercedia por ti aos deuses imaginários&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sim, tinha de ser a esses, que os reais nunca nos ligam nenhuma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para que as vozes que te perseguiam e assombravam parassem, não mais dessem ordens, não mais inventassem túneis para que te escondesses? E apenas – só e apenas isso - cantassem canções de embalar feitas de melodias que te transportassem, num barco feito de um azul tão frágil que nunca naufragaria, pelas ondas da madrugada, até que chegasses ao Porto do Despertador, onde a realidade irrompia pelas frestas do estore partido do teu quarto disfarçada de gritos de sol matinal? Lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra-te que não querias voltar – nunca - para a Gulbenkian e que era eu quem te empurrava para fora da cama e da casa porque sabia que te aguardavam os Cisnes, os Príncipes, os Quebra-Nozes, e todo aquele estranho mundo que te fazia sorrir e rodopiar em torno do que te preenchia o cabeça e as vozes e as vozes e as vozes, eu sabia que te aguardava um mundo que rodopiava em torno de ti, num &lt;em&gt;pas de un&lt;/em&gt; sublime e a ti dedicado – sim, era o mundo que rodava enquanto tu, parada, olhavas e deixavas que o tempo girasse, possuída por uma estranha mas feliz agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reconheço - de facto, não eras tu quem dançava, era o mundo com sol e pernas e nuvens em forma de aplausos e gritos do director, que te recebia; e tu olhavas em redor, não tinhas nada para dizer, deixavas apenas que o tempo, as imagens, os Cisnes, te sugassem a vida, a pouca vida que te restava sem tu saberes que morrias a cada gota de sangue que te escorria das pontas, das sapatilhas feitas pés, dos pés feitos asas, do olhar feito loucura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me que, quando voltavas a casa, era eu quem te esperava, que te fazia um ovo estrelado que eu sabia ser o suborno ideal para que jogássemos xadrez – o melhor momento do dia, estávamos juntos sem estar, ninguém precisava de falar, apenas mover as peças que rodopiavam pelas casas pretas e brancas e que, sem que se percebesse bem porquê, jorravam a cor dos lilases e da acalmia para dentro de nós. O tempo passava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(cheque ao rei)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nós ali, juntos mas à distância de um tabuleiro, falando mas calados, deixando que o tempo escorresse pelas peças até que já fosse tarde demais para as minhas horas de criança,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(agora sou eu quem come um ovo, acho que me vou deitar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu deitava-me, deitava-me mas só depois de ir, como sempre, voando com os Cisnes despedir-me de ti, um beijo de até amanhã ou até sempre ou até sei lá quando, que não sabemos nunca o que se irá passar – nem subornando os deuses, reais ou imaginários. Pensando bem, não sabemos, sequer, o que já se terá passado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois havia os dias dos Ensaios Gerais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(parte uma perna!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em que eu ia para a primeira fila com uma lanterna, para te avisar de alguma coisa que corresse mal – uma &lt;em&gt;flashada&lt;/em&gt;, tinhas-te enganado; duas “meu deus, catástrofe!”; sim, eu era &lt;em&gt;the expert&lt;/em&gt; do &lt;em&gt;ballet&lt;/em&gt; clássico, nada me escapava, fruto das digressões em que íamos “a meias” – tu dançavas e eu espreitava, com os meus olhos adolescentes alucinadamente despertos, as mamas de todas as bailarinas, eram pequenas, é certo, mas naquela idade tudo é surpresa e desejo e sabe-se lá que outras palavras iriam surgir para colorir a fome de um corpo. Se bem que as palavras fossem o que menos interessasse na altura…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Bem sei, reconheço, que quando elas começavam a desconfiar de tanta - chamemos-lhe - “fixação ocular”, tu me salvavas com aquela máxima de “é só uma criança, o que é que estás para aí a dizer?”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, estás a ver como eu cuidei de ti? Mesmo quando voaste da janela do último andar eu pedi aos pássaros que te segurassem, eles é que não ouviram, não tive culpa! Não tive, Mãe, a sério que não tive – e eu sei que, agora que morreste e que aí (seja onde for) têm uma espécie de &lt;em&gt;replays&lt;/em&gt; para verificarmos foras de jogo e de tempo e opiniões, já percebeste que eu fiz sempre – mas sempre - tudo para te proteger.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então acertemos contas – quando eu era criança cuidei de ti, agora que estou velho e cansado e farto e com vontade de ir ter contigo, ao teu regaço e consolo que sempre me negaste, é a tua vez de cuidar e de me dizeres que os meus filhos precisam de mim como tu também precisaste, e que tenho de me aguentar até que os Cisnes me levem através dos azuis da madrugada. Sabes porquê? Porque, agora, é a tua vez de mentir, de me dizeres que alguma coisa vale a pena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sim, ambos sabemos que não há nada que valha a pena, mas que se lixe!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem que seja a nossa indomável vontade de não nos vermos nunca mais. Porque dói.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4731371518783348076?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4731371518783348076/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4731371518783348076' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4731371518783348076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4731371518783348076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/05/dia-da-mae.html' title='Dia da Mãe'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1848304991908651451</id><published>2011-04-24T18:57:00.001+01:00</published><updated>2011-04-24T18:59:05.958+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Parem de lhe mexer senão ele cresce ainda mais!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há um mês atrás era 7,6%, há uns dias mexeram-lhe e passou a 8,6%, hoje mexeram-lhe outra vez e o &lt;em&gt;deficit&lt;/em&gt; já está em 9,1% do PIB. Mas parem de lhe tocar, não vêem que qualquer dia explode?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E depois aqueles meninos do FMI já não querem brincar connosco…)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1848304991908651451?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1848304991908651451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1848304991908651451' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1848304991908651451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1848304991908651451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/04/parem-de-lhe-mexer-senao-ele-cresce.html' title='Parem de lhe mexer senão ele cresce ainda mais!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3983705341236267906</id><published>2011-03-25T01:48:00.002+01:00</published><updated>2011-03-25T01:55:40.979+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>As hormonas são do caraças!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ela achou que teria sido por um problema hormonal (só podia, mesmo – pelo menos eu acho…) que havia andado comigo, senti-me estranhamente lisonjeado. É que, anteriormente, eu já tinha feito com que mulheres gostassem de mim (nomeadamente a minha avó), a outras ter-lhes-ia alterado o humor (às vezes para melhor), a outras, ainda, havia-lhes provocado icterícia. Mas às hormonas… essas coisas inatingíveis dos pontos de vista quer científico, quer parvo… não, nunca, nunca lhes havia tocado a alma, nunca havia atingido tal feito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí percebi que a felicidade que sentia era muito (mas muito) superior ao meu mais que vulgar miserabilismo - que era julgar que estava abandonado e deprimido e triste e velho e carcomido, qual Calimero depenado, de bengala e com a casca de ovo corroída por fungos libaneses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi maravilhoso! Ser comparado à falta de uns comprimidos de estrogénio que, se tomados, fariam com que ela tivesse borrifado em mim logo na primeira hora, é fantástico! Então não é que andam milhares de cientistas a queimar pestanas, milhões de investidores a gastar dinheiro, biliões de farmacêuticos a matar-se a trabalhar - e eis quando eu, &lt;em&gt;moi&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;je&lt;/em&gt;, valho tanto quanto esses preciosos comprimidinhos… Lindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é evidente, nunca mais quis saber dela – a partir desse momento, passei apenas a sair com hormonas. É que, ao menos essas, manifestam-se com a minha falta. (Bom, confesso que às vezes também vou tomar um copo com uma amiba – das giras, claro!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3983705341236267906?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3983705341236267906/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3983705341236267906' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3983705341236267906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3983705341236267906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/03/as-hormonas-sao-do-caracas.html' title='As hormonas são do caraças!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5576562279753282446</id><published>2011-03-14T04:22:00.003+01:00</published><updated>2011-03-14T05:35:16.645+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Acordei – e tu?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei ao som das ondas &lt;em&gt;nalgando&lt;/em&gt; a falésia. Espreguicei-me, reparando que os saborosos grunhidos do bocejo rivalizavam com os agudos estalidos dos ombros que há muito haviam resolvido inundar-me a idade, numa estranha competição sonora felizmente cortada por um honesto e singelo peido, tão repentinamente oportuno quanto seria necessário para a minha difícil sobrevivência após uma noite de exagero de copos. Avançando (mas devagar que isto da ressaca só é suportável quando apenas escrito): unicamente com um olho e por falta de sinónimos, investiguei os meus lados. Todos. Não é que (estava capaz de jurar…) adormecera abraçado a alguém – e pirou-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrastei-me até à casa de banho – bem sei que tinha uma perfeita falta de hífenes mas água potável era coisa que, felizmente, não lhe faltava. Puxei o autoclismo, satisfeitíssimo com a minha “performance” – acho que cancro da próstata só para o ano -, lavei os dentes e, nem sei porquê, voltei ao quarto para verificar o nível do colchão de água. Estava bom; mais um indício de que, afinal, não adormecera abraçado a alguém – apenas, e como de costume, a ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia seguinte. Acordei ao som da falésia espreguiçando as ondas. Bocejei os ombros, articulando a idade. Peidei-me sem culpas, que isto dos cinquentas tem as suas vantagens. Infelizmente, a sobrevivência após mais uma noite de exagero de copos não as tem, bem pelo contrário. Ressacando (mas devagar - que avançar só é suportável quando visto apenas com um olho e com falta de sinónimos), resolvi investigar os meus lados lunares, solares e interplanetários. Todos, mesmo todos. E não é que (estava capaz de adormecer…) queria ter acordado abraçado a alguém – e pirou-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e tu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde estamos? Porque nos descruzámos e, por falta de acentos e apenas e só por isso, nos descruzamos? Porque não ouvi o som ao puxares o autoclismo? Porque será que nunca te consigo, sequer, ouvir, sejam as expressões ou o silêncio? Sentemo-nos. (Dá-me a mão, aperta-ma). Falemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e eu)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas - sabes? - o som não sai, o tempo não flui, o medo escorre por entre os dedos e até às profundezas das dúvidas mais estranhas, absurdas, quais incontáveis experiências genéticas com a mesma pele, o mesmo tecido, as mesmas células que te, nos fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, a falésia vai gemendo as estrelas por entre as dores das ondas que se perderam pelo meio dos oceanos, indecisas vagas dolorosamente perdidas dos golfinhos que as esperavam, por entre estalidos da saudade, por entre tempos em contratempo, por entre a ignorância do tão extraordinário quanto vulgar pó que permite que as borboletas voem, mesclando o seu voo de vida da infinita magia do milagre que é tudo o que se desconhece e que se espera que ninguém nos explique, tal qual aqueles truques a que todos assistimos na infância, num circo de Verão com cheiro a naftalina e ao suor das Irmãs Sisters que, por entre trapézios, esvoaçavam, entrelaçando-se e sorrindo, as entranhas da nossa imaginação enublada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava capaz de jurar que havia encomendado uma boneca insuflável da Holanda. Ou, no mínimo, um compacto, com tudo a que tenho direito numa edição de gaveta e quase à prova de mulher-a-dias. E que ela estaria abraçada a mim de manhã, de hálito puro, só me largando para mijar (ficando &lt;em&gt;gueixamente&lt;/em&gt; satisfeita com a minha “performance”, nem que fosse da lavagem dos dentes) ou para verificar o nível do colchão de água que poderia, compactamente, ter dado cabo com ela. Ou seja, com alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me de ter assistido, na infância e num circo de Verão, à profusão do cheiro a naftalina e suor das Irmãs Sisters, com mamas azuis e transbordantes de desejo, que – estava capaz de jurar… - haviam transbordado das revistas guardadas em sítios secretos e óbvios pelo meu pai que, estranhamente, apenas as comprara para ler os artigos científicos, independentemente das páginas colarem – aliás, sempre desconfiei da qualidade do papel daquelas revistas... eu? Eu é mais imagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que foste passear até à falésia? Tomar café ao Joaquim da Fruta, onde a maresia embala as cebolas e aumenta os preços - e entregam o correio? Olha, já que aí estás e passadas tantas horas sem voltares – as primeiras 24 são cruciais para saber se é rapto ou parto ou fuga ou não te quero -, será que podias trazer-me a encomenda da boneca holandesa e pô-la debaixo da porta, já que ainda ninguém a soprou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que vagueias nas ondas para onde os golfinhos te levaram, sacrificando-te às borboletas que não conseguem voar e que esperam por um milagre - até que as Irmãs Sisters, por entre trapézios presos às nuvens, te resgatem e te tragam de novo à minha imaginação enublada ou, apenas, até que a falésia te devolva, por entre os gemidos das estrelas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e eu outra vez)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um dia. Em ciclo, outro dia em que os dias não mudam. Lembro-me que acordei - de novo ao som da falésia. Espreguicei-me de velho, sentindo que não mais teria corpo, já que a idade não esbanja a sobrevivência após uma noite de exagero de copos. Por falta de sinónimos, resolvi assumir – sim, ainda estou bêbado, e por mais que quisesse ter adormecido abraçado a alguém, basta-me o som das ondas beijando a falésia para acordar desejando que fosses tu a pessoa à qual não me abracei. Mas que, mesmo morto, muito, muito quis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5576562279753282446?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5576562279753282446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5576562279753282446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5576562279753282446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5576562279753282446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/03/acordei-e-tu.html' title='Acordei – e tu?'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-93278352702519603</id><published>2011-03-03T01:42:00.004+01:00</published><updated>2011-03-04T19:57:38.973+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Nada como mijar nas árvores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Comecei a pensar (há 3 minutos atrás) e concluí que, da mesma forma que um cão mija em todas as árvores próximas (conhecidas ou não) para deixar a sua marca, eu também ando sempre, circularmente, no mesmo filme – ou seja, tento deixar a minha marca que (espero…) seja um pouco mais elaborada que uma simples mijadela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Tento fazer canções mas ninguém as quer ouvir; tento dizer “amo-te” mas nem sequer consigo dizê-lo; tento estar vivo mas, provavelmente, seria melhor, ainda que morto, mijar em arbustos de pé – ao menos isso conseguiria (acho eu, pelo menos antes da próstata se armar em parva e dizer-me para mudar de sexo). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Bom, seja como for, arrasto momentos, saudades, desejos, e uma infinita vontade de nunca mais ter de, por necessidade física, escrever uma palavra que seja. Por outras palavras, ‘bora aí subir às árvores para cagar para cima dos outros animais, sejam quais forem, só para atirar as culpas para cima dos rouxinóis. Era bem feito. Fixe! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Dizia eu: hoje só queria deixar alguma coisa de que os meus filhos se orgulhassem, nem que fosse o funeral pago, um livro escrito ou uma bomba na cabeça do Kadhafi. Mas não. Não consigo. Nunca hei-de fazer nada de memorável. Sou assim. Simplório. Nada. Um nada arraçado de assim. Nada, portanto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-93278352702519603?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/93278352702519603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=93278352702519603' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/93278352702519603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/93278352702519603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2011/03/nada-como-mijar-nas-arvores.html' title='Nada como mijar nas árvores'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2688278892240532370</id><published>2010-11-07T19:17:00.003+01:00</published><updated>2010-11-07T19:21:48.999+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Ao ouvir um anúncio na rádio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em círculos incertos e imperfeitos, tu surges-me sempre, inevitável e seguramente, todos os dias - pelo menos uma vez de oito em oito horas, como convém tomar-te por ti – por mais que eu queira não querer mas, simultaneamente, por mais que eu deseje a tortura de te relembrar; e não a queira também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surges nas mais diversas formas: desde a de uma canção que – pelo menos eu acho… - ainda hoje nos guarda, passando pela pele de uma estranha qualquer (que és tu mas afinal não és) que, num andar ondulado, se vai perdendo por entre fumos e multidões numa teia de ruas sujas, até mesmo quando, às cavalitas de uma qualquer bebida estampada num &lt;em&gt;placard&lt;/em&gt; anunciando a vinda de Cristo, insinuas um corpo desnudo, embebido do teu sorriso que, de tão provocantemente &lt;em&gt;naif&lt;/em&gt;, vive, apenas e só, da sede que em teus seios derrama - teus seios, espelhos de ti, que apenas partilharás nas&lt;em&gt; nuits fauves&lt;/em&gt; a que darás vida com a tua e tão própria morte dos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(… E depois, todas as horas, minutos, momentos, sigo – sempre – a direcção do teu olhar enquanto, lenta e saborosamente, ele me vai cegando e conduzindo às imagens, sons, cheiros de ti, até que um qualquer fim, que nem sei imaginar, te transcenda. Mas o que realmente importa é a verdade que eu não conto a ninguém – fica o nosso segredo; é que, magicamente e em todos os fins de tarde dos teus dias de aniversário, eu sei que conduzes o próprio Sol do horizonte de todas praias a todas as luas que te esperam, sequiosas de ti.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes uma coisa estúpida? Teu nome soa sempre melhor quando gritado - pelo uma vez de oito em oito segundos, como convém tomar-te por ti - ao ritmo de um anúncio de rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2688278892240532370?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2688278892240532370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2688278892240532370' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2688278892240532370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2688278892240532370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/11/ao-ouvir-um-anuncio-na-radio.html' title='Ao ouvir um anúncio na rádio'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8373028779722612192</id><published>2010-10-20T02:13:00.001+01:00</published><updated>2010-10-20T02:14:49.898+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>No meu bolso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No meu bolso deixei esquecido o amor que por ti tinha, apenas e só para te dar.&lt;br /&gt;Ali estava, bem guardado, estimado, para quando te encontrasse - fosse quando fosse.&lt;br /&gt;Um dia a noite cruzou-nos. Cruzámos olhares e corpos, risos e copos, qual cruzeiro às Américas destinado a não mais voltar. Mas o dia voltou. Com trabalho e coisas e assim. Então&lt;br /&gt;Regressei a casa. Mas&lt;br /&gt;No meu bolso deixei esquecido o amor que por ti tinha, apenas e só para te dar.&lt;br /&gt;Constatei, então, que afinal nada te havia dado. Entretanto&lt;br /&gt;Partiste. Havíamos gasto os cupões d’alma. E já não havia mais. Então&lt;br /&gt;Despejei o bolso, rasguei o bilhete para a Grande viagem Juntos e enjoei-me, definitivamente, de mim – num cruzeiro condenado a não mais partir.&lt;br /&gt;Engasgado de vida, mor&lt;br /&gt;Ri. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8373028779722612192?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8373028779722612192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8373028779722612192' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8373028779722612192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8373028779722612192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/10/no-meu-bolso.html' title='No meu bolso'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1616096846286366286</id><published>2010-10-19T23:47:00.001+01:00</published><updated>2010-10-19T23:50:44.099+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Uéuéué</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Uéuéué uéuéué e se tu uéuéuéué e também porque uéuéuéué uéuéuéué mas também não admito uéuéuéué uéuéuéué e então o que mais me irrita uéuéué uéuéué sim e o cheiro dos teus pés uéuéué uéuéué mas aqueles teus amigos – ó meu Deus - uéuéué uéuéué olha e digo-te mais: um dia que tenhas uma amante então aí é que nunca mais te falo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(‘&lt;em&gt;Péraí&lt;/em&gt; que esta eu ouvi – nada como um ouvido selectivo!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariadíssimo, chateadíssimo, lá tive de arranjar uma amante à pressa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(apesar de ser contra os meus princípios e fins católicos, a “recompensa” era enorme)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, claro está, logo corri a confessar-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu a pena: agora escuso de estar sempre a aumentar o som da televisão – é que estava a ficar surdo, chiça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1616096846286366286?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1616096846286366286/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1616096846286366286' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1616096846286366286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1616096846286366286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/10/ueueue.html' title='Uéuéué'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7465620810722905470</id><published>2010-10-15T01:33:00.001+01:00</published><updated>2010-10-15T01:36:12.215+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Ao lembrar-te, Mãe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei que tu estás a velar por mim, como nunca o fizeste em vida. Sei que não me deixas esquecer o quão tudo é relativo, não porque me tivesses dado conselhos definitivos (ou algo assim sob a forma de estupidez) mas apenas e só porque assisti à tua vida, globalmente inútil e absurda, mas de instantes – pontuais, cirúrgicos - feitos momentos para sempre, em que os dedos roçaram a alma, em que os olhos choraram Eternidade a cada rodopiar, a cada cisne renascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que tenho saudades tuas; não que te quisesse aqui, substituindo este embriagante torpor da solidão, não que lembre algum momento em particular que tivesses tido comigo – porque, estranhamente, nunca o tivemos -, mas só e apenas por hoje eu ter, finalmente, admitido que, dentro de mim, havia uma parte que era tua, algo que foi crescendo comigo sem que tenhas, sequer, reparado, mas que é o que eu realmente sou, para além de todas as capas que uso sob a forma de tem que ser ou, muito mais simplesmente, sorrisos fáceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje lembro tudo. Lembro os primórdios da Gulbenkian, as tournées (agora digressões), as casas emprestadas dos Amigos da Arte (agora são só hotéis, sabes?), as camionetas podres em que se arrancava mesmo que alguém que não estivesse levantasse o braço (agora não há alma com ou sem braços, apenas horários). Mais ainda – lembro as piruetas, os “pas de deux”, os quebra-nozes que quebravam as almas mais empedernidas, as belas adormecidas que, de tão acordadas, saltavam sem destino no palco das suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, hoje também, por mais que resolva esquecer-te, sei que te estás nas tintas para isso e que continuas a velar por mim. Não porque acredite em deuses, vidas pós-morte ou patranhas do género – apenas e só porque me deste o teu sangue e me deixaste ver-te dançar. Mãe minha. Minha Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7465620810722905470?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7465620810722905470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7465620810722905470' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7465620810722905470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7465620810722905470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/10/ao-lembrar-te-mae.html' title='Ao lembrar-te, Mãe'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7333029775172802623</id><published>2010-09-30T02:35:00.006+01:00</published><updated>2010-10-05T18:35:54.027+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>peniche (sim, com minúscula)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Daí a urgência de contar. Adiante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou-se à minha beira, olhando-me ternamente. Pouco depois, e durante deliciosos ronronares, aconchegou-se por entre os meus braços e desejos e assim e coisas. Então, feito transparente e mais coisas ainda, achei que o beijo era apenas e só o que faltava para passar à fase seguinte - ou seja, jantares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu adoro peniche”, disse-me ela enquanto, com um ar de freira confessional – o que quer que isso signifique -, atirava com os sapatos, as meias e algo para mim desconhecido até então – e que assim continua -,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mas a que propósito vem isto de peniche, será para dar uma de nostálgica da infância? Mas ela nem é dessa zona…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para o fundo da sala. Achei estranho mas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(que se lixe!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devia ser das grutas, das igrejas, do Baleal. Enfim, como estava tudo a correr tão bem e tão próximo do (minimamente) planeado, resolvi alinhar. Disse-lhe que “sim, peniche é fixe”, tanto mais que a retrosaria “O Manel” estava então com promoções e que - &lt;em&gt;ganda&lt;/em&gt; Internet! -, para além de tudo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(depois desta ela iria ficar louca por &lt;em&gt;sexar&lt;/em&gt; comigo, de certeza!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a residencial D. Maria em Peniche tem bons quartos para que possa passar uns bons dias em Peniche na companhia da sua família ou amigos e que tem para si várias casas com diferentes valores e condições para que possa escolher o que mais lhe agrada e que Peniche é uma bonita cidade plantada à beira-mar onde pode ir à praia fazer surf comer bons peixes e marisco e conhecer o artesanato de Peniche como a renda de bilros mas que era urgente tomar medidas senão Peniche ir-se-ia perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Ministro das Coisas Parvas entrou no conselho e disse “está tudo lixado, temos de tomar medidas e parar de fingir que nada está a acontecer!” começaram-se todos a rir. Não é que aquele palerma tinha um sentido de humor fantástico, mais ainda do que a própria realidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabada a minha brilhante – chamemos-lhe - jogada, esperei pela dela. Recebi, em troca, estupefacção. Paralisia facial. &lt;em&gt;Boquiabertismo&lt;/em&gt;. Seria da minha genialidade? Não sei, não percebi – aliás, como sempre acontece aos homens, fiquei na ignorância, que esta graçola das mulheres terem menos pêlos (excepto as espanholas, claro!) é, indubitavelmente, um sinal de maior evolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não dizes nada? ‘Tou feito…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, o Ministro da Estupidez Congénita e Também da Sífilis resolveu entrar em &lt;em&gt;overdose&lt;/em&gt; de impacto no concelho mas, logo aí, deu bronca – por mais que não fosse pela simples razão de que estava no sítio errado. Claro está que, apesar da hora absurda (para aí 45,7…), o seu motorista, de salário penhorado à conta de um crédito para caracóis, foi buscá-lo, não só porque a amante estava com o período como porque a consoante estava errada. Ao encontrá-lo, explicou-lhe que, até mesmo com o extraordinário assordo hortográfico, havia coisas que não tinham mudado – nomeadamente a palavra “pepino” e o facto de a sua mulher ser loira postiça. Como a dentadura. Ou como a pose da Pitucha, antes da orgia com cavalos lusitanos. O Ministro ficou muito mais descansado. E feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, rasgando o silêncio, a decência e um preservativo colorido, e qual nadador olímpico sedento de vitória, ela lançou-se ao meu vizinho de baixo, de tal forma que a própria voracidade – estou certo disso e dos números do totoloto - se envergonharia. Claro está, entrei em pânico, duvidando se teria fulgor adolescente em dose suficiente para a hercúlea tarefa que se adivinhava; é que, afinal, peniche era só – digamos assim - uma forma de expressão. “Eu avisei-te, sou louca por peniche!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impondo a ordem, entrou em cena o Ministro das Cenaças Inúteis. Protestou, gesticulou, berrou o fígado todo. Depois, e em consequência de tão brilhante intervenção, a unanimidade votou, concluindo que a crise económica era, apenas e só, culpa dos ciclistas. Desde que estrangeiros, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz amor como nunca antes. Ah &lt;em&gt;ganda&lt;/em&gt; Peniche!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Claro está, arruinámo-nos, e só mesmo o sexo foi e será droga suficiente para esquecermos a desgraça.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7333029775172802623?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7333029775172802623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7333029775172802623' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7333029775172802623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7333029775172802623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/09/peniche-sim-com-minuscula.html' title='peniche (sim, com minúscula)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7986173582705850168</id><published>2010-09-24T23:56:00.004+01:00</published><updated>2010-09-25T02:26:26.642+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O meu lobo frontal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecei por esquecer o teu aniversário. Depois esqueci-me de ti nas mais variadas formas em que te vais transformando – desde o cheiro do teu cabelo, passando pela tua canção preferida,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(acho que era uma dos &lt;em&gt;Beatles&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pelo perfume que sempre namoraras mas que nunca compraste porque era caro ou porque eu sempre to havia oferecido, até mesmo pela viagem que nunca fizeras, provavelmente de propósito porque a querias fazer comigo e apenas comigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(tenho a impressão que era o “And I love her”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou, inclusivamente, na simples – mas tão boa quanto insana - sensação de pele em cada olhar que trocámos, quando nos queríamos. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora passou tempo, tanto tempo, tanto que, de arrumação em arrumação, de esquecimento em esquecimento, consegui criar um estranho espaço dentro de mim para que coubessem as memórias – mas só as que interessam -, deitando fora não só aquelas lembranças inúteis do tipo do que almoçámos na véspera como – pior ainda! - os disparates disfarçados de conhecimento que a professora primária que todos tivemos, e que vivia por detrás dos óculos sob a forma de funil, nos obrigou a engolir - como seja a divisão das nuvens em estratos, cirros, cúmulos e nimbos, ignorando a óbvia realidade de coelhinhos, leões, algodão e sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sim, era o “And I love her”, agora tenho a certeza)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… Até que o meu lobo frontal entrou em auto-gestão. Mandou uns quantos obscuros lacaios pelo meu corpo fora, conquistou os pulmões, o fígado (esse também era fácil…) e um testículo, e convenceu-me que eu nunca te havia amado – riu-se à brava, o cretino! -, que as mulheres eram apenas um &lt;em&gt;up-grade&lt;/em&gt; das mamas e que memórias só as de elefante – por mais que não fosse porque haviam sido escritas pelo Lobo Antunes, o primo dele do lado lobar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso tudo, e por mais anos que passem desde que nos separámos sob a forma de “a vida acontece”, neste exacto e preciso dia - se calhar graças ao meu lobo frontal fatalmente entrar, nesta data, em coma alcoólico comemorativo -, sei sempre que é o teu aniversário e, claro está… chega a esta hora, enrosco-me na cansada memória do cheiro do teu cabelo e embalo-me para dormir, assobiando – baixinho para não te acordar - o “And I love her”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, eu amo-a, agora tenho a certeza.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7986173582705850168?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7986173582705850168/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7986173582705850168' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7986173582705850168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7986173582705850168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/09/o-meu-lobo-frontal.html' title='O meu lobo frontal'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3044299506331870616</id><published>2010-06-16T13:42:00.004+01:00</published><updated>2010-06-16T13:45:39.953+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O corredor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando ele achou que o corredor era dele e ela achou que o corredor era dela abriram as portas dos quartos saíram e evidentemente cruzaram-se rigorosamente a meio achando que o corredor era seu então algum deles perguntou tratas tu dos papéis ou trato eu? e o outro fosse quem fosse respondeu tratas tu já que tu é que queres! e tu não? sim quero mas tratas tu e pronto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos antes haviam caído na armadilha do cansaço e da rotina e do sai lá da casa de banho que estou com pressa. O beijo estava esquecido, a pele já nem existia e os ET’s que dentro transportavam haviam saído do mais fundo de si e, maquinalmente, faziam pequeno-almoço, sexo e transporte de crianças. Já nem sorriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos antes haviam-se amado, espalhado partes do corpo pelo chão enroladas em panos d’alma, revelado segredos em cada rolha de garrafa aberta, transformado sorrisos em lua cheia, escorrido corpos das palavras lembrando a vida a cada despertar, acordando a vida em cada adormecer de abraços. Sorriam. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos antes haviam-se conhecido, desconhecendo tudo um do outro mas acreditando na descoberta, nos cheiros, nas virgindades desnudadas pelos desejos – acreditando, até, numa estranha religião feita apenas de um Sol arrancado das entranhas da terra. Amavam. Muitíssimo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na 3ª secção de uma qualquer vara bastante criminal, um juiz passou a certidão. “Declaro o óbito às 10 horas e 12 minutos”. Saíram todos da sala com um ar fúnebre - mas aliviado. Então, de um modo extremamente competente, esfaquearam os sonhos – era da tradição - e o Amor, esse, foi enterrado pelo coveiro do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3044299506331870616?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3044299506331870616/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3044299506331870616' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3044299506331870616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3044299506331870616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/06/o-corredor.html' title='O corredor'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2092897399549401843</id><published>2010-05-18T19:19:00.005+01:00</published><updated>2010-05-19T10:13:00.811+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Cavaco muito Homo (Sapiens, claro!)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/S_LageKiatI/AAAAAAAAABw/fU_xWjt3U1o/s1600/cavaco.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 292px; FLOAT: left; HEIGHT: 194px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472676748596505298" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/S_LageKiatI/AAAAAAAAABw/fU_xWjt3U1o/s200/cavaco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ontem, 17 de Maio, Dia Mundial contra a Homofobia, Cavaco Silva comunicou ao país que, apesar de contrariado, chateado, furioso, a deitar fumo, danado, mas que chatice, ai meu Deus que parto este estabelecimento todo, havia promulgado a lei do casamento homossexual. Enquanto discursava - e conforme se pode constatar pela foto acima (extraída do “Público” de hoje) -, atrás dele e numa zona mais recatada do seu Palácio, dois meninos nus (seriam anjinhos?) brincavam felizes e abraçados, praticando a dança do varão no candeeiro, sob os holofotes de uma lâmpada de 40W e de - sem Cavaco dar por isso - 10 milhões de portugueses. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vícios privados, públicas virtudes, não é Sr. Presidente? Que momento bonito… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2092897399549401843?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2092897399549401843/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2092897399549401843' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2092897399549401843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2092897399549401843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/05/cavaco-muito-homo-sapiens-claro.html' title='Cavaco muito Homo (Sapiens, claro!)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/S_LageKiatI/AAAAAAAAABw/fU_xWjt3U1o/s72-c/cavaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1126372906569562931</id><published>2010-05-12T00:16:00.001+01:00</published><updated>2010-05-12T00:18:18.835+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Ai eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ai eu que vindo da janela só me percorrem carros e guinchos e nem sequer o pássaro sai da gaiola poisada na sala pira-te estúpido ai eu que ontem ouvia os cheiros das giestas e interpretava os desejos dos pinheiros o bater das asas até das partículas de luz que há muito haviam atravessado oceanos ai eu que aqui estou de memórias mortas e de mulher no outro mundo (que o tempo dói demais sem ser na terra) sabendo que os netos me apaparicam como demente de vida apartada ai eu que sei que meu filho para aqui me trouxe porque se preocupava comigo sem saber que me matava na lentidão dos escapes e dos horizontes tremidos ai eu que dantes passeava até à estação de tratamento enganado como as gaivotas pelo lago lago de merda só depois soube o que era mas antes das gaivotas descobrirem essas estúpidas ai eu que navego sem saber e sem vista quase sem sabor dos minutos e que devoro a ansiedade do pássaro que se extingue à porta da gaiola Olha vem aí o meu neto e o pássaro pousou-lhe na mão (será que sorriu?) e voltou para a gaiola mas porque carga d’ água não me deixaram apodrecer ao lado dela que tanto amei e tiveram tão estupidamente de me salvar? Ai eu que me custa mais subir as escadas deste monstro de betão e de indiferença do que palmilhar quilómetros entre os montes e as enseadas e as gotas de chuva e de suor dos campos ai eu que já fui dono e rei do pôr-do-sol eu que lhe ordenei “pára!” e ele parou eu que lhe gritei “continua!” e ele ressuscitou ai eu que já fui pessoa e não restos obedientes e angustiados ai eu que sobrevivo sem nada quando o tempo se torna tão lento que quase nada me sobrevive ai eu que afinal morri mas falo e peço um pouco de pudim ah não pode ser por causa do colesterol atenção pai que está alto como se o colesterol tivesse capacidade para me matar e eu não estivesse ao invés a morrer de inveja do pássaro que preso ainda canta a morrer de inveja até da rua que é imóvel mas ao menos guincha do ar que entra nos pulmões mais depressa do que um Ferrari pregando sustos às veias ai eu que era alguém e que agora nem consigo viver mas sobrevivo vendo o sacana do pássaro e quanto o invejo e admiro ai eu que (Ó pai tire daí as mãos que essas bolachas fazem-lhe mal) trago aberta a janela do peito (Ó pai já lhe disse afaste-se da janela que é perigoso) e a janela janela aberta que grita por mim e eu parado e ai eu parado e ai eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voei. O tempo dói demais sem ser na terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1126372906569562931?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1126372906569562931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1126372906569562931' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1126372906569562931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1126372906569562931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/05/ai-eu.html' title='Ai eu'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4434899894691354539</id><published>2010-05-07T12:29:00.002+01:00</published><updated>2010-05-07T12:34:19.578+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O Macaco de Rabo Azul Amarelo Cinzento de Cor Indecifrável Que Apenas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi quando ela se sentou ao colo do meu olhar que eu tentei fugir. Para longe, longe mesmo. No fundo, partir até ao fundo dos seus rubros glóbulos brancos. (Mais tarde, em paralisia dos sentidos, olhei-a como quem olha o passar do tempo. Flutuaria?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou tempo, passou todo o tempo que resta e ela fica, permanece. Fria e indiferente ao que quer que seja que lhe digam. Mesmo que alguém lhe dirigisse um hálito de nuvem ela responderia com um sonho distorcido por aranhas. E fica, permanece. De saudades desfeitas como quem trucida os momentos para os transformar em negações de qualquer contacto com os dedos, com a vida, com os inúmeros minutos que compõe um segundo preenchido desse seu corpo. Curiosamente, é o mesmo – seu, apenas seu - corpo que permanece como fonte, como banho sagrado, como renascer suave dos sorrisos do passado. Que lhe terá acontecido, que dor transportará?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que passa o tempo, tempo passa sem passado - só não pára porque a brisa o transporta. Sim, na brisa, na brisa transportamos todos os tempos sem momentos para os enterrarmos – na esperança que floresçam como sangue de árvores extintas, como falésias de beijos pesados de enorme leveza etérea. Que tempo ela terá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o macaco de rabo azul amarelo cinzento de cor indecifrável que apenas quer fugir, resolveu declarar-se representante legítimo e absurdo da jaula enorme e circunspecta que é a nossa vida – sempre reduzida a frases, palavras, sílabas, sons, grunhidos extemporâneos e inúteis de alma perdida por entre mares errantes à procura de um novo rótulo - e gritou. O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje, de facto, eu só queria que te sentasses ao meu colo, onde os séculos duram lágrimas, onde o tempo trespassa os ombros, onde a saudade morreu de conjuntivite e de uma cornada, e que trocássemos as palavras por senhas de racionamento de sais de banho e licores, por vapores de metropolitano e Marilyns de olhares bandarilheiros e num abraço partíssemos – é que, ao chegar Lá, sei que renasceremos por entre veredas, fontanários e lama, como um imbondeiro farto de contar os dias, como espinhos de cactos mortos. Por outras palavras: troquemos os dias, tranquemos as almas e partamos - até que a Morte nos faça viver juntos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4434899894691354539?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4434899894691354539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4434899894691354539' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4434899894691354539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4434899894691354539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/05/o-macaco-de-rabo-azul-amarelo-cinzento.html' title='O Macaco de Rabo Azul Amarelo Cinzento de Cor Indecifrável Que Apenas'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1338935944203418718</id><published>2010-04-30T00:27:00.008+01:00</published><updated>2010-04-30T00:39:42.517+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Rembrandt</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Queres vir a minha casa ver o meu Rembrandt?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Rembrandt? O quê? Tu tens um Rembrandt em casa?! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sorriram. Depois riram-se. Muito - ao ponto das palavras se engasgarem. E, como habitualmente sempre que algo se cola na pele e acaba por se entranhar na alma, as palavras tornaram-se completamente irrelevantes. E assim, despojados de tudo - até do tempo -, foram de mão dada para casa dele ver o Rembrandt que ele não tinha. Depois reviraram do avesso os corpos que se queriam – muito - e tudo o mais que tinham que ver, tocar, sentir, saborear. Ou seja, trincar. Tudo. (Vida incluída.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prossigamos. Nessa noite fizeram amor até que a madrugada doesse, até que os corpos quisessem, até que as dores esquecessem, até que o tempo parasse, até que a madrugada quisesse, até que o amor doesse. Ou seja, do cetim desse Amor fizeram a noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passaram os dias sem passar. Conseguiram que as horas passassem sem doer – muito pelo contrário; depois atravessaram o dorido rio do dia-a-dia – com idas à casa de banho e tudo e tal – e, mesmo assim, amaram-se. Muito. Constantemente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas passou o tempo, muito tempo; vieram os hábitos, os rituais, os está bem para não me chatear, o cansaço, as desistências, o desagregar, o papel do casamento assinado em pacote com os pré-determinados papéis a desempenhar, que os fizeram actores deles mesmos com guião escrito por outros. Depois engravidaram. Cozinharam. Receberam. Socializaram. Esboçaram sorrisos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais tempo. Deixaram de fazer amor e passaram a ter relações sexuais. Depois deixaram de sorrir um sorriso cúmplice de crime adiado pela pele um do outro para, em troca, se tocarem desculpa lá; depois desleixaram-se, deixando os corpos destilarem a alma pelo lavatório, conjuntamente com os cabelos e os temporais perdidos; depois enrolaram-se nos lençóis e não mais se enroscaram dentro deles. Vestiram pijamas. Lavaram sempre os dentes antes do beijo. Lavaram o beijo. Finalmente, deixaram de ser homem e mulher com minúscula e alma, passando a Marido e Mulher, com uma minúscula muitíssimo maior e com demasiada e previsível calma. Já nada era proibido. Tudo tinha passado a estar legalmente insuportável. (Morte incluída.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, Rembrandt, o propriamente dito e que, como toda a gente sabe, era um simples filho de um pão, confessou que nunca havia existido – excepto, no corpo, na alma, no coração, nos dedos e nos lábios sequiosos de dois amantes sem fonte mas à descoberta e que, séculos depois, o haveriam de inventar. Sorriu. Nada como ser um artista de futuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1338935944203418718?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1338935944203418718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1338935944203418718' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1338935944203418718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1338935944203418718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/04/rembrandt.html' title='Rembrandt'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2334192551432239104</id><published>2010-02-10T19:41:00.002+01:00</published><updated>2010-02-10T19:46:47.390+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Quem terá sido?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As duas toupeiras seguiam lado a lado, maldizendo o oftalmologista, tagarelando sobre o tempo e pareceres jurídicos - como toda a gente sabe, as toupeiras têm amplos conhecimentos legais - quando, de repente, ouviram um estrondo enorme. “Deve ter sido algum ratito que caiu na armadilha que eu preparei junto ao cruzamento dos túneis ASF-123-Z/02 e IMJ-354-L/04” - sim, para além de eminentes juristas, as toupeiras são extremamente organizadas e metódicas, sendo mesmo famosas por teses de doutoramento na área da topologia -, “já temos almoço, fixe!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante. Chegadas lá (“mas o que é isto, que raio de bicho é este?!”), deram de caras com um camarão, ainda atordoado da queda. Pontapearam-no imediatamente de volta para a superfície (“que porcaria, até mete nojo!”), maldispostas pela visão de tão estranha criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhadoras e irrequietas como são, seguiram caminho, escavando mais um túnel por debaixo do último iceberg (“que ‘briol do catano’, chiça!”), enquanto praguejavam contra o aquecimento global.  (“Mas quem terá sido a besta que deu cabo disto tudo?!”)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2334192551432239104?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2334192551432239104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2334192551432239104' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2334192551432239104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2334192551432239104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/02/quem-tera-sido.html' title='Quem terá sido?'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2287871723709018958</id><published>2010-01-28T21:53:00.006+01:00</published><updated>2010-01-28T22:03:24.619+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Pénis Hilton</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha, olha Zé, olha quem é ela, é a… a… a Pénis Hilton, é isso, aquela ricaça finória! E com aquele seu cãozinho ao colo… ui, tão lindo, é aquele pequenino a quem ela só dá bifes do lombo, estou-te a dizer, li isso numa revista! Põe mais alto o som, depressa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera, mulher; mas onde é que está a porcaria do comando?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó ceguinho, mesmo aí ao pé da tua mão! Vá, rápido, sobe o som, ela está num 'toque-sou' ou lá o que é isso! Rápido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Let’s say goodbye to Paris Hilton, thank you for these few but very pleasant moments. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;- Thank you.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha que chatice, tinha de acabar agora. 'Gandázar'! Muda lá para o telejornal, pronto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ok&lt;/em&gt;, eu mudo mulher; mas passa aí mas é as batatas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Toma lá. Eh, o que é isto?! Estes tipos estão doidos ou quê? Uma notícia sobre a fome na Somália? Que nojo, notícias destas à hora das refeições. E olha para aqueles, todos esqueléticos! Que nojo! Muda, muda, rápido, muda! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Entretanto, lentamente, o Mundo gira – mas, infelizmente, não muda.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2287871723709018958?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2287871723709018958/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2287871723709018958' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2287871723709018958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2287871723709018958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/01/penis-hilton.html' title='Pénis Hilton'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3243359804883629683</id><published>2010-01-15T00:07:00.003+01:00</published><updated>2010-01-15T00:19:35.764+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Crise, qual crise? (Quem és tu, Martins d’Almeida?)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Martins d’Almeida aproximou-se, em passada confiante, do edifício de escritórios daquela quase secular multinacional que, muito em breve, seria sua. Enquanto avançava, em seu redor crianças passeavam de triciclo, ouviam-se sons esporádicos – incluindo um pássaro cantarolante de uma qualquer canção do Marco Paulo -, do outro lado da rua um vendedor de gelados agitava um sino, qual elefante-pigmeu, enfim… gente anónima como um dia, um dia &lt;em&gt;outroríssimo&lt;/em&gt;, ele fora. Por pano de fundo, alguns altos funcionários da Deloitte atiravam-se das janelas de seus altaneiros andares aos gritos “salvem-se, vem aí Martins d’Almeida!”, ou “100 é maior que 99!”, não sei bem, estou apenas a citar o que me foi contado. Enfim, seja como for, cá em baixo não eram doutores nem engenheiros, apenas ovos estrelados. Bem passados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Já em pequenino, quando os outros meninos jogavam ao Monopólio, ele aparecia de repente, pegava nas notas todas, fugia e escondia-se a contá-las. Claro está que depois levava pancada, perdão, porrada!” (Avó paterna) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava cada vez mais próximo do edifício, como mais próximo estava de seu grande objectivo: ser o peso pesado do seu mundo profissional, o tipo do harém das fulanas de óculos e máquinas de calcular e frases inexpugnáveis. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Em adolescente era lixado; sempre que via uma foca pontapeava o crocodilo que mais próximo dele estivesse.” (Zé, o gajo internado por engano em vez de Napoleão) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Martins d’Almeida avançava, o passeio tremia – de medo, de respeito? Não, do peso, a vida é sempre mais prosaica do que se julga. Mas o que é que isso interessa? Martins d’Almeida e a sua OPA amestrada haviam conquistado o topo do mundo, o Evereste da finança mundial, o Kilimanjaro do Hemingway. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Martins d’Almeida, Martins d’Almeida… assim que chegou à fase adulta, tornou-se numa mulher linda; como que saiu do casulo e começou a voar. Sim, de facto é o que melhor recordo, a sua bem delineada silhueta de mulher, as suas asas. Sabe, há sempre aquela cumplicidade Mãe-Filha, não é? O quê, é um homem? Então não conheço!” (Mãe) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entrou no elevador. Carregou no botão para o último andar, só acessível a VIPS e lavadores de janelas. Ah, e ao cão do &lt;em&gt;Ci-i-ão&lt;/em&gt;. Em boa verdade, já nada o poderia deter. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Para nós é uma honra passarmos a ser comandados por Martins d’Almeida. Para nós é uma honra passarmos a ser comandados por Martins d’Almeida. Para nós é uma honra passarmos a ser comandados por Martins d’Almeida. Para nós…“ (sócio maioritário da Deloitte, enquanto treinava a overdose de hipocrisia que acabou por conduzi-lo ao suicídio, exactamente 37 segundos antes de Martins d’Almeida entrar, sorridente, na sala da direcção.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando entrou, só e triunfante na sala, Martins d’Almeida teve a sua primeira erecção de poder. Saboreou-a. Depois contemplou pela janela o silêncio. Depois ainda, olhou à volta. E nada. Chamou por alguém. Nada. Era o dono do mundo mas… nada. Por momentos, lembrou-se das crianças a passearem de triciclo, dos cheiros, dos tais sons esporádicos, até do insignificante (mas que agora parecia importantíssimo) vendedor de gelados, enfim… gente. Como outrora, &lt;em&gt;outroríssimo&lt;/em&gt;, ele fora. Mas borrifou no assunto, estava no topo do mundo, o que é que interessam as pessoas? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- “Porquê eu? Porque carga de água querem que eu fale sobre Martins d’Almeida? Eu que, por certo, serei quem menos o conhece? F***-**!” (Martins d’Almeida) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Desceu de elevador. Saiu a porta da multinacional, agora sua. Olhou para trás, sorrindo antecipadamente ao dia seguinte. (O que lhe estaria reservado?) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A pé, avançou dois quarteirões. Entrou no carro abandonado que há muito chamava de lar, enrolou-se em jornais antigos. Algum tempo depois adormecia, apesar da estuporada barulheira provocada pela queda de executivos, nem sequer prevista quer pelo boletim meteorológico, quer por Wall Street. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Que merda!”, pensou Martins d’Almeida. Mas a que se referiria? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3243359804883629683?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3243359804883629683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3243359804883629683' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3243359804883629683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3243359804883629683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2010/01/crise-qual-crise-quem-es-tu-martins.html' title='Crise, qual crise? (Quem és tu, Martins d’Almeida?)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3919875223794994143</id><published>2009-10-06T22:47:00.004+01:00</published><updated>2009-10-06T22:57:21.800+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>As garças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela espreitou pela janela, depois de, rodopiando com uma só mão, ter limpo do vidro todo o embaciado de Novembro, extasiou os olhos de tal forma que, de tão ansiosos e puros, o próprio espanto se silenciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limitava-se a observar, imóvel, calada, para não atrapalhar o mundo e não ser apanhada – é que as aulas da sua turma continuavam e ela tinha-se escondido ali, como fazia desde há muito, desde sempre, desde que seus pais lhe haviam dito que já não havia dinheiro para as aulas de dança. E olhava, olhava atentamente as pernas daquelas jovens garças, que se entrelaçavam, desuniam, e depois se entrelaçavam de novo mas ainda no ar; percorria-lhes os braços feitos de arcos e voos e ondulações de caravelas perdidas pelo mar; depois ainda, e apenas com as pálpebras, saboreava-lhes os corpos, ainda jovens demais para serem chamados de corpos, na altura talvez apenas olhos e pouca coisa mais. Enquanto isso, a música serpenteava por entre as raparigas e regressava, ansiosa, às gastas entranhas de um piano velho e roufenho, que se fazia ouvir através dos gemidos estereofónicos das falanges cansadas da própria pianista, ela mesma cansada, cansada da vida e dos sons e das crianças e do seu ordenado miserável,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(À noite voltava a casa, mais sandes menos sandes adormecia, depois erguia-se como uma gigantesca sombra de luz, voava até aos céus, onde tocava para multidões de olhos de tal forma abertos que silenciavam o próprio espanto, depois acordava em sobressalto mas “força força força” e lá adormecia de novo e flutuava de novo e toda aquela gente a aplaudia de novo, de pé, definitivamente, de alma exposta ao ridículo - que é a única forma de amarmos realmente alguma coisa - e ela era amada e adorada e idolatrada todas as noites por gente e mais gente e mais gente ainda e todas as noites havia mais, todos a aplaudiam de pé, sem parar, e acordava outra vez por causa do maldito gato da vizinha, “preciso de adormecer, rápido”, e “força força força”, e lá adormecia de novo até quando a manhã já fosse tarde – apesar de que a tarde ainda era cedo demais para acordar de tanto belo que havia, ainda, para navegar - e tinha de ser, e o chá, e as torradas, tudo brotava do seu palco de pó que era a bancada da cozinha e há que voltar ao piano que aquele piano, seu único companheiro de sempre, tão triste e velho e cansado quanto ela, a aguardava, a aguardava a ela, ela, a pianista cansada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais velha que a própria escola, mais dormente que a própria morte, morta que estivesse, mas que ainda conseguia fazer com que as crianças sorrissem e dançassem, dançassem, dançassem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa continuava a espreitar. Via-as através do seu próprio sorriso saltar, correr como um rebanho perseguido mas de movimentos sincronizados, acossado pelo piano que se arrastava e mal se ouvia - mas, afinal, tudo batia certo: os movimentos, os sorrisos, os corações. De repente, a música parou. Assustou-se. Olhou em volta. Nada de especial, a não ser dois passaritos que, em bruscos movimentos da cabeça, acenavam a sua atenção. Mas tudo recomeçou num dado ponto anterior, corrigiam-se erros que não eram erros, apenas pormenores de adultos que amestravam crianças - nada que a própria Arte e um pouco de tempo não curassem rapidamente. Música. Dança. Paraíso. Subitamente, uma mão no ombro. “O que é que fazes aqui, não devias de estar nas aulas?”. “Sim, devia, desculpe D. Constança”. Constança era a contínua, uma espécie de sótão moral da própria escola, a contínua exemplar mas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Mais tarde, Constança tomaria o autocarro rumo ao Tejo, o Tejo rumo ao barco, o barco rumo à brisa, a brisa rumo a terra, à terra onde a aguardava um sofá incorporado com um marido que mal suportava, à terra onde tinha conta numa mercearia onde se abastecia do suficiente de carne e álcool de forma a conseguir aturar aquela escola demente, onde os pianos dançavam, as teclas dos dedos tacteavam melodias nas nuvens, onde as garças eram rapariguinhas escanzeladas ansiando pela adolescência. “Garanto-te, ali é tudo maluco!”, desabafava ela para a cerveja que, de tão sóbria, aguentava o seu marido de pé. “É mesmo tudo maluco. Olha, ainda hoje apanhei uma miúda que falta sempre às aulas só para ver as outras dançar. É como te digo, tudo do-i-do!”. Nessa altura, a cerveja já era outra mas percebia perfeitamente a conversa, tal havia sido o rigor com que a anterior a havia informado dos detalhes. Aliás, como toda a gente sabe, as cervejas são muito inteligentes. Constança)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que, de tão farta que estava daquilo tudo, só suspirava pela reforma, da mesma forma que havia suspirado pelo Alain Delon vinte anos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teresa, qual condenado de Alcatraz mas ainda com resquícios de um sorriso de horas, foi levada à directora da escola, da qual era impossível escapar. Muitos haviam tentado mas, segundo ainda hoje reza a lenda da escola, nenhum havia regressado para contar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A directora falava, mas Teresa não ouvia. A directora explicava, doutrinava, moralizava, mas Teresa não ouvia, os seus olhos ainda dançavam, seus ouvidos estavam tapados por milhares de colcheias, fusas, semi-fusas e outras coisas ainda mais estranhas que havia aprendido. Afinal de contas, Teresa voava com as garças.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3919875223794994143?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3919875223794994143/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3919875223794994143' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3919875223794994143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3919875223794994143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/10/as-garcas.html' title='As garças'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2894514592840535918</id><published>2009-10-01T20:18:00.006+01:00</published><updated>2009-10-02T20:13:06.089+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Tempos (modernos)</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca acerto o relógio da parede da cozinha (o único que tenho) quando, sazonal e inexoravelmente, aqueles senhores dos negócios e que vestem extremamente bem, mandam o povo mudar a hora para, assim, poderem brincar com o nosso dinheiro mais uma &lt;em&gt;horita&lt;/em&gt; todos os dias. Deve ser bastante divertido, portanto. Não acerto porque, logo à cabeça, sou genuína e geneticamente preguiçoso; mas, sobretudo, porque me dá um gozo bestial saber que, seis meses depois, a hora &lt;em&gt;remuda&lt;/em&gt; e lá vai o povo todo acertar outra vez os seus relógios - enquanto eu, automática e instantaneamente… &lt;em&gt;pim&lt;/em&gt;!, já saltei para o meridiano certo. Há quem me diga que eu não viajo no tempo e no espaço, que tenho um modo de ser infantil e parvo. Parvo? Então mas não viajo de borla? Hã? E para quem me chama infantil, arrumo logo com esta: “o teu Pai é um jacaré confuso!” &lt;em&gt;Pim&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há cerca de quinze dias estive, por obrigação – melhor, coacção - profissional, na apresentação pública de um Plano de Pormenor (um daqueles pretensos instrumentos de gestão territorial para que, normalmente, se está tudo nas tintas) em que, perante a população local e durante horas infindas, discursou, habitante a habitante, toda a população local, incluindo o Presidente da Câmara - que, quando se trata de um acto público antes de uma eleição, é sempre, também ele, um local, numa cena mimética do “&lt;em&gt;ich bin ein berliner&lt;/em&gt;” &lt;em&gt;kennediano&lt;/em&gt; -, um cão psicótico e uma humilde mas extraordinariamente sincera vedação em madeira. Para encerrar a sessão, falou a representante dos moradores da área do dito Plano que, depois de recordar que o processo tinha começado no início dos anos 80 com vista à legalização de suas casas – procedimento esse que seria expectável demorar, segundo a própria Câmara, um máximo de 6 meses… -, terminou o discurso pedindo um minuto de silêncio pelos moradores que haviam iniciado o Processo (sim, merece maiúscula!) mas que, com toda aquela demora, não chegaram vivos ao fim. Por outras palavras, tinham ido morar para (o) outro lado. Levantámo-nos todos com um ar &lt;em&gt;mui&lt;/em&gt; respeitoso – incluindo, claro, os tipos da Câmara, provavelmente já os filhos dos que entregaram aos moradores os primeiros quilos de minutas. Este acto fez-me logo lembrar o regresso dos soldados americanos mortos no Iraque e, em 22 segundos, já tinha concluído que se arrisca bastante mais a vida a tentar legalizar uma casa em Portugal do que indo dar tiros para o outro lado do Mundo. Aproveitei os restantes 38 segundos para ir à rua com o cão psicótico mijar na vedação sincera. Voltei. Aplaudi.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olá, tudo bem? Olha, desculpa telefonar-te a estas horas mas tenho uma má notícia para te dar. É sobre a tua mulher, parece que foi assaltada e lhe levaram tudo. Mas não te preocupes, deve estar bem.&lt;br /&gt;- Assaltada? Então e agora? BI, cartões… bem, tratar disso vai ser uma trabalheira absolutamente louca, com toda a burocracia que este país tem. E já estou mesmo a ver para quem vai sobrar… cá para o &lt;em&gt;je&lt;/em&gt;, está visto, é que é sempre a mesma choradeira – ah que não sei, ah que não tenho tempo, ah que confusão… ‘tou completamente lixado!&lt;br /&gt;- Bem, tu lá saberás. Só mais uma coisa: como amanhã é sábado e, mesmo que quisesses, não poderias ir tratar de nada, queres ir beber um copo?&lt;br /&gt;- Não posso, desculpa. No domingo a minha Mãe vai ser operada para lhe retirarem a dignidade humana e ainda me falta organizar os papéis do seguro.&lt;br /&gt;- Então e essa operação é arriscada?&lt;br /&gt;- Não, não há crise. É algo que, hoje em dia, está muito vulgarizado. Ainda por cima - não sei se sabes -, há cada vez mais pessoas que nascem já sem ela; é um sintoma da evolução da Humanidade, não te preocupes.&lt;br /&gt;- Espera aí… estão-me aqui a dizer que… eh pá, desculpa, há bocado percebi mal – a tua mulher não foi assaltada, foi… assassinada!&lt;br /&gt;- Espera aí! Então afinal não é preciso ir tratar dos cartões e do BI e disso tudo?&lt;br /&gt;- … não…&lt;br /&gt;- Eh pá, fixe, nem sabes o peso que me tiraste de cima, já me estava a ver a perder a semana toda em &lt;em&gt;guichets&lt;/em&gt; e repartições! Olha, falamos mais tarde, está bem? É que eu preciso de dormir mais um bocado.&lt;br /&gt;- Mas…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2894514592840535918?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2894514592840535918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2894514592840535918' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2894514592840535918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2894514592840535918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/10/tempos-modernos.html' title='Tempos (modernos)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2277989649491254317</id><published>2009-09-09T01:42:00.004+01:00</published><updated>2009-09-09T01:49:25.893+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Um isqueiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao tirar um livro da estante, sem querer fiz cair ao chão um isqueiro que estava – vá lá saber-se porquê – poisado nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o último resquício de ti – sim, era teu, tinha de ser que eu não fumo –, tu que não quiseste que eu ficasse com nada relacionado contigo, nem a mais leve recordação ou toque a desvanecer; tu que, imediatamente antes de partires, fizeste uma ronda pela casa, desinfectando-te dos móveis, dos objectos, das fotografias, das lembranças, do tempo, das imagens, dos prazeres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o isqueiro voava, lembrei-te na praia, em nudez de onda e maresia (está quase no chão), lembrei-nos no banco da frente do carro a fazer amor porque era urgente ou apenas porque sim (está quase, mas agora mesmo quase no chão), lembrei-me entrelaçado em teu corpo enquanto a noite, grávida de estrelas, surgia só e exclusivamente por ti (quase, quase, no chão) – lembrei, lembrei tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, finalmente, o isqueiro caiu, apanhei apenas o barulho. Quanto ao isqueiro, deixei-o no chão para que, no dia seguinte, inadvertidamente, tropeçasse em ti. E te dissesse que ainda te amo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2277989649491254317?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2277989649491254317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2277989649491254317' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2277989649491254317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2277989649491254317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/09/um-isqueiro.html' title='Um isqueiro'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7915469396745688119</id><published>2009-08-02T13:58:00.000+01:00</published><updated>2009-08-02T14:02:12.554+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Uma morte única</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Podia dizer que foste a minha melhor morte. Podia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que já morri pelas noites de Lisboa em ataques de coração rasgado, já me engasguei à porta dos desejos asfixiando-me de branco, já tropecei em saudades esvaindo-me em mim num qualquer ombro abandonado, já fiquei esmagado pela queda dos anjos mortos pela espera de alguém – mas, confesso, nunca me tinha acontecido nada assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora morri enquanto amava, morri ao tanto te querer, morri por rastejar no pó de estrelas que esvoaça pelo cheiro dos teus cabelos, envenenando-me de ti, morrendo mais e mais ainda a apertar-te a mão, tua mão de mundos e de guerras perdidas – tu que me viste como sou, carne e podre, olhos e cegueira, sede de ti e de todas as outras outras e outras fontes por criar e mais outras ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia também dizer que, ao fazer a barba de manhã, estava com uma erecção estuporada – mas a culpa não era tua, apenas de não ter mijado. Por isso é que nunca nos entendemos – é que eu podia dizer Isto e Aquilo e depois, armado em parvo, dizer Coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas – deixa - não digo nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero-te, apenas, no Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Meu amor.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7915469396745688119?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7915469396745688119/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7915469396745688119' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7915469396745688119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7915469396745688119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/08/uma-morte-unica.html' title='Uma morte única'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7576750534472690086</id><published>2009-07-26T18:57:00.003+01:00</published><updated>2009-07-26T19:09:33.448+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reabertura'/><title type='text'>Reabertura a 1 de Agosto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por forma a tentar contribuir, modestamente que seja, para a &lt;em&gt;silly season&lt;/em&gt; que se aproxima, esta toca reabre a 1 de Agosto com gerência renovada. Enfim, renovada, renovada, não será, mas faz-se por isso. Mais importante ainda: conforme os gostos, vai haver fêveras ou febras na inauguração. Não sabemos é onde… Ah, já sabemos! – é na inauguração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gerência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo tipo mas em melhor estado de conservação (será?)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7576750534472690086?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7576750534472690086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7576750534472690086' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7576750534472690086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7576750534472690086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/07/reabertura-1-de-agosto.html' title='Reabertura a 1 de Agosto'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3405887244579204003</id><published>2009-06-08T17:15:00.001+01:00</published><updated>2009-06-08T17:17:13.099+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fim'/><title type='text'>FIM</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já aqui escrevi sobre amores e desamores, sobre Isto, Aquilo e Coisas. Feita uma estatística, constato que já gastei cerca de 27% de todas as palavras do dicionário. O que não é nada mau, tanto mais que sobram muitas ainda intactas - mas a verdade é que já não me apetece brincar com elas. Nem sequer com as já gastas, ainda assim em muito bom estado. Com nenhumas, ponto. E pronto; deixou de me ser possível usá-las – até dizê-las -, escrevê-las. Por mais que me esforce e tente e tente ainda outra vez. Por isso, acabou-se. &lt;em&gt;Pim&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou-se - ao ter-me sido arrancado à alma e ao corpo o que me restava de felicidade ou, no mínimo, o que me permitia continuar a sonhar com ela como um direito básico, fazendo com que tivesse vontade de me levantar, respirar e, consequentemente, escrever. E sentir alguma coisa, o que hoje claramente não consigo, à conta deste limão enorme que teima em espremer-me dentro de mim. Aliás, como terão constatado ultimamente, esta "toca" andava forrada de silêncio, apesar de uns disfarces mal amanhados. Por tudo isto e porque a agonia foi feita para ser vivida só, resolvi confessar-vos que acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pim&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3405887244579204003?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3405887244579204003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3405887244579204003' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3405887244579204003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3405887244579204003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/06/fim.html' title='FIM'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6724655280223711931</id><published>2009-05-18T00:14:00.001+01:00</published><updated>2009-05-18T00:17:04.238+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Avé Sofia!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Avé Sofia!&lt;br /&gt;- Sofia? Estás parvo ou quê? Não é "Sofia" coisíssima nenhuma!&lt;br /&gt;- Já sei, Vanessa Soraia! É isso! Avé Vanessa Soraia!&lt;br /&gt;- Quais “Vanessa Soraia” quais quê, pá! Vanessa Soraia é aquela &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt;, a que é amiga do teu primo, não te lembras?&lt;br /&gt;- Ai a chatice… Então mas diz lá tu, ó Sr. Cultura: é “Avé” o quê?&lt;br /&gt;- Também não me lembro, desculpa, talvez… Avé Ermenengarda?&lt;br /&gt;- Eh pá, estás parvo de todo – assim é que não é de certeza! Mas, realmente, não estou a ver…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calem-se os dois, suas bestas! Não sabem, sequer, como eu me chamo, seus ignorantes? O nome é &lt;em&gt;Caesar&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Gaius Julius Caesar&lt;/em&gt;, ou apenas “César” para os amigos! - Esclareceu, indignado, o Imperador, enquanto dava um último retoque na maquilhagem – um pouco de &lt;em&gt;rímel&lt;/em&gt; vindo da Gália e um &lt;em&gt;blush pesseguinho&lt;/em&gt; oriundo de Alexandria -, antes de se sentar no melhor lugar do &lt;em&gt;Coliseum&lt;/em&gt; – ou apenas “Coliseu” para os amigos -, onde iria assistir, deliciado, a mais um leonino devorar da ignorância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6724655280223711931?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6724655280223711931/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6724655280223711931' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6724655280223711931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6724655280223711931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/05/ave-sofia.html' title='Avé Sofia!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5226661758418904439</id><published>2009-05-12T21:12:00.001+01:00</published><updated>2009-05-12T21:15:40.297+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Catânia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Obrigada, gostei do almoço. Temos que repetir. - Foi tudo o que ela lhe disse na despedida. Mas a ele soube-lhe a muito mais que isso, quase a música, quase a beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava ali de passagem. Sentara-se naquela solarenga esplanada siciliana, cansado do que já percorrera a pé nas obrigatórias voltas turísticas que havia a dar - incluindo, até, um sentido cumprimento ao pobre do elefante que alguma mafiosa bruxa transformara em fonte. O Etna estava bem disposto, nem uma faísca, o mar tão calmo quanto sempre, nem uma mais pequena onda. Começou a aquecer ao sol, qual lagarto mas de sangue ainda quente (por quanto tempo?). E estava com fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chegara. Disfarçada de anjo por sua vez disfarçado de mulher, ainda pingando beleza e cheiro de céu, sentou-se. Olharam-se. Já se haviam cruzado, já se haviam falado, ela morava próximo do hotel onde ele estava hospedado e, evidentemente, desde a primeira vez em que a vira, sabia perfeitamente que nunca seria possível esquecê-la. E sem que tivesse percebido muito bem como, haviam combinado encontrar-se naquela tarde, mas nada de especialmente concreto. (Como é que teria ela descoberto que ele estava ali?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Almoçamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha idade para ser filha dele - mas provocava-lhe todos aqueles estranhos sentimentos que reexperienciava de novo, relembrando todas aquelas inexplicáveis voltas de estômago e coração, depois dum interregno de muitos, infindos anos. Mas, precisamente pelo tanto que dela ia gostando, respeitava essa diferença, queria que se mantivessem intactos todos os destinos que ela ainda teria a percorrer, que toda a vida que ela transportava e derramava pelo ventre e pelos olhos continuasse à prova dele, que todo o tempo que o mundo lhe havia ainda reservado - com todos os momentos cheios de desilusões e felicidades e gritos e lágrimas, com todos os momentos cheios que ela ainda teria pela sua frente -, fosse dela, apenas dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já escolheu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, apesar de ser tudo o que ele mais desejava e por mais subjugado que se sentisse pelo que ela o atraia, não queria &lt;em&gt;atrapalhar&lt;/em&gt;, mexer na vida dela. Por isso não fez quaisquer avanços nem jogadas estudadas e treinadas ao longo de anos, limitando-se somente a deixar o tempo fluir, embalado pela brisa que lhes soprava o sol para os corpos. E quão sublime era o dela, transbordante daquele pulsar de vida que só os jovens têm, corpo integralmente concebido a partir dos seus excelsos azuis olhos de fonte. E quando ela ria... por vezes, eles choravam uma alegria até ali guardada – quem sabe? – só e exclusivamente para aquele momento, os contornos de pintura clássica de seus lábios tomavam forma de pássaros que esvoaçavam desejos pelo ar, os seus dedos – que ele tanto queria, apenas e só, tocar, nunca o tentando sequer – iam, delicada e periodicamente, provar suas lágrimas de arco-íris. E ela ria. E era ele que a fazia rir. Perfeição. Perfeição é deixarmo-nos levar pelo riso. Perfeição era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cozinham mesmo bem aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deliciava-se a olhá-la. Ouvia cada palavra que ela lhe dava, descascando-a completamente de sentido para poder, somente, inebriar-se com o tom suave e o ritmo lento que dentro transportava, sincopando cada frase que ela melodiava. E as palavras assim desnudas traziam, por sua vez e em cada breve instante de uma sílaba, o efémero sonho de um afecto que, um dia, poderia ter dela, mesmo sabendo que tal nunca sucederia, já que não só ele nada faria para que tal acontecesse como também seus mundos paralelos nunca se tocariam - tal qual eles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobremesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consequentemente - ele sabia-o de há muito -, seria sempre um amor impossível. Também por isso ou talvez apenas por isso, estava completamente despreocupado, deleitando-se, apenas, com aqueles sublimes instantes em que a saboreava, por toda aquela beleza imensa, por toda a sua juventude, crepitante, abrupta, selvagem, de desejos e utopias – ou, por vezes, tão só de disparates, à luz do olhar mais desgastado dele. Mas linda que ela ficava em cada rubor que lhe surgia, fruto do seu entusiasmo com a vida, com os sonhos em que, inocentemente, acreditava como planos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio o empregado com a conta, vieram os mundos paralelos com a realidade. Era o exacto tempo de seguirem os seus caminhos. Distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, gostei do almoço. Temos que repetir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não repetiram. Enquanto os passos dela, afastando-se na calçada, ecoavam dentro dele como um &lt;em&gt;réquiem&lt;/em&gt; estranhamente alegre, tudo o que ele mais desejava era que se encontrassem de novo. Mas, justamente por isso, pelo que sentia por ela, não queria tocar-lhe (“quando se toca as asas de uma borboleta ela deixa de voar”, pensou), não queria - conforme já estava farto de remoer - alterar-lhe nem o rumo nem, sequer, os tempos certos de cada pedaço de vida que ela haveria de trincar e longamente abençoar. É que, sem que ela soubesse nem que ele lhe desse a entender, amava-a à sua estranha maneira. Ou seja, clandestinamente. Em sabores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Ciao&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Gostei de ti”, foi a última coisa que ele pensou antes de reentrar para a camioneta de turismo. Ao longe, o mar continuava calmo e o Etna adormecido. Ela também continuava. Linda. Para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5226661758418904439?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5226661758418904439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5226661758418904439' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5226661758418904439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5226661758418904439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/05/catania.html' title='Catânia'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1527562357152541985</id><published>2009-05-01T11:47:00.003+01:00</published><updated>2009-05-01T12:00:00.091+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Pastar caracóis no Sara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Circulam pelos jornais e pelos blogues textos inflamados em defesa de um senhor cujo único objectivo de vida é, disfarçado de &lt;em&gt;opinador&lt;/em&gt; (no caso, provavelmente da família de “ópio”, não de “opinião”), insultar os outros, criando “sound bytes” de trocadilho fácil, dizendo alarvidades com ar letrado, possivelmente achando que assim demonstra a sua “independência”, a sua “superioridade moral”, ou o “sou muito macho e dou porrada neles”. Pessoalmente, já tive a impagável experiência de trocar &lt;em&gt;e-mails&lt;/em&gt; com esse senhor, a propósito de um seu artigo que continha inúmeras imprecisões e mentiras referentes à minha profissão (sempre escritas com um ar de profundo conhecedor do assunto...) e que afectavam e alteravam directa e completamente as conclusões que tirava – conclusões essas que, claro, serviam apenas e só para injuriar alguém, como é seu hábito compulsivo. Inevitavelmente, essa correspondência terminou com a referida criatura a insultar-me gratuitamente quando se lhe acabaram os argumentos. Porque argumento, argumento, é coisa que lhe falta – ao que parece os (já de si poucos) neurónios que tratavam da argumentação foram desviados para o insulto. Claro está que a conversa ficou por aí, tendo eu na altura posto a hipótese de o processar. Como, aí sim, seria “David contra Golias”, desisti da ideia. Confesso que, agora, acho que fiz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas adiante. Como, na minha opinião, já ultrapassa das marcas toda esta onda populista e absurda de defesa desse escriba alarve, resolvi transcrever aqui parte de um artigo de Miguel Sousa Tavares - que, como é evidente, é perfeitamente insuspeito não só em relação a Sócrates como, principalmente, no que toca à liberdade de imprensa. É que, como “a mentira voa e a verdade coxeia”, mais vale parar um pouco, pensar, e concluirmos algo por nós próprios a partir dos factos, do que, ao invés, nos entretermos a esvoaçar com as palavras e mentiras fáceis de alguém que, por lhe darem espaço num jornal, julga que tem importância e relevância muito superiores à sua pequenez de espírito. Mas atentem, então, nas palavras abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há um tipo - que tem o mesmo apelido que eu e que escreve semanalmente no "DN", onde se especializou na ofensa fácil - que escreveu que Sócrates falar de moral é o mesmo que Cicciolina falar de virtude, ou coisa que o valha. O cidadão José Sócrates, sentindo-se ofendido (como qualquer um de nós se sentiria), põe um processo ao ofensor. Tem esse direito? Não: é o primeiro-ministro a intimidar um 'jornalista'. E o 'jornalista' vira mártir da liberdade de imprensa na praça pública. Fala-se em "ameaças intoleráveis", da liberdade em risco, da heróica e antiquíssima luta da imprensa contra o poder, do "jornalismo de investigação" contra as pressões políticas. Liberdade? De imprensa? Ora, vão pastar caracóis para o Sara!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os meus respeitosos cumprimentos ao “jornalista” sr. João Miguel Tavares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1527562357152541985?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1527562357152541985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1527562357152541985' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1527562357152541985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1527562357152541985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/05/pastar-caracois-no-sara.html' title='Pastar caracóis no Sara'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2103232108983209741</id><published>2009-04-15T11:17:00.001+01:00</published><updated>2009-04-15T11:18:49.354+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O homem do costume</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi o mesmo homem do costume que desceu para beber, como de costume fazia nas noites de 28 de Fevereiro, vindo directo da lua vermelha da sede. Aterrou no podre bar do costume, situado na estranha esquina entre a saudade e a solidão, e pediu bruscamente uma garrafa da marca do costume - como quem entra de rompante nas urgências de um hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As horas passavam sem passar o tempo. Contrariamente às memórias que o carcomiam, o álcool ainda sucumbia à mansidão sem se tornar na eficaz ajuda do costume – excepto, talvez, no pequeno detalhe de, ao cada vez balbuciar pior as palavras, se ir alimentando delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo, originando o pecado pelo qual todos pagamos. Paraíso mas é a merda! Maldito seja.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele só queria que os céus berrassem, e que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas, e que tudo isso o lavasse da dor, que a levasse, que tudo o que ele tocasse não doesse nem ficasse tingido dela, da sua recordação daquele dia, daquele preciso dia 28 de Fevereiro de 1959, daquelas precisas quatro da manhã, daquela precisa rua em que sua filha morrera atropelada por entre gritos e travagens, quando as lágrimas ficaram vermelhas de sangue, e a noite se fez vermelha de dor, e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas de raiva, e tragam mais outra garrafa e mais uma frase qualquer alguém que fale de futebol alguém que me diga que ainda há palavras doces e baboseiras mas falem entonteçam-me dancem maus hálitos à minha volta gritem! Qualquer coisa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Lembro-me de ainda ter tentado sobreviver – peguei no meu coração e caminhei até ao bosque. Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra. Depois as árvores, os animais, os sons, os cheiros, tudo ficou vermelho. No céu podia tecer uma nuvem toda negra, que vomitasse basaltos, lavrasse lutos e pintasse noites que, mesmo assim, tudo estaria vermelho. Então soube-me morto.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bebeu mais uma e outra e mais outra ainda. Foi-se embora. Em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que era costume, depois desse dia nunca mais ninguém o viu. Na certidão de óbito escreveram a sua data de nascimento, todos os dados considerados relevantes desde a infância e que havia morrido em coma alcoólico. Na linha correspondente aos sinais particulares anotaram: “sorriso absurdo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(“Beijei a Morte. Depois levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho. Como o estranho lugar para onde regresso, como de costume. Mas hoje para ficar.”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na lua de novo branca, sua filha escreveu, simplesmente, o nome dele. Com três letras. Como em “Pai”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nota: Este texto foi escrito a partir do poema de Herberto Hélder “Se houvesse degraus na terra…”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2103232108983209741?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2103232108983209741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2103232108983209741' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2103232108983209741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2103232108983209741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/04/o-homem-do-costume.html' title='O homem do costume'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-600299107805239668</id><published>2009-04-10T16:38:00.005+01:00</published><updated>2009-04-11T13:06:49.618+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>G-20</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava o G-20 posto em sossego, quando alguém perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e o Zé António?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Perplexidade. Desmaios. E o Zé António? Esqueceram-se todos dele? Então… mas ninguém se lembrou da importância decisiva do Zé António? Como é que isto foi possível?! Liguem já ao Zé António! Imediatamente!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estava Zé António posto em sossego quando lhe telefonaram a pedir – melhor, implorar – para se juntar à cimeira do G-20, de forma a iluminá-los no modo como haveria de ser resolvida a crise económica mundial; e, já agora, a paz universal e os problemas intestinais de Luís Freitas Lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé António limitou-se a arrotar. Mas o Mundo estremeceu e parou. Todos meditaram profunda e profusamente na resposta. Finalmente, os mais próximos concluíram que o bacalhau quer alho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o Vaticano achou que isso significava que em África era estúpido usar preservativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o Pentágono concluiu que ele teria sugerido que o melhor seria bombardear qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o FMI deduziu que as taxas de lucro deveriam ser ainda maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Em Delphos, a Pitonisa suicidou-se.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;III &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava Inês posta em sossego quando apareceu um poeta, falando-lhe em Fortuna. Ela abateu-o com uma G-3, voltou-se para o outro lado, abraçou Zé António e adormeceu. Durante exactamente 20 minutos. Até ele lhe ter descoberto o ponto "G".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-600299107805239668?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/600299107805239668/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=600299107805239668' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/600299107805239668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/600299107805239668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/04/g-20.html' title='G-20'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6329926708751857921</id><published>2009-04-08T12:07:00.001+01:00</published><updated>2009-04-08T12:09:56.489+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Sincera... mente!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O corpo, morto, era o da sua mãe. E a mão, com sangue e pistola, era a sua. A cabeça, sem cabelos mas com enxada, era a de seu pai. E a perna de pau, com vomitado e caruncho, era a do mordomo. O pescoço, de cor meio arroxeada, era da tia que, há trinta anos atrás, havia fugido durante oito meses com o malabarista de um circo itinerante (mas que regressara mais virgem que nunca). E o fígado, na quarta gaveta do móvel da entrada, era o do jardineiro. O cérebro esborrachado no tapete, ainda com lama das trincheiras da I Grande Guerra, era o do avô. E a boca, com telefone acoplado, era a do talhante do rés-do-chão. O pé, estranhamente com unhas pintadas, era do cromo de matemática que sempre lhe atrapalhara os sonhos eróticos. E a nádega era de quem a apanhasse. Para além disso tudo, e indiscriminadamente espalhadas por toda a casa, partes de corpo ensanguentadas, esfaqueadas, arrancadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas antes, no mesmo local, decorria um animado jantar de reencontro de antigos colegas de faculdade, em que a maioria já não se via desde a época das flores no cabelo, das drogas duras, leves e moles, dos grandes ideais, das canções do Bob Dylan antes de se saber que era accionista de uma fábrica de material de guerra, do salvem as baleias e as formigas e o lince zarolho de Almada, do amor universal e mais além ainda, das danças índias com letra “no rain”, e de tudo o mais que formou os anos 60.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, generosa e ingenuamente, havia disponibilizado a sua casa para a festa – e parecia que tudo estava a correr bastante bem, até que alguém disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabem que eu e a minha mulher ainda mantemos uma relação aberta, tendo sexo com quem quisermos, e contando tudo um ao outro? Por exemplo, ainda ontem dormi com a nossa cozinheira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, tinhas-te esquecido de me contar, querido, mas não faz mal. Por acaso também me esqueci de te dizer que, na semana passada, estive numa orgia ucraniana. Ah, e em Fevereiro foi com a Banda Filarmónica de Mondim de Basto. – Contrapôs a mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que, a seguir, todos os presentes, contagiados pela sinceridade, dormentes do champanhe, anestesiados pela nostalgia, começaram, sempre com um sorriso nos lábios, a abrir o coração uns aos outros, numa indescritível catarse colectiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a polícia chegou ao local, só conseguiu formar o &lt;em&gt;puzzle&lt;/em&gt; de meia dúzia de corpos, tal era a confusão e a carnificina. Curiosamente, até o gato tinha um buraco de bala bem no meio da testa, consequência de, após dois golos clandestinos de ponche, ter confessado que, na véspera, havia ido para os copos com uma ratazana de esgoto transbordante de sensualidade.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6329926708751857921?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6329926708751857921/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6329926708751857921' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6329926708751857921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6329926708751857921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/04/sincera-mente.html' title='Sincera... mente!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8367813773315336762</id><published>2009-03-25T11:23:00.003+01:00</published><updated>2009-03-25T11:29:59.466+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Um telefonema de Sócrates a Deus (através do Magalhães, claro!)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando Sócrates pensa em Deus, pensa em hotéis de charme.&lt;br /&gt;Quando Deus pensa em Sócrates, pensa “chiça!”&lt;br /&gt;No entanto, falam-se. Confuso?&lt;br /&gt;Bom. Após este importantíssimo e indispensável preâmbulo, há apenas a referir que o que se segue não é mais que a transcrição de um diálogo entre ambos, apenas possível de reproduzir não só porque não estamos em cativeiro como, também, porque esta escuta em particular não teve qualquer interesse para o caso “Apito Dourado”. Ah, e porque, como é evidente, sou menino de vasculhar o lixo dos outros – aliás, foi assim que conheci a minha primeira namorada. E a segunda. E uma ratazana. Ah, que ratazana… tinha cá umas… enfim, adiante. Citemos, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, Dr. Deus, tudo bem?&lt;br /&gt;- Tudo. Então, ligas porquê?&lt;br /&gt;- Para já porque és tu a pagar, pois estou a telefonar à cobrança para não aumentar a despesa pública. Em segundo…&lt;br /&gt;- ‘Pera aí! Sou eu quem está a pagar?!&lt;br /&gt;- Sim, és. E então, qual é o problema? Deixa mas é de ser forreta que tu vives aí de borla, num apartamento com uma vista privilegiada sobre o Inferno e, ainda por cima, comprado a um preço muito inferior ao que pagou o teu vizinho do lado!&lt;br /&gt;- Bom, está bem, por esta passa – mas só porque eu estou com pressa por ter um santo ao lume. Diz lá rapidamente o que é que queres, vá, despacha-te.&lt;br /&gt;- Olha, dava-me jeito que o &lt;em&gt;deficit&lt;/em&gt; não ultrapassasse os 20%. É que este ano vai haver eleições e isto só lá vai com um milagre. Achas que me poderás ajudar?&lt;br /&gt;- Não sei, respondo-te depois. Por anjo-correio.&lt;br /&gt;- “Anjo-correio”? Queres dizer “pombo-correio”, não é?&lt;br /&gt;- Não, por aqui os pombos são usados apenas para reprodução, como fiz com o meu filho. “Anjo-correio”, disse bem.&lt;br /&gt;- Ouve lá, estás a brincar comigo, não estás?&lt;br /&gt;- Estou, claro. Respondo-te e é já: da maneira que isso anda, nem com milagres! Esquece.&lt;br /&gt;- Então e se eu te desse algo em troca, reconsiderarias?&lt;br /&gt;- Depende. O que é que tens para me dar? Olha, só se me arranjares umas virgens, que isto anda mau à conta dos palermas dos muçulmanos, que andam para aí a fazer-se explodir em tudo o que é sítio e eu tenho de arranjar 70 para cada um que chega… e, só nos últimos anos, entraram mais de 10.000. Acho até que vou ter de despedir o S. Pedro – que deixa entrar toda a gente - e contratar um armário de discoteca!&lt;br /&gt;- Já sei, dou-te o Manuel Alegre, que é uma virgem ofendida e diz que representa um milhão.&lt;br /&gt;- Um milhão? Não achas isso um exagero por uma Helena Roseta de calças?&lt;br /&gt;- Eh pá, se quiseres até te mando de bónus a própria Helena Roseta de barbas, mas leva-me lá esse tipo que já estou completamente farto dele - é que o fulaninho nem sequer aceita ser deputado europeu, que é a minha versão Armani dos Goulags! Então, aceitas este &lt;em&gt;subornozito&lt;/em&gt; ou não?&lt;br /&gt;- Aceitar aceito, mas vê lá se cumpres a tua parte, que não estou para ser enganado. É que eu também vejo televisão – principalmente programas sobre confecção de caracóis e &lt;em&gt;bricolage&lt;/em&gt;, reconheço – e parece-me que às vezes te metes numas trapalhadas valentes, como com aquela história do Freeport!&lt;br /&gt;- Mas ainda não percebeste que, quando eles me perguntam sobre o Freeport, eu respondo sobre o Freepor? Assim nunca minto, entendes? Estou mesmo a ver que nunca tiveste “Inglês Técnico”… Bom, mas então fica assim: eu envio-te o Manuel Alegre representando - já com um desconto especial que eu faço só para ti - 150.000 virgens para compensar as que perdeste e, em troca, tu tratas de pôr o &lt;em&gt;deficit&lt;/em&gt; em 19,99%. Combinado?&lt;br /&gt;- Está bem, combinado. Mas… espera lá. Se eu perdi 700.000 virgens, como é que 150.000 me podem chegar?&lt;br /&gt;- Pensa um pouco: se não contares com as que perdeste, ficas a ganhar 150.000, percebes? Acredita em mim, já testei esta metodologia em Portugal e resulta na perfeição.&lt;br /&gt;- Bom, mas quero mais uma coisa: um produto para me escurecer as sobrancelhas.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Hã&lt;/em&gt;??&lt;br /&gt;- Sim, e qual é o problema? Não és tu que, aparte os bonecos da Disney, és o exemplo acabado de uma imagem animada?&lt;br /&gt;- Está certo, tens razão. Olha, só mais uma coisa antes de desligar: queres algum conselho meu sobre como é que hás-de gerir as coisas por aí? Estás à vontade! É que eu já reformei o Estado, a Segurança Social, tratei da disfunção eréctil, resolvi todos os problemas socioeconómicos, erradiquei a pobreza, acabei com o pé-de-atleta, baixei a Euribor, ganhei as eleições de 2013 e muito mais. Por isso, já sabes: podes contar comigo para te ajudar em qualquer coisa que queiras.&lt;br /&gt;- Eh pá, desculpa que te diga, mas estás cada vez mais arrogante e convencido. Meu Deus…&lt;br /&gt;- Convencido, eu?! Olha, só para te desmentir, esquece essa última formalidade e passa a tratar-me apenas por Sócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gravação ficou por aqui, porque Deus (o que – dizem - anda lá por cima) desligou o telefone a Sócrates (o que – dizem – anda cá por baixo). Por puro bom-senso. Coisa que – digo eu - por cá vai faltando…&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8367813773315336762?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8367813773315336762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8367813773315336762' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8367813773315336762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8367813773315336762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/03/um-telefonema-de-socrates-deus-atraves.html' title='Um telefonema de Sócrates a Deus (através do Magalhães, claro!)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8078661706625499350</id><published>2009-03-18T16:43:00.003+01:00</published><updated>2009-03-18T16:52:49.765+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Mêsturbário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Janeiro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ressaca do ano anterior, ressaca da garrafa anterior, arrasta-se penosamente até ao mês seguinte, qual moribundo em campo de batalha, acreditando que a reencarnação é possível. (Talvez seja, mas abdicando da forma de mês, passando a corporizar-se apenas num sável. Preferencialmente grelhado, &lt;em&gt;à conta&lt;/em&gt; do colesterol. Por causa das rabanadas de Dezembro. E assim.)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Fevereiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mês instável, incerto, inseguro, no fundo mês &lt;em&gt;in&lt;/em&gt;. «Será que acabei? Tão cedo? E para o ano, a mesma graça? Será que poderei implorar mais um dia?» Enfim, quem quer que decida, o facto é que só o atende de quatro em quatro anos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Março&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;As vacas dão lã, os pássaros limpam o estrume com vassouras afiadas, os cavalos voam com asas enceradas pela brisa - até a cantora careca encanta. Enfim, com o cheiro a Primavera, tudo é possível. Mesmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Abril&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Chegam as últimas chuvas, as de compreensão lenta – disfarçadas de “ah e tal o quê já não estamos no Inverno?” E as primeiras mentiras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Maio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os trabalhadores não tomam o poder porque estão demasiado ocupados a fazer manifestações contra o poder instituído. Ou ginástica no INATEL.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Junho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A temperatura faz valsas, a humidade perde-se pelo ar… e quando é que alguém grita que não é essa a mudança que quer?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Julho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Sol disfarça-se de deus egípcio, rodopia pelos ombros, vai, vem, esquece e relembra. Os amantes suam e sabem bem dos corpos. E os corpos sabem bem. Sabem a amantes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Agosto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O tempo permanece parado à sombra de uma árvore sequiosa de um tempo sem tempo, sequer, para a sede. A cidade também pára, à mercê de uma outra sede qualquer. A pele estorrica. Fervilha. Homens e mulheres, sonâmbulos de vida, buscam as fontes. As fontes, convencidas, escondem-se nas suas próprias silhuetas. Claro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Setembro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Começa a arrefecer e os signos ressurgem de estranhos hímenes, religiosa e estranhamente guardados pelo Verão. As flores, ainda mais estranhamente, recusam ser regadas. Na escola, os contínuos estremecem. A Torre Eiffel, por seu lado, continua a descolar do frigorífico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Outubro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Folhas. Mais folhas. Ainda mais folhas. De onde virão? De árvores que não admitem envelhecer? De um outro Verão, mais que morto, após séculos de pneumonia? Se calhar sobram, apenas, de uns estranhos versos melancólicos, versão erudita das cólicas de um rei que nunca virá, como que um D. Sebastião dos bêbados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Novembro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vertigem do fim, desespero de medianos, não é carne nem peixe – pior, é uma espécie de marisco podre a tentar sobreviver no mar dos sargaços.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Dezembro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Árvores abatidas por uma depressão em que não há Freud nem Jung nem, sequer, uma estranha luta de classes entre a turística e a executiva que as safe – só mesmo lenhadores experientes, que lhes cortem apenas as pontas, quais barbeiros sem Parkinson. E sem barbaridade. Ah, e nasceu o Cristo em Pombal! (Ou terá sido em Pádua?)&lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8078661706625499350?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8078661706625499350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8078661706625499350' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8078661706625499350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8078661706625499350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/03/mesturbario.html' title='Mêsturbário'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5238815958676705035</id><published>2009-03-11T16:49:00.001+01:00</published><updated>2009-03-11T16:50:47.935+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>(Des)Graças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Estava aqui o vinho para a festa. O que é isto?!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Água. Sim, fiz um milagre! – respondeu, simultaneamente chorando e rindo, enquanto abraçava e beijava Judas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com gracinhas destas… crucificaram-no!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5238815958676705035?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5238815958676705035/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5238815958676705035' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5238815958676705035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5238815958676705035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/03/desgracas.html' title='(Des)Graças'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5108435385329282085</id><published>2009-02-24T20:27:00.001+01:00</published><updated>2009-02-24T20:29:29.316+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>O amor tem destas coisas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O amor tem destas coisas: por vezes acaba, morre, &lt;em&gt;pim&lt;/em&gt;. Mas depois, estranhamente, renasce das cinzas de um outro amor que ardeu demais, ao ponto de queimar os olhos, doer ao toque. Renasce, simplesmente renasce, com canto de pássaro e volúpia no riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apesar de saber que assim é, até agora eu carregava e alimentava os meus medos de sempre, que me impediam de partilhar a minha vida, de me aproximar de alguém e sentir o hálito dos corpos, o hábito da pele, o tempo demorado de um olhar cúmplice. Temia que me doesse tudo, ao passar pelas dores de parto de um novo amor. Melhor - destilava medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi agora mesmo, aqui, que tudo mudou. Na calmaria de um lento olhar sobre o ondulado reflexo das estrelas no rio, no preciso ponto onde um barco de sonhos encalhou às tuas mãos pequenas – mas enormes de mundos –, eu vi o amor renascer, tão precioso e último quanto o primeiro, erguido dos cinzentos temores que eu arrastava, agrilhoados ao sangue e aos passos. E ao vê-lo assim, puro de água aos meus olhos cansados, rasguei o peito dos medos, fiz o corpo à entrega, os lábios a ti e, num instante que velarei para sempre, trocámos de almas, num beijo que esvoaçou melodias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, agora mesmo, aqui, que nos coroámos amantes eternos, sei que para sempre transportaremos o sabor um do outro aos ombros, atravessando juntos todos os risos, todos os rios, todas as dores e todos os medos das nossas vidas, até que não me seja concedido nada mais que um beijo de despedida, num último desejo de um condenado a paixão perpétua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apaixonei-me, sim apaixonei-me, agora mesmo, aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sorrio. Felizmente, o que sempre temera acabara de acontecer.)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5108435385329282085?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5108435385329282085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5108435385329282085' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5108435385329282085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5108435385329282085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/02/o-amor-tem-destas-coisas.html' title='O amor tem destas coisas'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1322667783824495315</id><published>2009-02-10T11:27:00.001+01:00</published><updated>2009-02-10T11:30:38.794+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Superstição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes de sair de casa, ela cumpriu com todos os seus rituais costumeiros: regou o trevo de quatro folhas com a água benta &lt;em&gt;fanada&lt;/em&gt; na igreja do bairro, espalhou dentes de alho pelas várias divisões como se de &lt;em&gt;Haze Alfazema&lt;/em&gt; se tratasse, recitou umas quantas rezas ensinadas pelo Professor Ketanga e, para que a sorte não a abandonasse no emprego, guardou na mala um termo cheio de chá feito com umas ervas místicas (ou míticas, não se lembrava bem) vindas das profundezas do Brasil – chá esse que beberia de duas em duas horas, de forma a que, adicionalmente, lhe provocasse uma belíssima e sempre agradável limpeza intestinal. Colocou também na mala a sua inseparável ferradura, benzeu-se sete vezes e, finalmente, saiu para a rua sentindo-se completamente protegida. Sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal pisou o passeio, um gato preto atravessou-se-lhe pela frente. Qual Texas Kid, com uma mão despejou-lhe em cima o chá ainda a ferver e, com a outra, atirou-lhe a ferradura à cabeça, fazendo com que o crânio do animal desse todo um novo colorido e significado à palavra &lt;em&gt;puzzle&lt;/em&gt; – que, aliás e curiosamente, tem a tradução de “quebra-cabeças”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que, de facto, gato preto dá azar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao gato.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1322667783824495315?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1322667783824495315/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1322667783824495315' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1322667783824495315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1322667783824495315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/02/supersticao.html' title='Superstição'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7598417613624620690</id><published>2009-02-01T13:39:00.003+01:00</published><updated>2009-02-04T12:47:16.674+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Desencontros (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando ele chegou à sua beira e lhe disse, em tom baixo e terno, que a amava pelo que realmente ela era por dentro, independentemente do seu físico, ficou petrificada. Tantos anos a cuidar-se – ginásios, dietas, esteticistas, sofrimentos, sacrifícios – para conseguir aquele corpo escultural, atingindo um ponto de deslumbramento tal que até os reis do piropo, os operários da construção civil, de tão boquiabertos que ficavam, não lhe conseguiam, sequer, assobiar dos andaimes, e aquele camelo a borrifar-se assim, numa obra de arte - sim, porque era de arte que se tratava - que tanto trabalho lhe havia dado a criar. Não podia ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estás a brincar, não estás? – perguntou, com uma réstia de esperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, meu amor, não estou. É isso mesmo que eu sinto, querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele acabava de sorrir docemente, ela flectiu ligeiramente os joelhos, saltou, já no ar esticou a perna, e aterrou no queixo dele com o pé direito à frente, num poderoso e muito treinado golpe de "kung-fu". Enquanto ele, dolorosamente e ainda estonteado, se tentava levantar, ela arrancou furiosamente umas quantas pedras da calçada e começou a atirar-lhas - com grande garbo, diga-se -, enquanto ele fugia a sete pés, tentando salvar-se daquela imensa chuva de granizo calcário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maricas, é o que tu és! A fugir dessa maneira! Maricas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem se dar conta, ela havia acertado – de facto, ele só tentava arranjar uma maneira suave de lhe confessar que, afinal, era homossexual… &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7598417613624620690?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7598417613624620690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7598417613624620690' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7598417613624620690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7598417613624620690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/02/desencontros-i.html' title='Desencontros (I)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7106578185137311755</id><published>2009-01-24T18:42:00.001+01:00</published><updated>2009-01-25T14:27:41.145+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Obrigado George W. Bush</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nesta triste hora da tua despedida, queria dizer-te, do fundo do coração, obrigado George W. Bush, obrigado por tudo o que fizeste por mim. Obrigado por me teres explicado que não havia negros no Brasil, que África era um país e que, para evitar fogos florestais, o melhor é abatermos as árvores. Mas, principalmente, por me apontares o caminho certo e, ao fazê-lo, teres-me salvo a vida - é que, graças aos teus ensinamentos, matei o meu vizinho antes que ele me matasse a mim, com a bazuca que, de certeza absoluta, estava escondida na cave. Para além de que tinha aquela irritante mania de usar calças amarelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isto e muitíssimo mais, o meu muito mas muito obrigado Jorginho. (Posso tratar-te assim, carinhosamente, não te importas, pois não?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, Janeiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prisão Hospital S. João de Deus, Caxias, Ala de Psiquiatria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7106578185137311755?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7106578185137311755/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7106578185137311755' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7106578185137311755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7106578185137311755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/01/obrigado-george-w-bush.html' title='Obrigado George W. Bush'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5539463297727146926</id><published>2009-01-11T18:00:00.002+01:00</published><updated>2009-01-11T18:02:35.626+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Sob o efeito do álcool</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando foi apanhado a beber sob o efeito do álcool sentiu, de imediato, que estava tramado. Completamente tramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então diga lá: Bebeu alguma coisa antes dessa cerveja? – perguntou-lhe o agente da Polícia Imperial, uma espécie de novo corpo expedicionário mas sem direito a deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu? Eu não, &lt;em&gt;xôguarda&lt;/em&gt;! Nada! Mesmo nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Hummm&lt;/em&gt;… Vamos lá então soprar no balãozinho. Vá, sopre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 0,7?! E quer você fazer-me acreditar que, antes dessa imperial, não bebeu nada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não bebi, eu sou é muito sensível e, para além disso, tenho pouco sangue desde que uma vez, em criança, caí de uma árvore, fartei-me de sangrar e os meus pais esqueceram-se de repor o sangue perdido. É por isso. Só por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você está à espera que eu acredite nisso?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, e depois ainda apareceram três vampiros, doidos por uma sobremesa, e atacaram-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- … E ontem fui dar sangue ao Hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ó homem, mas você droga-se?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por acaso… drogo. Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que uma história dessas, meu amigo… bom, mas como se droga está então tudo explicado e, graças a essa atenuante, vou deixá-lo ir. Pode-se ir embora, vá lá. Boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite. E, já agora, posso conduzir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você tem carro? É que eu não vejo nenhum por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, de facto não tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então está bem, pode seguir. É que se fosse apanhado a conduzir num carro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, já sei, estava tramado. Completamente tramado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5539463297727146926?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5539463297727146926/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5539463297727146926' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5539463297727146926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5539463297727146926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2009/01/sob-o-efeito-do-lcool.html' title='Sob o efeito do álcool'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7480075266907419984</id><published>2008-12-29T17:55:00.003+01:00</published><updated>2008-12-29T19:13:46.425+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Um belo, maravilhoso, lindo, deslumbrante, […] presente no sapatinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mãe Mãe maravilhosa excelente admirável deslumbrante encantadora primorosa perfeita portentosa estupenda assombrosa surpreendente Mãe olha o que o Pai Natal me deu – gritou a criancinha enquanto abanava a cama da Mãe, provavelmente acordando todo o prédio e uns 120 ácaros mais preguiçosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vejo nada, filha – respondeu a Mãe, ainda meio (80%, vá lá…) a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vês mas ouves não me digas que estás tão distraída absorta abstracta alheia ausente desatenta pensativa alheada descuidada que não te deste conta que a prenda que o Pai Natal me deu foi um sapatinho cheio de adjectivos e como era a prenda que eu sempre sonhei já estou a brincar com eles iupiiii&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então mas aquela boneca que…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Esquece Mãe agora só quero brincar com os adjectivos é muito mais divertido alegre cómico engraçado pândego entusiasmante animado do que com qualquer outro brinquedo não vês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então e o jogo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vale a pena Mãe não quero saber de mais nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se aquele sacana daquele gordo para o ano não lhe traz a porcaria dos sinais de pontuação, acho que me passo, vou até à Lapónia e empalo-o! – pensou a Mãe, enquanto continuava a sorrir, ternamente, à criancinha. Um sorriso evidentemente parvo, pateta, tolo, tonto, imbecil, idiota e obtuso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7480075266907419984?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7480075266907419984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7480075266907419984' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7480075266907419984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7480075266907419984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/12/um-belo-maravilhoso-lindo-deslumbrante.html' title='Um belo, maravilhoso, lindo, deslumbrante, […] presente no sapatinho'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5231767173006877048</id><published>2008-12-19T19:23:00.001+01:00</published><updated>2008-12-19T19:24:30.740+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Conto de Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando, 24 de Dezembro à noite, pendurou a meia na chaminé da sala, estava cheia de esperança de que, no dia seguinte, ao acordar, teria montes de prendas - roupas, livros, (quem sabe até) a chave de um carro novo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou ansiosa, manhã cedo. Correu para a sala com o coração aos saltos. Ao chegar, constatou que toda aquela correria fora em vão - a chaminé estava completamente vazia e nem mesmo a meia ainda lá se encontrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três dias depois, ainda mal refeita do que tinha acontecido, ao passar pela principal loja do bairro, estranhou um cartaz “meias em promoção” no vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve ser só coincidência – pensou, enquanto se afastava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que boa alma… - comentou o Pai Natal a uma das suas renas, enquanto se babava ao recontar as notas pela milésima vez. – Para o ano fica com a meia! – concedeu, generoso, enquanto dava mais um golo na sua coca-cola atestada de rum. – Ho, ho, ho!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5231767173006877048?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5231767173006877048/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5231767173006877048' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5231767173006877048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5231767173006877048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/12/conto-de-natal.html' title='Conto de Natal'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3347573809097015650</id><published>2008-12-10T10:13:00.000+01:00</published><updated>2008-12-10T10:15:00.790+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>A vida continua</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Recordo com saudade o tempo em que me fazias &lt;em&gt;fellatios&lt;/em&gt; no banho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora… já não te tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso, tomo banho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3347573809097015650?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3347573809097015650/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3347573809097015650' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3347573809097015650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3347573809097015650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/12/vida-continua.html' title='A vida continua'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6295735353886696959</id><published>2008-11-27T20:23:00.000+01:00</published><updated>2008-11-27T20:25:28.680+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jornais'/><title type='text'>Só mesmo para rir…</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“&lt;strong&gt;Sindicatos propõem auto-avaliação acompanhada por pedagógico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta que a Plataforma Sindical dos professores vai apresentar amanhã ao Ministério da Educação assenta num documento de auto-avaliação, a ser preenchido pelos docentes e acompanhado pelo respectivo Conselho Pedagógico. Mas para que esta proposta chegue sequer a ser negociada, os sindicatos exigem que o actual modelo de avaliação seja suspenso.&lt;br /&gt;O porta-voz da Plataforma, Mário Nogueira, já tinha informado o DN que os sindicatos iam apresentar "uma solução simples, não administrativa e focada na vertente pedagógica que permita aos docentes serem avaliados este ano". Proposta agora concretizada por outros dirigentes do movimento sindical. Carlos Chagas, secretário--geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores, adianta ao DN que a Plataforma tem uma forma de ultrapassar o vazio legal deixado pela suspensão do actual processo e realizar a avaliação de quem necessita dela. "Embora ainda não haja um documento escrito e pormenorizado, a nossa proposta vai no sentido de cada professor elaborar um relatório de auto-avaliação a ser apresentado ao Conselho Pedagógico, que seria responsável por acompanhar o seu cumprimento."&lt;br /&gt;A leitura das soluções previstas pelos vários sindicatos para a avaliação permitem perceber melhor o que os dirigentes da Plataforma defendem. Assim, este relatório de auto-avaliação deve conter uma análise do docente sobre as condições em que exerce o processo de ensino e posterior apreciação do relatório por uma Comissão de Avaliação do Conselho Pedagógico. "O documento a apresentar pelo professor é de facto de reflexão da componente científico-pedagógica, mas ainda não pormenorizámos a proposta, porque não faz sentido termos um documento escrito sem sabermos se o Ministério suspende o modelo actual", informa João Dias da Silva, da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;DN On-Line, 27-11-2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6295735353886696959?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6295735353886696959/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6295735353886696959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6295735353886696959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6295735353886696959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/11/s-mesmo-para-rir.html' title='Só mesmo para rir…'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8028828440921397496</id><published>2008-11-27T09:36:00.001+01:00</published><updated>2008-11-27T09:40:46.879+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Afinal há coincidências… e são f*!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quer o Governo, quer o Banco de Portugal - nomeadamente na recusa de um aval de 750 milhões de euros -, resolveram não apoiar a tentativa de sobrevivência do Banco Privado Português, “de” João Rendeiro e, assim, deixar cair - ou, pelo menos, entregue ao mercado (esse Deus dos nossos tempos mas que, ultimamente, anda a ficar um bocado mal visto…) - o que é o banco da fina-flor portuguesa e que, genialmente, gere as não menos geniais fortunas desses “portugas” mais abastados. Ora tanta genialidade junta deu bronca e o tal banco &lt;em&gt;top-model&lt;/em&gt; foi o primeiro a “dar o berro” (o BPN não conta, já que aquilo não foi má gestão, foi “gamanço”), o que só por si já é extraordinário. Mas a suprema ironia do destino é que isto passa-se exactamente no mesmo dia (claro está que há muito programado) em que João Rendeiro lança a sua auto-biografia de… gestor de sucesso! Só tenho um adjectivo: &lt;em&gt;fermidável&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS – Toma Rebelo Pinto, estavas enganada! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8028828440921397496?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8028828440921397496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8028828440921397496' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8028828440921397496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8028828440921397496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/11/afinal-h-coincidncias-e-so-f.html' title='Afinal há coincidências… e são f*!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6749863985765749729</id><published>2008-11-23T15:52:00.001+01:00</published><updated>2008-11-25T09:56:29.217+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>A “luta” do sr. Nogueira não é a “luta” dos professores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;(Ponto prévio: a minha consideração por esta Ministra da Educação, que era bastante grande pela coragem e saber que vinha demonstrando, baixou consideravelmente desde que, conforme já escrevi em Julho, o Ministério da Educação fez, na altura, uns exames facílimos e as negativas a Matemática passaram para metade de um ano para o outro, atirando depois poeira aos olhos das pessoas, dizendo que essa melhoria era consequência das reformas no Ensino - como se, num ano, qualquer reforma que fosse, surtisse efeito -, demonstrando, apenas e só, que no Ministério se “trabalhava” para a estatística e não para o conhecimento. Agora que estamos esclarecidos, adiante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O crescente clima de tensão entre o Ministério e os professores está, fundamentalmente, relacionado com a falta de bom senso de ambas as partes, já que, até agora, nenhuma delas quis ceder, temendo que a opinião pública baralhasse o tal bom senso com, “avanços”, “recuos”, “vitórias”, “derrotas” e outros termos próprios da “luta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é evidente, nenhuma classe socioprofissional gosta que se lhe retire privilégios e acrescente deveres e, muito menos, que lhe sejam criadas barreiras a uma progressão calma e automática na carreira. Outra evidência é a de que o Ministério acha (e bem) que os professores, como qualquer outra classe, deverão ser avaliados, neste caso não só a bem da justiça dentro da mesma como do próprio Ensino, promovendo os melhores e mais capazes e acabando com a “balda” que sempre tem sido a avaliação pública. Uma última evidência é a de que, para se chegar a um acordo entre duas partes, é necessária que ambas cedam e se chegue a um ponto confortável para todos, onde ninguém sinta que perdeu a face mas sim que imperou o bom senso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, agora que o Ministério aceitou (e bem, na minha opinião) a alteração dos principais pontos (segundo os próprios professores) que serviam de argumentos usados contra esta reforma, parece-me que este momento é a última oportunidade de os professores se demarcarem da "luta" política do PC, liderada por aquela criatura hedionda e arrogante que é o sr. Mário Nogueira(*) já que, afinal e caso não o façam, apenas demonstrarão que tais argumentos não seriam mais do que cortinas de fumo (vulgo “desculpas”) para disfarçar a questão de fundo, ou seja, que os professores não queriam ser avaliados. E apenas isso. Consequentemente, e se prosseguirem neste caminho que só vai dar ao abismo, serão eles próprios a trazer à evidência, perante toda a opinião pública, que era essa e só essa a verdade - o que eu espero, sinceramente, que não aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não haja dúvidas: a “luta” do sr. Nogueira é um dos vários aspectos da “luta” política do PC com o objectivo de enfraquecer o Governo (o que é legítimo, evidentemente), aproveitando o descontentamento (em parte justo, na maioria injustificado) dos professores. No entanto, não é (ou não poderá ser) essa a luta dos professores que sabem, como todos nós sabemos, que a melhoria do Ensino passa, também, pela avaliação, premiando os melhores e não “equalizando” todos, o que só conduz (como se torna evidente pela situação a que chegámos…) ao tristemente célebre “alinhar por baixo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conclusão: agora que o Ministério alterou os aspectos mais deficientes da reforma, julgo que é tempo de os professores mostrarem, agora eles, bom senso, trazendo paz às Escolas e deixando o sr. Nogueira a esbracejar sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*) - Mário Nogueira, "professor" e secretário-geral da FENPROF que, curiosamente, em Abril passado assinou (conjuntamente com todas as outras estruturas representantes dos professores) o acordo com o Ministério sobre a mesma reforma que agora contesta, e que há dezassete anos(!) não dá uma única aula, conforme admitido pelo próprio em entrevista à Antena 1. (É claro que o seu salário é inteiramente pago pelo Estado, tal como se estivesse a dar aulas. É só um pormenor...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6749863985765749729?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6749863985765749729/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6749863985765749729' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6749863985765749729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6749863985765749729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/11/luta-do-sr-nogueira-no-luta-dos.html' title='A “luta” do sr. Nogueira não é a “luta” dos professores'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-9051512576353941780</id><published>2008-11-21T21:20:00.000+01:00</published><updated>2008-11-21T21:22:04.654+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Quando os ventos sopraram</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando os ventos sopraram, eu ouvi tua voz. Tenho a certeza que ouvi. Por entre os assobios da lareira, os gritos das múltiplas frechas de portas e janelas, os queixumes desvairados do exaustor, tudo isso tingindo a minha vida de merda de polvilhados sons inesperados de ti, eu ouvi-te. Eras tu, em carne e vento, em osso e gemidos, eras tu quem me dizia palavras incompreensíveis, mas que chegavam às profundezas do corpo, das dores. Sim, eras tu quem eu esperava pior que parado, talvez paralisado de medo e sede de ti, que te conseguias fazer ouvir. E por entre as brechas da minha vida, por entre os fogos extintos de mim, por entre os momentos exaustos de apenas ser eu mesmo e, invariavelmente, ter de me aturar, aguentar, suportar, surgias tu. Sob a forma de desejo. E música. Rasgando silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei. Atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois os ventos tornaram a soprar e eu ouvi, de novo mas então bem distintamente – estou certo disso -, tua voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava confirmado. Eras mesmo tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então adormeci. Embalado pelos ventos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-9051512576353941780?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/9051512576353941780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=9051512576353941780' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/9051512576353941780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/9051512576353941780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/11/quando-os-ventos-sopraram.html' title='Quando os ventos sopraram'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7242353791545371128</id><published>2008-11-07T20:59:00.001+01:00</published><updated>2008-11-08T12:30:45.280+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Extinção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Então, pá?! Acorda!&lt;br /&gt;- Hã? O que é? Eh pá, que susto, tem calma...&lt;br /&gt;- Calma o quê, não ias salvar a Terra hoje de manhã?!&lt;br /&gt;- Ahhh... pois é, tens razão. Adormeci, que chatice...&lt;br /&gt;- Que chatice não; por tua causa extinguiu-se!&lt;br /&gt;- Deixa estar, aquilo não valia nada... estamos a falar no sistema solar XRJ.23, do 3º planeta sempre em frente, virando à esquerda em Leiria, não é isso?&lt;br /&gt;- Esse mesmo. E que agora já não existe, graças a ti. É que és sempre a mesma coisa, não há dia em que não adormeças quando te destinam um serviço qualquer. Põe-te mas é a pau, que qualquer dia és expulso do sindicato dos super-heróis. É que já é demais!&lt;br /&gt;- Mas é como te digo, aquilo também não valia nada...&lt;br /&gt;- Já dizias isso quando da outra vez adormeceste e esse mesmo planeta ia desaparecendo – e levaste cá uma bronca do Chefe... ainda por cima, por azar, acabaram os dinossauros e depois vieram estes macacos armados em espertos que conseguiram dar cabo daquilo tudo, mesmo sem precisarem de meteoritos nenhuns. Mas agora acabou de vez por tua causa, ó Bela Adormecida!&lt;br /&gt;- Eh pá, está bem, mas não digas nada ao Chefe senão estou lixado!&lt;br /&gt;- Bom, também ninguém vai notar a diferença, não é?&lt;br /&gt;- Pois...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Papa acordou de sobressalto e rezou umas quantas ave-marias. Sentiu-se melhor - principalmente porque à porta do Vaticano não estava um Tiranossauro-Rex babando-se à sua espera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7242353791545371128?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7242353791545371128/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7242353791545371128' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7242353791545371128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7242353791545371128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/11/extino.html' title='Extinção'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7594674410938223178</id><published>2008-10-22T15:16:00.000+01:00</published><updated>2008-10-22T15:17:12.671+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fados'/><title type='text'>Fado da Escuridão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi naqueles dias estranhos, em que a humidade e a mágoa se colam ao corpo, que tudo aconteceu. Eu sei que eram as noites em que eu chorava saudades, os tempos em que me enlouquecias com a escuridão que transportavas; mas sei, também, que foi aí que nos amámos sem destino a ter nem direcção a tomar – que não a dos corpos, húmidos, pegajosos, com cheiro a monções e a desejos. Com cheiro a loucura. Nocturnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessas noites que enterrei todos os meus breves destinos e me destinei, apenas e só, a ti. E tu trazias a tua escuridão. E tu trazias as tuas tristezas destiladas, escorrendo pelos copos, pelas mãos, pelo olhar. E tu trazias tudo de ti, incluindo a escuridão. Mas eras tudo. Mas eras tu. Assim mesmo. Nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então amei-te. Fiz amor contigo nas primeira e última levas da noite. Foi quando vi a tua escuridão feita vitrais, feita cores, feita solstício, feita escorrência de palavras doces.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso tudo ainda amo a tua escuridão, os teus passos; amo até a tua ausência, enquanto espero pela noite - sabendo que, amanhã, serei eu a anoitecer, abraçando toda essa escuridão com um último, enorme, beijo dorido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7594674410938223178?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7594674410938223178/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7594674410938223178' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7594674410938223178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7594674410938223178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/fado-da-escurido.html' title='Fado da Escuridão'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-842832294455899025</id><published>2008-10-18T19:46:00.001+01:00</published><updated>2008-10-18T19:49:10.525+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Mensagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando vi, no meu telemóvel, que a minha mensagem para ti havia ficado pendente, fiquei a pensar se não seria mais uma parva &lt;em&gt;piadola&lt;/em&gt; do destino, do tipo “ah, e tal, agora és impotente, toma toma toma!”, ou algo assim. Mas não. A explicação era muitíssimo mais simples e óbvia - estavas na garagem do piso -3 a fazer amor com outro e, aí, não havia rede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei extremamente aliviado. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-842832294455899025?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/842832294455899025/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=842832294455899025' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/842832294455899025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/842832294455899025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/quando-vi-no-meu-telemvel-que-minha.html' title='Mensagem'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2874703545563744546</id><published>2008-10-15T10:42:00.000+01:00</published><updated>2008-10-15T10:47:08.848+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Sílabas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela pôs a folha dentro da pastinha-plástica-e-transparente-para-colocar-folhas e entregou-a ao chefe. Como era extremamente eficaz, conseguiu, ao mesmo tempo, atender aquela-coisa-que-toca-e-quando-se-levanta-o-auscultador-conseguimos-falar-com-alguém-do-outro-lado. No entanto, como a chamada era destinada a alguém que não estava, de momento, no escritório, tomou nota do recado no seu conjunto-de-folhas-encadernadas-que-se-podem-arrancar-uma-a-uma, para mais tarde o entregar ao destinatário. A seguir, escreveu os ofícios no coiso-com-um-teclado-à-frente-e--um-visor-onde-as-coisas-aparecem, imprimiu-os depois na máquina-para-onde-se-enviam-os-textos-e-depois-aparecem-escritos e colocou-os, bem alinhados, na coisa-com-um-tampo-de-madeira-com-quatro-pernas-também-de-madeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim do seu dia de trabalho, regressou para aquele-sítio-onde-vivemos-com-um-tecto-e-várias-divisões e, como estava cansada, foi-se logo deitar. Mais tarde apareceu o marido, entusiasmado com aquela-coisa-que-às-vezes-se-levanta-e-aumenta-de-tamanho e abraçou-a. Ela disse que não lhe apetecia e voltou-se para o outro lado da coisa-horizontal-com-colchão-e-lençóis-e-cobertores-que-serve-para-dormir-e-por-vezes-também-para-&lt;em&gt;debochices&lt;/em&gt;, adormecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, no emprego, quando uma colega lhe perguntou as horas, ela olhou para o seu relógio e respondeu-lhe que, infelizmente, não lhas podia dizer com exactidão, já que não estava certo por falta de sílabas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2874703545563744546?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2874703545563744546/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2874703545563744546' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2874703545563744546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2874703545563744546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/slabas.html' title='Sílabas'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3128339929014065720</id><published>2008-10-12T16:13:00.000+01:00</published><updated>2008-10-12T16:14:31.183+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Perfeição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela sentou-se, à beira-mar, de mão dada com ele. Todos achavam que eles faziam o par perfeito. Olhavam o mar, vagaroso, beijando as rochas. A dada altura, ela levantou-se e escreveu, com um dedo apenas, o nome dele na areia, dentro de um enorme coração. Sorriu. Logo depois, veio uma onda e levou-o. Curiosamente, o nome dele continuou escrito na areia. Sorriu de novo e foi-se embora. Nada como meter uma cunha a Neptuno.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3128339929014065720?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3128339929014065720/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3128339929014065720' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3128339929014065720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3128339929014065720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/perfeio.html' title='Perfeição'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1708533048280992490</id><published>2008-10-10T11:21:00.002+01:00</published><updated>2008-10-10T16:24:07.943+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>“Cumentário” de sexta (I) – O voto de hoje na AR</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje, na Assembleia da República (AR), votam-se os projectos de lei sobre a legalização dos casamentos homossexuais, projectos esses forçosamente condenados ao &lt;em&gt;chumbo&lt;/em&gt;, já que a maioria da direita votará “não”, BE e PCP votarão "sim" e o PS votará “eu até era a favor mas por agora não me apetece”. A brilhante desculpa socialista é de que essa questão não foi sufragada pelos portugueses. Então mas... o aumento de impostos foi? Bom, devo ser eu que estou baralhado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação ao caso em apreço, confesso que me é indiferente se os homossexuais se casam ou não; limito-me, apenas, a estranhar que queiram aderir à instituição que mais infelicidade trouxe à Humanidade ao longo dos séculos - não contando com as repartições de finanças e os Delfins. Mas enfim, provavelmente será para animar as relações com um pouco de sal masoquista. Já agora, estranho mais ainda que os homossexuais não lutem pelo aumento de direitos da união de facto (bem mais importante, parece-me, que o casamento) onde, aqui em igualdade com os casais heterossexuais, sofrem uma real discriminação em relação ao casamento – por exemplo, no caso de morte de um, o outro fica de mãos a abanar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na realidade, eu não queria escrever sobre a questão do casamento homossexual – apenas me serve de mote para o fazer sobre a liberdade de voto na AR. Comecemos pelo princípio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um deputado é eleito, é-o nominalmente; isto é, apesar de integrado numa lista partidária, ganha o seu próprio lugar, do qual só pode sair antes do fim da legislatura por opção própria - nomeadamente tornando-se deputado independente ou renunciando ao cargo -, não podendo o seu (ex-)partido “despedi-lo”. Ora o contra-senso é total quando existe algo, obviamente criado pelas direcções partidárias, chamado “disciplina de voto”. Ou seja, “queiras ou não queiras, votas como te mandarem votar”. Mas ainda mais fantástico (talvez, até, “extremamente giro”) é que, por vezes, as direcções, mui magnanimamente, dão (do verbo “dar”, sinónimo de “oferecer”, “presentear”...) liberdade de voto. Como é que é possível que um deputado, eleito pelo povo, só possa votar como quer e bem entende quando o chefe, generosamente, o presenteia com um maravilhoso instante de liberdade?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando é que esses “momentos natalícios” ocorrem? Normalmente nas chamadas “questões de consciência”, como é, por exemplo, o caso do aborto. Então mas... não é sempre uma questão de consciência (bom, no caso do TGV Lisboa-Porto é mais uma questão de inconsciência), qualquer votação que seja? Ou os deputados têm de esquecer sempre a consciência para agradar ao chefe e garantir o lugar na legislatura seguinte? Então, se assim é, não seria então muito mais barato e eficaz só estarem os “donos das consciências” na Assembleia, cada um com direito a &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; votos? Mas... espera aí! Nem neste caso o PS achou que fosse um questão de consciência e impôs (aos tais “eleitos pelo povo”) a disciplina de voto, dando-se o caso caricato da maioria da bancada ser a favor e ir votar contra! Ou seja, parece que, actualmente, já nem numa questão de consciência. Bonito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparemos, agora, esta absurda situação com o que recentemente se passou nos Estados Unidos em relação ao “Plano Paulson”, que prevê injectar 700 mil milhões de dólares nos mercados financeiros. A primeira versão do Plano, negociada e aceite pelo actual presidente, pelos dois candidatos à presidência e pelos representantes dos dois partidos (republicano e democrata), foi chumbada(!) pela Câmara dos Representantes, sendo que houve votos divididos nas duas bancadas - havendo, curiosamente, mais votos “não” na republicana. O Plano foi posteriormente revisto e aprovado à 2ª tentativa. Agora olhe-se com mais atenção: Era um acordo decisivo e importantíssimo - tratava-se de salvar a economia norte-americana (e, em larga medida, a de todo o Mundo) -, estava negociado e aceite pelos “chefes” mas... foi &lt;em&gt;chumbado&lt;/em&gt;, já que “os eleitos pelo povo” não se deixaram instrumentalizar, não permitindo que outros fossem donos do seu voto e da sua consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso, não acham? É que, apesar de todos os defeitos e problemas do regime norte-americano, os representantes do povo prestam efectivamente contas aos seus representados e não, como por cá, àqueles pequeninos chefes que vão conspurcando os pilares mais básicos de uma democracia, como sejam as liberdades de opinião e de voto – já para não falar no pequeno pormenor do direito a transportar uma consciência limpa... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1708533048280992490?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1708533048280992490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1708533048280992490' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1708533048280992490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1708533048280992490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/cumentrio-de-sexta-i-o-voto-de-hoje-na.html' title='“Cumentário” de sexta (I) – O voto de hoje na AR'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7887322627902971434</id><published>2008-10-04T19:49:00.001+01:00</published><updated>2008-10-04T19:51:53.935+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>O bilhete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A coberto da noite e de meia dúzia de imperiais, depois de anos a fio de hesitações, alguns avanços e muitos recuos, encheu-se de coragem e foi até casa dela, deixando-lhe um bilhete por debaixo da porta e fugindo de imediato. Tinha escrito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei que um dia direi, sem correr o risco de te rires, “boa noite, meu amor”. Por isso vou esperando, esperando pelo dia em que serei eu o teu amor também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, por azar, o bilhete foi madrugadora e zelosamente aspirado por uma mãe dona-de-casa em fúria diabética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda hoje, sentada no alpendre, ela espera por um sinal dele nos diferentes brilhos e pulsares das estrelas, nos &lt;em&gt;entrelaços&lt;/em&gt; das cores citadinas reflectidas nas nuvens, nos horóscopos da TV-Guia – ou, nem que seja, numa porra de um bilhete deixado por debaixo da porta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7887322627902971434?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7887322627902971434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7887322627902971434' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7887322627902971434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7887322627902971434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/10/coberto-da-noite-e-de-meia-dzia-de.html' title='O bilhete'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8205708230915907941</id><published>2008-09-29T20:16:00.000+01:00</published><updated>2008-09-29T20:19:23.411+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Após a Grande Festa do Esperma Indeciso, a última &lt;em&gt;party&lt;/em&gt; de Verão no Beach Club de Algures, e conduzidas pelo seu forte instinto de &lt;em&gt;supervivência&lt;/em&gt;, as Dondocas sentiram que era tempo de hibernar. Então recolheram às suas tocas, onde sobrevivem à época das chuvas, enroladas em revistas cor-de-rosa com as suas &lt;em&gt;glamorosas&lt;/em&gt; fotografias na capa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8205708230915907941?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8205708230915907941/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8205708230915907941' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8205708230915907941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8205708230915907941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/09/fim.html' title='Fim'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4324148433081060330</id><published>2008-09-26T19:44:00.001+01:00</published><updated>2008-09-26T19:47:54.490+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Agrafadores</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela era uma mulher séria, seríssima, praticamente à prova de qualquer defeito mas, infelizmente, com um calcanhar de Aquiles – era completamente louca por agrafadores. Não havia hipótese: assim que passava por um - &lt;em&gt;zás&lt;/em&gt;! - tinha forçosamente de ficar com ele. Em consequência disso, já se havia desfeito de quase tudo o que tinha em casa - marido incluído -, pois não havia espaço para praticamente mais nada que não os agrafadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro está que, em 2089, logo após a Grande Revolta dos Objectos, foi mandada prender pelo Directório Central, sob a acusação de “rapto agravado”, tendo sido condenada a prisão perpétua. O caso, que na altura teve grande cobertura mediática – e de chocolate também, já agora -, acabou revisto apenas em 2095, aquando da Contra Revolução do Papel, tendo sido solta de imediato por “grandes e nobres serviços prestados à Pátria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é evidente também, os agrafadores foram todos condenados à morte, sob as acusações de “tortura continuada e em massa, papelicídio e canto gregoriano desafinado”, embora a maioria dos observadores tenha manifestado sérias reservas à veracidade desta última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a ela, vive internada numa clínica de desintoxicação, devido a manifestos e evidentes sintomas de abstinência prolongada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4324148433081060330?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4324148433081060330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4324148433081060330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4324148433081060330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4324148433081060330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/09/agrafadores.html' title='Agrafadores'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4254410260664746646</id><published>2008-09-26T11:44:00.002+01:00</published><updated>2008-09-26T11:52:20.546+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>American Beauty</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ganhei milhões, gastei milhões, guardei milhões. Os meus amigos também. Comprámos tudo e mais alguma coisa. Temos tudo e mais alguma coisa. Vivemos à grande.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As nossas empresas perderam milhões e faliram. Viemos embora. Todos os outros pagam e pagarão os prejuízos. Continuamos a ter tudo e mais alguma coisa. Continuamos a viver à grande.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;III&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordei. O mesmo teso de sempre, infelizmente. Mas porque é que as coisas boas só acontecem mesmo na América ? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4254410260664746646?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4254410260664746646/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4254410260664746646' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4254410260664746646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4254410260664746646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/09/i-ganhei-milhes-gastei-milhes-guardei.html' title='American Beauty'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7346410819475834427</id><published>2008-09-20T12:28:00.002+01:00</published><updated>2008-09-26T19:43:13.544+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Roaming</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mas que m**** é esta?! – gritou furiosa, cuspindo asteriscos por todo o lado, mal abriu o envelope com o extracto da conta de telemóvel. – Estão doidos ou quê?! Que preços são estes?! Estes gajos vão ter de me ouvir!&lt;br /&gt;Dito e feito. Foi até à Loja mais próxima e mandou chamar o gerente.&lt;br /&gt;- O senhor já viu isto? – perguntou indignada, mostrando e batendo na factura. - Alguma vez eu posso ter gasto este dinheirão todo em chamadas? Alguma vez?&lt;br /&gt;- Posso ver?&lt;br /&gt;- Com certeza.&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Humm&lt;/em&gt;... mas a senhora tem aqui custos elevadíssimos de &lt;em&gt;roaming&lt;/em&gt;. Fez vários telefonemas para fora, não é verdade?&lt;br /&gt;- Impossível! Apenas falei com as mesmas pessoas de sempre, que estão nos mesmos sítios de sempre e nunca antes recebi nenhuma conta destas. Impossível. Ponto.&lt;br /&gt;- Desculpe, mas tem aqui vários &lt;em&gt;roamings&lt;/em&gt; para o séc. XII!&lt;br /&gt;- Para o séc. XII? Mas acaso eu conheço alguém do séc. XII?! Por favor...&lt;br /&gt;- Desculpe, mas deve conhecer. Pelo menos esteve ao telefone...&lt;br /&gt;- O senhor deve estar a brincar, com certeza. Se ainda fosse no séc. XIX... aí até conheço - inclusive ás vezes falo com a Madame Bovary; mas para o séc. XII? Esses selvagens? O senhor acha-me com cara de quem se dá com gente dessa laia? Mas quem é que julga que eu sou?&lt;br /&gt;- Tenha calma, minha senhora, não a estava a julgar nem a acusá-la de nada, limitava-me apenas a ler a sua factura. Mas... já agora, como é que fala com a Madame Bovary se ela é apenas uma personagem de um livro?&lt;br /&gt;- Do mesmo modo que falo consigo e o senhor também não passa de um personagem – parvo, por sinal.&lt;br /&gt;- Bom, lá isso é verdade, aí dou-lhe razão. Mas voltando às chamadas: estão todas discriminadas nesta factura, exactamente como manda a lei e, de facto, os grandes custos estão no &lt;em&gt;roaming&lt;/em&gt;. Olhe, por exemplo, tem aqui uma chamada longuíssima para o séc. XV.&lt;br /&gt;- Para o séc. XV? Alguma vez? Desse século só ouvi falar no Colombo mas é o Centro Comercial, caramba! Já lhe disse, essas chamadas eu não as fiz!&lt;br /&gt;- Tem a certeza, minha senhora?&lt;br /&gt;- Claro que tenho!&lt;br /&gt;- Desculpe a pergunta – mas... tem filhos?&lt;br /&gt;- Sim, um rapaz. E então?&lt;br /&gt;- Então isso explica tudo! Os miúdos de hoje em dia são assim – quando ficam saturados de estar ao telemóvel sempre com os mesmos amigos, põe-se a falar com outros séculos. Já estou farto de ver casos desses, sabe...&lt;br /&gt;- Bom, é capaz de ter razão, o meu filho, realmente, está sempre a levar-me o telemóvel. Olhe, é preciso ter paciência, não é?&lt;br /&gt;- De facto, minha senhora, de facto.&lt;br /&gt;- Só uma última pergunta: Com estes telemóveis novos que anunciam na televisão, a linha “Rebelde Gay”, já é possível falar para Espanha?&lt;br /&gt;- Ah, ah, ah... desculpe, minha senhora, não me consegui conter. Não, não fazem esse tipo de chamadas, nem será possível nos próximos anos, não acredite em tudo o que lhe dizem. Infelizmente, a tecnologia ainda não foi tão longe quanto todos gostaríamos...&lt;br /&gt;- Bom, paciência. Obrigada e desculpe a maçada, sim? Boa tarde, então.&lt;br /&gt;- Ah, desculpe, antes de se ir embora, deixe-me só dizer-lhe que estamos na semana da promoção do afecto. Se quiser, pelo preço de dois abraços damos três.&lt;br /&gt;- Bela ideia, é verdade, mas estou mesmo sem tempo, desculpe. Fica para a próxima. Obrigada na mesma. Boa tarde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;_____________________&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS - Eu sei que não é quem faz chamadas para fora que paga o &lt;em&gt;roaming&lt;/em&gt;, mas dava jeito para a história... por isso resolvi "dar um toque" na realidade, tanto mais que estes textos são ficção - mais um pouco, menos um pouco, que se lixe. Mas que me desculpem os puristas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7346410819475834427?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7346410819475834427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7346410819475834427' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7346410819475834427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7346410819475834427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/09/roaming.html' title='Roaming'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2289916403258196434</id><published>2008-08-11T18:07:00.000+01:00</published><updated>2008-08-11T18:10:44.353+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='férias'/><title type='text'>Blog em Férias!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SKByJNauwrI/AAAAAAAAABE/Iw6a-1_hBnE/s1600-h/sun.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5233308269550682802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="172" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SKByJNauwrI/AAAAAAAAABE/Iw6a-1_hBnE/s200/sun.jpg" width="178" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Não que este &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; as mereça, mas...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2289916403258196434?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2289916403258196434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2289916403258196434' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2289916403258196434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2289916403258196434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/08/blog-em-frias.html' title='Blog em Férias!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SKByJNauwrI/AAAAAAAAABE/Iw6a-1_hBnE/s72-c/sun.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4247111980878469494</id><published>2008-08-06T21:07:00.000+01:00</published><updated>2008-08-06T21:08:48.157+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Genética</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O porquinho voava, despreocupado, observando os outros animais da quinta, vagarosos, bem lá por baixo. Todos o invejavam, já que havia nascido com asas e podia voar. “Porquinho sortudo!”, diriam se soubessem falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, infelizmente para ele, nesta vida nem tudo é o que parece. De facto, não vivia feliz - bem pelo contrário -, pois era órfão de mãe, já que o porco de seu pai, num acesso de raiva e ciúmes, a havia assassinado por achar que ela o traía com um falcão-peregrino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porquinho, esse, continuava lá pelos céus, suspirando angustiado, enquanto remoía pela milionésima vez o mistério que o atormentava desde sempre: mas, afinal, o que teria levado seu pai a desconfiar de tal coisa?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4247111980878469494?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4247111980878469494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4247111980878469494' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4247111980878469494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4247111980878469494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/08/gentica.html' title='Genética'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-277543294387179628</id><published>2008-08-03T18:22:00.000+01:00</published><updated>2008-08-03T18:26:02.090+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Dependências (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando saí da reunião dos IA já me sentia bem melhor. Havia desabafado, à minha volta todos padeciam do mesmo problema e, finalmente, sentia-me integrado e a ultrapassar as minhas dificuldades. “Perfeito, isto está a compor-se”, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte fui trabalhar mais calmo. No entanto, a meio da manhã, pareceu-me que o meu computador tinha uma estranha luz acesa, não estava a perceber o que seria. Quando já havia pegado no telefone para falar ao meu informático, avisaram-me (felizmente!) que era apenas a luz do &lt;em&gt;On/Off&lt;/em&gt;, o que era absolutamente normal visto que eu tinha o computador ligado. A verdade é que já haviam passado 3 dias, 4 horas e 7 minutos sem que eu o contactasse – o que me estava a deixar doido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No regresso a pé para casa, passei por um Cibercafé e, inevitavelmente, lembrei-me de novo dele. Era o melhor informático que eu alguma vez havia tido – dominava computadores, servidores, impressoras, o que fosse; enfim, o sonho de qualquer utilizador de informática. Mas resisti e não lhe telefonei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite não conseguia dormir. “E se se avaria o &lt;em&gt;scanner&lt;/em&gt;, se a &lt;em&gt;UPS&lt;/em&gt; dá o berro, o que é que eu faço?”. Três da manhã. Fui até à janela apanhar um pouco de ar. Voltei para dentro mas, como continuava ainda sem sono, resolvi ligar o meu PC. A NET em baixo. Pânico total! Era fatal... tive uma recaída e telefonei-lhe. Deu-me, então, um conselho único e brilhante, que só demonstrou o seu elevado nível de conhecimentos – disse-me para desligar e voltar a ligar o computador. Funcionou. No dia seguinte, claro está, lá tive eu de voltar às reuniões dos Informático-dependententes Anónimos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, o meu nome é António e sou informático-dependentente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa noite, António!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-277543294387179628?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/277543294387179628/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=277543294387179628' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/277543294387179628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/277543294387179628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/08/dependncias-i.html' title='Dependências (I)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-350679246066456559</id><published>2008-08-02T18:22:00.001+01:00</published><updated>2008-08-02T18:28:14.300+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>O tempo passa mesmo a correr...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Libertado antigo membro da ETA condenado a 3.000 anos de prisão”, &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; “Público” de 2 de Agosto de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Infelizmente, para as 25 pessoas por ele assassinadas, passou ainda mais depressa.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-350679246066456559?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/350679246066456559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=350679246066456559' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/350679246066456559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/350679246066456559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/08/o-tempo-passa-mesmo-correr.html' title='O tempo passa mesmo a correr...'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-4366974832655678553</id><published>2008-07-26T18:34:00.000+01:00</published><updated>2008-07-26T18:44:08.225+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>O Funcionário Certo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sento-me em frente à televisão. Ligo. Primeira emissão de um novo concurso da RTP1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entra o apresentador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos do público presente e de 7 donas-de-casa acabadinhas de passar a ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voz off  – ... e como anfitrião de mais um grande programa de entretenimento... Jorge Pincel!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos do público presente e de, agora, apenas 6 donas-de-casa acabadinhas de passar a ferro, já que a que falta foi fazer chichi com o João Baião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Pincel  – Boa tarde. Como todos sabemos, existe em Portugal um desporto imensamente popular que, curiosamente, é muito pouco divulgado. No entanto, e orgulhando-nos nós, na RTP1, de prestar serviço público de qualidade duvidosa, esta bela actividade terá, aqui, o tratamento que verdadeiramente merece. Trata-se quase que do equivalente português à caça à raposa em Inglaterra e corresponde à normalmente exasperante tentativa de contactar um funcionário público. Sim, meus senhores e minhas senhoras, vamos ter aqui, ao vivo e semanalmente, “O Funcionário Certo”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos do público presente e de 10 donas-de-casa acabadinhas de passar a ferro, porque têm a mania de se reproduzir sempre que em cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Pincel – As regras são simples: Cada concorrente terá um telefone à sua disposição e tentará contactar um funcionário público, aleatoriamente escolhido pelo nosso computador. Terá direito a três telefonemas e, em cada um deles e consoante o respectivo resultado, haverá as seguintes sete hipóteses de pontuação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – O telefone toca mas ninguém atende – 0 pontos;&lt;br /&gt;2 – A telefonista diz que não consegue contactar o funcionário e que o melhor seria telefonar mais tarde – 1 ponto;&lt;br /&gt;3 - A telefonista diz, igualmente, que não o consegue contactar mas que, no entanto, conseguiu falar com um(a) colega que, por sua vez, lhe transmitiu que o casaco estava lá – 2 pontos;&lt;br /&gt;4 – Igual à anterior mas a telefonista consegue efectivamente falar com o casaco – 3 pontos;&lt;br /&gt;5 – A telefonista transmite-lhe que ele (o funcionário, não o casaco) está em reunião mas, mesmo assim, você consegue deixar recado – 5 pontos;&lt;br /&gt;6 – Chega à fala com o/a colega do lado – 7 pontos;&lt;br /&gt;7 – Fala (mesmo!) com o funcionário pretendido – 20 pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamamos à atenção, ainda, para três situações particulares:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde um hora antes da de almoço e até duas horas depois, as pontuações dobram;&lt;br /&gt;- Se o funcionário estiver a beber café aquando da chamada, as pontuações serão metade;&lt;br /&gt;- Se o telefonema decorrer durante o cio, quando têm de sair dos gabinetes para tentar acasalar e são vistos e chamados nos corredores, a pontuação obtida será, apenas, de um terço da que se obteria em condições normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos jogar ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplausos do público presente e de 100 donas-de-casa acabadinhas de passar a ferro, porque são extremamente eficazes a reproduzir-se em cativeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tento mudar de canal mas o comando não obedece – chiça, o jogo continua!...)&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-4366974832655678553?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/4366974832655678553/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=4366974832655678553' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4366974832655678553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/4366974832655678553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/07/o-funcionrio-certo.html' title='O Funcionário Certo'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3790616357815208005</id><published>2008-07-19T12:22:00.003+01:00</published><updated>2008-07-19T12:38:11.343+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Bourbon</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Últimas palavras de Humphrey Bogart antes de morrer:&lt;br /&gt;“Nunca deveria ter mudado do whisky para o martini.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltava de Madrid, onde me tinha ido encontrar com um papagaio bipolar. Apesar do Espaço Schengen, das fronteiras abertas e do cozido à portuguesa, fui mandado parar por um polícia fronteiriço - uma espécie que, julgava eu, já estaria em extinção, conjuntamente com o gelo do Pólo Norte, a Amazónia e o Político Honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem alguma coisa a declarar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Aliás, nem quando pedi a minha ex-mulher em casamento me declarei – dei-lhe apenas a minuta do contrato e um beijo mal dado.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpe, mas dá bem para ver que transporta emoções. E não as declarou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava tramado. Era verdade. E, ainda por cima, o sacana estava-se a borrifar para os caramelos da Viúva Solano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(que, coitada, deve ser viúva à brava, já que passa o tempo todo a fazer caramelos, no que será a única forma que conhece para esquecer o marido, o defunto Sr. Solano)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fixava-se nas minhas emoções. Que grande azar! E, para cúmulo, era um gajo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, agora vai ter de pagar imposto sobre as importações!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu já transporto comigo estas emoções desde há muito tempo, já as trazia desde que saí de Lisboa, porque carga de água é que vou pagar imposto sobre as importações?! Ainda se estivesse apaixonado por uma espanhola qualquer que me tivesse agora abandonado, eu perceberia – mas assim, com as mesmas emoções de há mais de dez anos... O Sr. guarda não vê que estas emoções estão gastíssimas, até já em muito mau estado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, vejo, mas não deixam de estar em belíssimas condições de uso. Daí o pagamento de imposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sacana! Tinha razão! De facto, era impossível esquecê-la!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paguei e vim-me embora - mas nunca mais me apanham descalço já que, em Elvas, dei boleia a uma espanhola ressacada e, a partir daí...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ou seria um papagaio bipolar? Chiça, vou ter de largar o Bourbon!) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3790616357815208005?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3790616357815208005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3790616357815208005' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3790616357815208005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3790616357815208005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/07/bourbon.html' title='Bourbon'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2323277235725215732</id><published>2008-07-12T16:52:00.000+01:00</published><updated>2008-07-12T16:56:27.003+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Último dia de trabalho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegou ao fim do último dia de trabalho. Despediu-se dos colegas - alguns também amigos - por entre lágrimas furtivas, evitou o Dr. Engº. Arqº. Comendador Professor General para quem trabalhava há tantos anos (para quê uma última chatice?), arrumou a secretária e veio-se embora, num misto de alívio e angústia. Tinha dado tudo de si àquela firma e, dali, só lhe sobravam, na melhor das hipóteses, alguns momentos, algumas imagens. Tantos anos haviam passado, tanto passado havia naqueles anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E daquela vez em que...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou as chaves poisadas na mesa da entrada e fechou a porta atrás de si. Virava uma página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu no elevador. Tomou um último café no sítio do costume - que em breve deixaria de ser “do costume” para passar a ser apenas “um sítio” – e seguiu a pé para a estação. Apanhou o comboio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a casa. Ao passar pelo velho espelho da sala, hesitou. Voltou atrás. Olhou-se e... sorriu. Sorriu porque observava que o seu tempo era, a partir dali, total e completamente seu. De facto, começava naquele preciso instante uma outra vida, a partir daquele exacto momento apenas nas suas mãos, as mesmas mãos que foram enrugando no escritório, por entre os papéis sempre trocados das nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu de novo. Depois, estranhamente, começou a rir, depois ainda riu-se mais, depois mais ainda, até que riu como nunca antes se havia ouvido, num riso que, de tão estridente e livre e genuíno, era apenas comparável ao choro de um parto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não virava uma página – começava, afinal, a escrever um novo livro em que, finalmente, era ela a personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS – Este &lt;em&gt;post&lt;/em&gt; é dedicado a uma Senhora que se reformou a semana passada e a quem estou e estarei para sempre grato, não só por tudo o que me tem aturado ao longo dos anos como pelo privilégio e honra que é deixar-me ser seu amigo. Curiosamente, a nossa “ligação” começou numa daquelas estranhas &lt;em&gt;graçolas&lt;/em&gt; do destino, pois começou a trabalhar (na firma de onde agora se reformou) no preciso dia do meu nascimento. Esse nosso “elo” foi retomado cerca de vinte anos depois, quando para lá também fui trabalhar e, desde aí, para mim tem sido sempre um exemplo de como podem conviver seriedade, educação e profissionalismo com amizade, afecto e solidariedade. Como disse, uma Senhora, que ainda tem muito para dar a todos aqueles que, como eu, têm a suprema sorte de com Ela conviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PPS - Para além de ser um &lt;em&gt;ganda borracho&lt;/em&gt;, claro! (Tinha de &lt;em&gt;ajavardar&lt;/em&gt;, já me conheces &lt;em&gt;Gigi&lt;/em&gt;!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2323277235725215732?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2323277235725215732/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2323277235725215732' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2323277235725215732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2323277235725215732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/07/ltimo-dia-de-trabalho.html' title='Último dia de trabalho'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7709832796247526617</id><published>2008-07-09T08:15:00.000+01:00</published><updated>2008-07-09T08:17:53.169+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Assim não Vale!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vale e Azevedo, depois de ter &lt;em&gt;gamado&lt;/em&gt; prédios e milhões (e talvez meias) em burlas a meio mundo, vive à grande e à inglesa numa mansão com mordomo e outras mordomias, passeando-se pelas ruas de Londres num Bentley topo de gama, com chofer e champanhe. Entretanto, por entre festas e &lt;em&gt;offshores&lt;/em&gt;, vai-se rindo da justiça portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As “Águas de Portugal” acumularam prejuízos de centenas de milhões e estão à beira da falência. Entretanto, e para comemorar os seus grandes actos de gestão empresarial, os administradores atribuíram-se em prémios alguns desses milhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O PCP, em mais um delírio absurdo, acha que os criminosos que vivem do rapto e do tráfico de droga na Colômbia - e que retiveram (e retêm) em cativeiro na selva vários prisioneiros, entre os quais a agora salva Ingrid Betancourt (que, no comunicado do PCP, aparece como “Bettencourt”...) -, são um movimento de libertação. Entretanto, também acha que o governo colombiano, democraticamente eleito, é o sustentáculo de um regime neofascista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do Menino Guerreiro que foi (o saudosíssimo!) Santana Lopes, temos agora o Menino de Ouro do PS, a biografia de José Porreiro Pá Sócrates. Entretanto, cuidado meninos: agora anda aí à solta a Múmia Reciclada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ministério da Educação, conforme todos testemunhámos e tudo o que era especialista na matéria o confirmou, fez uns exames facílimos e as negativas a Matemática passaram para metade de um ano para o outro. Mas será que alguém no seu perfeito juízo (a ministra não conta!) acha que é possível que, num ano, qualquer reforma que seja (e mesmo que boa) surta efeito – e ainda por cima de uma forma tão espectacular?! É o que temos – “trabalha-se” para a estatística e não para o conhecimento... entretanto, os alunos ficam cada vez mais ignorantes, claro. (E eu que gostava desta ministra...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim, nem tudo é mau - os Delfins vão acabar!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7709832796247526617?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7709832796247526617/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7709832796247526617' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7709832796247526617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7709832796247526617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/07/assim-no-vale.html' title='Assim não Vale!'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7947659343521875238</id><published>2008-06-29T17:42:00.000+01:00</published><updated>2008-06-29T17:44:58.026+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Os dias adiados</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aqui é o meu sítio, aquele preciso sítio onde vou enterrando em palavras os meus dias adiados. Aqui é – exactamente - o local que me resta, apenas o momento que me sobra e donde, placidamente, adio a minha vida, esperando – até quando? - a chegada dos dias da paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui é, só e apenas, o meu sítio, onde me limito a sobreviver, vendo os meus dias adiados a esgotarem-se no tempo e – outra vez - nas palavras. Já nem sei porque ando ou respiro, já nem sei quem espero – ou se espero –, já nem sei, sequer, onde anda o meu olhar outrora meu, por onde navegam os meus sonhos, em tempos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui é, apenas, um sítio. Um sítio só. Onde me sento e espero pelo fim de todos os meus dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiados para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7947659343521875238?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7947659343521875238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7947659343521875238' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7947659343521875238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7947659343521875238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/06/os-dias-adiados.html' title='Os dias adiados'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8810013295067337630</id><published>2008-06-22T13:44:00.002+01:00</published><updated>2008-06-22T13:49:20.092+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Há males que vêm por bem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando sua mulher se chegou a ele e lhe perguntou, com ar desconfiado, “que raio de cheiro é este?!”, limitou-se a responder que se tinha descuidado, “desculpa lá...”. Felizmente a amante não usava perfume e, melhor ainda, tinha mau hálito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8810013295067337630?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8810013295067337630/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8810013295067337630' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8810013295067337630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8810013295067337630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/06/h-males-que-vm-por-bem.html' title='Há males que vêm por bem'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6349768996865521933</id><published>2008-06-14T14:26:00.000+01:00</published><updated>2008-06-14T14:28:14.226+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Se faz favor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando a minha morte me preencher inteiramente, eu juro-te que morro, não mais vais ter de me aturar. Prometo-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto, não. Desculpa. Apetece-me ainda ouvir pássaros. E crianças. E nascentes. Quando me fartar, eu aviso. Aliás, morro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredita: quando a minha morte for a melhor saída, quando eu estiver quase, mesmo quase a ficar completamente farto da vida, quando me doerem as pernas, os olhos, a cabeça, as memórias e me tiverem morrido os desejos e os amores que nunca tive, eu prometo-te que morro. Escusas de ficar a tomar conta de mim, um farrapo disfarçado de pessoa, fingindo que um último sorriso me é importante. Não. Quando eu vir que a morte é o meu melhor abraço, morro, fica tu descansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje, desculpa, não me apetece. Prefiro ficar aqui, quase imóvel, quase parvo, quase inerte, mas a ver este último pôr-do-sol, vendo os gestos que vão sobrando do entardecer, vendo quem passa arrastando desejos e sonhos, lembrar-me de quem já passou e nem sequer demos por isso, ouvindo as ondas a despedirem-se do mar. Desculpa, mas não me apetece morrer já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que estás profundamente chateada com o teres de ficar aqui a limpares-me, a veres-me com um ar infinitamente plácido esperando o passar do tempo e das capacidades básicas, tentando beber o que me resta dos prazeres da vida por uma palhinha que me ajudas a pôr na boca. Sei que estás farta de olhar por mim, de olhar para mim, olhando-me a acabar a cada ofegar, a cada passo, vendo os meus olhos estúpidos a percorrerem dementemente os corpos adolescentes e excelsos de vida de todos os passantes – cães incluídos. Desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora pede-me outra limonada, se faz favor. Sabes, só me resta a educação e a humildade. Eu que achei que poderia ter conduzido exércitos, eu que pensei dominar mundos paredes meias comigo mesmo, eu que já fui alguém, espero apenas pela tua complacência e generosidade para mais uma simples limonada. Se faz favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, acredita, quando a minha morte me preencher inteiramente, eu juro-te que morro, não mais vais ter de me aturar. Prometo-te. Pede-me é a limonada. Se faz favor.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6349768996865521933?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6349768996865521933/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6349768996865521933' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6349768996865521933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6349768996865521933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/06/se-faz-favor.html' title='Se faz favor'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8344896665693468192</id><published>2008-06-12T12:37:00.002+01:00</published><updated>2008-06-12T12:48:51.356+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Crise? Qual crise?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SFELUL1un_I/AAAAAAAAAA8/ipIiOivWME0/s1600-h/euro2008+Socrates.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5210958685247807474" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SFELUL1un_I/AAAAAAAAAA8/ipIiOivWME0/s320/euro2008%2BSocrates.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sr. Primeiro-Ministro, o que tem a dizer sobre as greves nas pescas e nos transportes, os constantes aumentos dos combustíveis e dos preços em geral, o sistemático fecho de fábricas e abandono da agricultura, a imoral morosidade da Justiça, o mau funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, as reformas cada vez mais reduzidas, o altíssimo valor da taxa de desemprego, o não crescimento da economia ao mesmo tempo que a inflação e o deficit, contrariamente, crescem demais, enfim, sobre todo este cenário de crise?&lt;br /&gt;- Crise? Qual crise? Então não ganhámos ontem à República Checa? Francamente, há pessoas que andam mesmo fora da realidade! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8344896665693468192?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8344896665693468192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8344896665693468192' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8344896665693468192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8344896665693468192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/06/crise-qual-crise.html' title='Crise? Qual crise?'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SFELUL1un_I/AAAAAAAAAA8/ipIiOivWME0/s72-c/euro2008%2BSocrates.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-9036187268606475042</id><published>2008-05-14T17:31:00.006+01:00</published><updated>2008-05-15T17:05:57.382+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Comunicado de imprensa do Ministério da Economia sobre os aumentos dos combustíveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tendo sido veiculado pelos órgãos de comunicação social nacionais um conjunto de afirmações e rumores que não correspondem, minimamente, à verdade factual e que, consequentemente, não podem ficar sem resposta, vem por este meio o Ministério da Economia esclarecer que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) O recente aumento de combustíveis não é o 17º deste ano, já que o primeiro que é referido pelos alarves dos meios de comunicação que só não gostam do Governo porque o primeiro-ministro, por azar, cheira mal dos pés, foi efectuado na passagem do ano, ou seja, à meia-noite do dia 31 de Dezembro de 2007. Assim, e como é evidente, não poderá contar como aumento em 2008. Nem em 2007, já agora;&lt;br /&gt;2) Assim, trata-se apenas e só do 16º aumento do ano, o que vem reforçar a ideia sempre defendida pelo Executivo de que um aumento por dia era chato; vá lá, demais, pronto;&lt;br /&gt;3) Regozija-se, também, o Ministério, por se estar a conseguir evitar a entrada no nosso país da crise internacional mas não dos chouriços da Vidigueira &lt;em&gt;made in&lt;/em&gt; China, por sinal deliciosos;&lt;br /&gt;4) Como é evidente, só com grande esforço de todos poderemos levar de vencida esta crise que não existe, apenas inventada pelos palermas da oposição, que nem um líder conseguem ter. Têm, quando muito, o Manuel Alegre que, ainda por cima, nem sequer é mais do que a Helena Roseta travestida com uma barba em 2ª mão, digo, cara (por isso e só por isso, nunca alguém os vê juntos, seus totós!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outra parte, como o senhor ministro tenciona fazer a passagem de ano em Andorra (onde a neve não é a &lt;em&gt;foleirice&lt;/em&gt; da da Serra da Estrela, cheia de restos de laranjas e frangos assados) e não terá, consequentemente, tempo para escrever textos tão literários quanto este, apresentamos desde já o comunicado que deveria sair, apenas, a 1 de Janeiro de 2009. Assinale-se que a semelhança com o comunicado atrás apresentado é mera coincidência. Bom, adiante. Assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) O recente aumento de combustíveis não é o 175.987º deste ano, já que o primeiro que é referido pelos alarves dos meios de comunicação que só não gostam do Governo porque o primeiro-ministro, por azar, cheira mal dos sovacos, foi efectuado na passagem do ano anterior, ou seja, à meia-noite do dia 31 de Dezembro de 2007. Assim, e como é evidente, não poderá contar como aumento em 2008. Nem em 2007. Nem em 2009, já agora;&lt;br /&gt;2) Assim, trata-se apenas e só do 175.986º aumento do ano, o que vem reforçar a ideia sempre defendida pelo Executivo de que um aumento por hora era chato; vá lá, demais, pronto;&lt;br /&gt;3) Regozija-se, também, o Ministério, por se estar a conseguir evitar a entrada no nosso país da crise internacional mas não dos chouriços da Vidigueira &lt;em&gt;made in&lt;/em&gt; China, por sinal pesados &lt;em&gt;comó caraças&lt;/em&gt; para o estômago;&lt;br /&gt;4) Como é evidente, só com grande esforço de todos poderemos levar de vencida esta crise que, efectivamente, não existe, e é apenas inventada pelos palermas da oposição, que nem um líder conseguem ter. Têm, quando muito, a Helena Roseta que, ainda por cima, não é mais que o Manuel Alegre travestido com uma saia em 2ª mão, digo, peida (por isso e só por isso nunca alguém os vê juntos, seus cocós!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 14 de Maio de 2008 e, simultaneamente,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 1 de Janeiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Pelo) Ministro Manuel Pinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé, um gajo que ninguém sabe quem é mas que o ministro há-de descobrir porque é inteligente à brava &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-9036187268606475042?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/9036187268606475042/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=9036187268606475042' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/9036187268606475042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/9036187268606475042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/05/comunicado-de-imprensa-do-ministrio-da.html' title='Comunicado de imprensa do Ministério da Economia sobre os aumentos dos combustíveis'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5088541701857101651</id><published>2008-05-10T02:37:00.001+01:00</published><updated>2008-05-12T18:18:09.676+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Já passaram tantos anos e eu ainda te esqueço (sabes?)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já passaram tantos anos e eu ainda te esqueço – suor da lua, desejo incontrolável, sorriso aberto, encontro de mil desejos que nem consigo desejar, pôr-do-sol mais que tardio, corpo quente, olhar hipnótico de todo e qualquer sentido que ainda estou por definir e longinquamente imaginar. Enfim... mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, a cada dia que passa esqueço mais e mais a cor dos teus olhos, o som do teu orgasmo, o cheiro infindo da tua pele, a cor de ti e muito particularmente do teu cabelo – não sei porquê mas é verdade –, do teu cabelo, qual impossível, improvável esboço de corpo, espaço feminino definitivo, recanto encantado do desejo, pão à espera da fome. E não quero, juro-te, não quero, não quero que isso aconteça, mesmo, mesmo, por mais que te relembre e me esforce à brava à brava e à brava e te esqueça sem dar por isso, dando-me, sacrificando-me, dando-me sempre à tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...E depois - sabes? - não sabemos aproveitar nada.. Há 20 anos atrás estávamos no Paraíso, conduzidos pelo Brian Adams e pelos nossos desejos adolescentes. E hoje, estamos onde?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje? Hoje nem sequer sei porque ainda aqui estou, porque escrevo, porque Te escrevo - tu que és a minha maiúscula preferida - porque ainda ouço as dez milhões de biliões de músicas (lentas, sempre lentas, sabes?) que ouvia e ouço e ouvirei, quando tu és o meu enorme, pequeno, particular anjo com sexo, excelso pedaço e pormenor de Paraíso, que eu não vejo, que não toco, mas que me faz falta - sim, que me falta tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois (sabes?) sobra sempre a música, sobram as guitarras, o refrão da sede, do cio, do estar à tua espera – pior que tudo, a tua recordação, sempre presente como uma marca de fogo, como um pontapé nos tomates, como um grito de uma puta ferida sem orgulho, como um instancável sangue de ti que me percorre as estranhas profundezas das entranhas, até se dissolver nas infindas, prementes, urgentes, queimadas imagens de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior de tudo (sabes?) é que te vou esquecendo em cada vez que te relembro – aprendi há uns dias atrás que o cérebro aprende os erros. Digo bem – aprende os erros e não aprende com os erros. Ou seja, habitua-se a eles e repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os, repete-os.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto que não te consigo esquecer - por mais que te relembre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto tanto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esqueci-me – da palavra “dor”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Amo-te tanto – tanto &lt;span style="font-size:85%;"&gt;tanto&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;tanto&lt;/span&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5088541701857101651?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5088541701857101651/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5088541701857101651' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5088541701857101651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5088541701857101651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/05/j-passaram-tantos-anos-e-eu-ainda-te.html' title='Já passaram tantos anos e eu ainda te esqueço (sabes?)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-6264186504435120544</id><published>2008-05-05T19:36:00.001+01:00</published><updated>2008-05-05T19:48:01.002+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Trigóleo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Mas o que é que julgas que estás a fazer?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava farto. Mas é que era todos os dias o mesmo. Sempre que comia alguma coisa, uma reles &lt;em&gt;carcacita&lt;/em&gt; que fosse, lá vinha ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que é que julgas que estás a fazer?! Pára de comer imediatamente senão não temos combustível suficiente para ir visitar a minha mãe este fim-de-semana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia emagrecido dez quilos (“até que estás com muito melhor aspecto, Alfredo” – o que essa frase o irritava!) desde que Portugal assinara o acordo europeu sobre biocombustíveis e a mulher se tornara tresloucadamente patriota. Para o carro ia o &lt;em&gt;fillet mignon&lt;/em&gt;, o churrasco com os amigos, a cervejola do futebol, o pudim &lt;em&gt;flan&lt;/em&gt; do boca doce e, para ele, os (eventuais) restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que é que julgas que estás a fazer?! Então e como é que amanhã querias que eu levasse os miúdos à escola, hã? A pé, seu egoísta?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, o carro arrotava na garagem, atestado que estava de bifes do lombo com puré de maçã. Tinha de fazer alguma coisa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi. Um dia, ao acordar, sua eco-esposa não o viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deve estar a comer o doce de ginja que estou a guardar para irmos ao Gerês, aquele safado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu para a cozinha. Nada. Procurou na sala. Nada. Despensa, quartos dos miúdos, casas de banho. Nada, sempre nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde se terá metido? – repetiu-se intrigada e, simultaneamente, furiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em desespero de causa, foi até à garagem, o único sítio onde ainda não tinha ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que é que julgas que estás a fazer?! – gritou em pânico mal o viu sugando sofregamente, por uma palhinha de plástico, uma bela de uma refeição completa (variada e bem equilibrada do ponto de vista nutricional, diga-se) do depósito de combustível do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumprimentou-a com um arroto, o primeiro desde há muito, muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuou a sugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;__________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NOTA&lt;/strong&gt;: Este foi o meu pequeno, minúsculo contributo (obviamente parvo) para tentar despertar algumas consciências para o crime que é, actualmente, a produção de biocombustíveis. Infelizmente, Portugal, qual novo rico de tudo o que parece "verde" - curiosamente liderado por um antigo secretário de estado do ambiente com nome de grande pensador e filósofo -, está a aderir entusiasticamente à moda, ao ponto de querer, inclusivamente, antecipar a meta dos 10% (dos combustíveis totais) preconizada pela União Europeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sublinho o que é óbvio: esta pseudo-ecologia, somada à especulação mundial do petróleo que se expandiu, qual vírus, para os bens alimentares essenciais, começa a trazer gravíssimas consequências para toda a Humanidade, principalmente - e como sempre -, para os que nada têm. A não ser fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescento extracto de um artigo do “Diário de Notícias” que me parece bastante elucidativo do problema que temos – todos – em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Biocombustível é "crime contra a Humanidade"&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O perito das Nações Unidas Jean Ziegler pediu a uma comissão da Assembleia Geral da ONU uma moratória de cinco anos na produção de biocombustíveis, para permitir desenvolver novas tecnologias e estabilizar os preços dos alimentos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num só ano, o custo do trigo duplicou e o de milho quadruplicou, devido ao crescente interesse nos biocombustíveis, considerados boa alternativa ao petróleo. Mas, para o sociólogo suíço, estes produtos são "um crime contra a Humanidade".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Segundo diz o perito da ONU, os biocombustíveis estão a provocar o aumento vertiginoso no preço dos alimentos, com potenciais efeitos catastróficos nos países em desenvolvimento, sobretudo nas camadas mais pobres da população.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uma em cada seis pessoas passa fome, ou seja, um total de 854 milhões. O flagelo atinge as crianças de forma desproporcionada. Segundo a ONU, o planeta produz alimentos suficientes para alimentar 12 mil milhões de seres humanos, quase o dobro da população mundial. Mesmo assim, o número de pessoas severamente mal nutridas subiu, nos últimos 30 anos, de 80 milhões para 200 milhões. Em cada dia que passa, morrem de fome, ou das suas consequências directas, 100 mil pessoas.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Por outro lado, a ciência está a evoluir depressa no campo dos biocombustíveis, acrescentou Ziegler e, "em apenas cinco anos, será possível produzir bioetanol e biodiesel a partir de restos agrícolas". O perito referia-se às partes celulósicas das plantas, hoje inúteis, em vez de milho, trigo e cana de açúcar. Os cientistas também estão a estudar alternativas, como o de um arbusto, Jatropha Curcas, que cresce em zonas áridas, impróprias para a agricultura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um exemplo adiantado por Ziegler é o do milho, um dos alimentos menos eficientes nos biocombustíveis. São precisos 250 quilos de milho para produzir apenas 50 litros de bioetanol. Aquela quantidade permitiria alimentar uma criança durante um ano inteiro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-6264186504435120544?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/6264186504435120544/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=6264186504435120544' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6264186504435120544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/6264186504435120544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/05/trigleo.html' title='Trigóleo'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1855494958353254149</id><published>2008-04-29T19:32:00.001+01:00</published><updated>2008-04-30T11:19:52.369+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Odete, a vaquinha sem qualquer sentido existencial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Sabes a Odete?&lt;br /&gt;- Qual Odete, aquela vaquinha sem qualquer sentido existencial?&lt;br /&gt;- Sim, essa. Ela...&lt;br /&gt;- Desculpa, espera aí. Tens a certeza que é sobre a mesma Odete que falamos, aquela que é uma vaquinha sem qualquer sentido existencial?&lt;br /&gt;- Tenho, garanto-te. Dizia eu que ela... mas... espera. Agora que falas nisso, digo-te, tens razão; é mesmo inacreditável... é que ela não tem qualquer sentido existencial.&lt;br /&gt;- Olha, eu cá sempre disse isso. A princípio as pessoas não acreditavam em mim mas, a pouco e pouco, começaram a perceber que era mesmo assim – ela, de facto, não tem qualquer sentido existencial.&lt;br /&gt;- É como dizes, chega a ser assustador. É que não tem nenhum, nenhum mesmo, nenhum sentido existencial. É espantoso!&lt;br /&gt;- E digo-te ainda mais: há pessoas que têm varizes, outras cães... tudo bem! Mas agora não ter qualquer sentido existencial... valha-me Deus!&lt;br /&gt;- Plenamente de acordo! Ainda ontem comentava isso com uma amiga minha. É que já vi de tudo nesta vida, incluindo as ceroulas do teu marido, mas uma coisa daquelas, nunca!&lt;br /&gt;- Por acaso eu também já vi muita coisa, até os &lt;em&gt;boxers&lt;/em&gt; rosa às flores com uma cobrita foleira que o teu namorado usa, mas como aquilo, não! Nunca vi nada assim – nenhum, mas nenhum, sentido existencial!&lt;br /&gt;- E o teu marido, com aquelas manias do sexo anal na cozinha polvilhado com coentros e açafrão, assobiando cantigas de amigo feitas por D. Diniz em homenagem a um pinheiro pelo qual se havia apaixonado?! Eu a pensar que isso era o cúmulo e sai-me na rifa aquela Odete, sem qualquer sentido existencial! Caramba!&lt;br /&gt;- Tens toda a razão. Mas olha, digo-te mais: quando o teu namorado trouxe o padeiro, o farmacêutico, dois cães vadios, uns suspensórios castanhos, um cozinheiro chinês, três candeeiros ucranianos e um pão de mafra para se juntarem a nós numa cama de água aos guinchos, eu pensei que isso era demais. Mas não! A falta de sentido existencial da Odete ultrapassa tudo! Chiça!&lt;br /&gt;- E digo-te mais ainda: quando o teu marido se pôs todo nu em cima do meu armário aos gritos a imitar o Tarzan com uma fotografia tua a fazer de macaca na mão projectando slides do Egipto cheios de pirâmides tão provocadoramente descascadas ao ponto do próprio Nilo ter tido uma erecção e logo depois entrou no quarto o meu &lt;em&gt;chihuahua&lt;/em&gt; cheio de gás e de “agás” e de pulgas e de língua de fora seguido pelo tipo que estava a arranjar o lavatório da cozinha vestido apenas com botas de borracha atestadas de chulé com &lt;em&gt;pedigree&lt;/em&gt; de esturjão por sua vez perseguido pelos gritos apoplécticos de “quem é que me gamou a reforma?!” dados por uma cadeira de rodas com o avô de alguém acoplado e incorporado na engrenagem e depois disso ainda uma fulana da vida com umas mamas que chegam meia hora antes dela a qualquer lado quais trombetas histericamente anunciadoras de &lt;em&gt;overdose&lt;/em&gt; de libido e cuja mãe fugiu à nascença do rossio com medo do tigre da malcata e também por respeito às aves canoras da ribeira formosa que só se reproduzem à trigésima terceira quarta-feira de cada ano isto caso não esteja muito barulho a temperatura do banho seja de 23,47 graus centígrados e não haja &lt;em&gt;voyeurs&lt;/em&gt; da Quercus a masturbarem-se por perto, aí sim, aí eu achei que tinha chegado ao limite. Mas não, tens toda a razão - a falta de sentido existencial da Odete ultrapassa isso tudo. De &lt;em&gt;caretas&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;- E deixa que ainda te diga: Mas... espera lá... o que é que me querias dizer sobre a Odete?&lt;br /&gt;- Qual Odete, aquela vaquinha que não tem qualquer sentido existencial?&lt;br /&gt;- Sim, essa.&lt;br /&gt;- Pediu-me para te mandar cumprimentos.&lt;br /&gt;- Ah, obrigada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1855494958353254149?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1855494958353254149/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1855494958353254149' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1855494958353254149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1855494958353254149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/odete-vaquinha-sem-qualquer-sentido.html' title='Odete, a vaquinha sem qualquer sentido existencial'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1806997562195659789</id><published>2008-04-25T18:20:00.000+01:00</published><updated>2008-04-25T18:23:44.539+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>"Felor"</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SBITd9s5eHI/AAAAAAAAAA0/vAe8A5s6fMU/s1600-h/cravo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5193234725811615858" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SBITd9s5eHI/AAAAAAAAAA0/vAe8A5s6fMU/s200/cravo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meu primeiro ditado da primeira classe dei um erro – nunca o esqueci – na palavra “flor”, por mim então acrescida de um “e” (curiosamente, de “erro”) ficando, então, uma bela de uma “felor”. Lembro isto, provavelmente, por ser 25 de Abril e a versão lusíada de Che Guevara ser um cravo - com a suprema vantagem sobre a revolução cubana de haver sempre muitos, renováveis todos os dias, todos os anos, e nunca alguém ter conseguido clonar o Che sem ser em camisolas e &lt;em&gt;posters&lt;/em&gt; de adolescentes retardados (como eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram 34 anos desde 1974. Hoje não tenho casa - vivo debaixo dos pedaços ainda de pé de uma estranha ponte entre mim e os outros que eu próprio vou destruindo -, não tenho ossos comemorativos para virem daí pá, não conheço a quem oferecer um cravo e os cravos internéticos não têm cheiro, nem sequer a imberbe mas revolucionário suor militar. Mas isso que importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa é que passaram 34 anos desde 1974 e apesar de andarmos quase todos tesos podemos dizê-lo em público, vivemos em desesperança quase crónica, mas sabemos que temos o país de volta. Entretanto, construímos pontes para a europa e para o mundo, já não somos só postais ilustrados e provincianos, discutimos ideias e ideais e merdas do catano, tropeçamos e atrapalhamo-nos uns aos outros mas acabamos sempre por nos levantar, já não há a fome que havia, o silêncio que havia, o medo que havia, o obedientemente correcto que havia, os analfabetos agora são todos diplomados, já não há guerra nem aparecem mais estropiados nem loucos do que os estritamente necessários para o (des)equilíbrio do planeta e – o mais fantástico de tudo! - até o Rexina pôde voltar a ser Rexona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que importa, mesmo, mesmo, é que é 25 de Abril! Por isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mais um golo – eh lá, esta está quase a acabar...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;venham daí esses ossos, “felor”!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1806997562195659789?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1806997562195659789/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1806997562195659789' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1806997562195659789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1806997562195659789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/felor.html' title='&quot;Felor&quot;'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_LcwV3JqjtyY/SBITd9s5eHI/AAAAAAAAAA0/vAe8A5s6fMU/s72-c/cravo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5412429593201975881</id><published>2008-04-24T17:27:00.000+01:00</published><updated>2008-04-24T17:28:45.826+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Vícios</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Pára de beber, é todos os dias e todas as noites, que vício horrível!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei de beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pára de fumar, é que é a toda a hora a mesma coisa, que vício nojento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei de fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre a ver futebol na televisão, é todos os fins-de-semana sem parar, que raio de vício!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei de ver futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, depois de ter largado tão tenebrosos vícios e quando, supostamente, deveria andar por aí assobiando felicidade, passei a sentir-me miseravelmente infeliz. Mas há que encarar a realidade - de facto ela tinha razão, os vícios são coisas terríveis com que há que cortar. Resolvi, então, tomar uma decisão radical e acabar com o maior deles – obedecer à minha mulher. Assim fiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sim, sou verdadeiramente feliz, fumando e bebendo o que quero e me apetece, enquanto vejo futebol na televisão. Já não era sem tempo livrar-me daquele vício. Chiça!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5412429593201975881?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5412429593201975881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5412429593201975881' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5412429593201975881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5412429593201975881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/vcios.html' title='Vícios'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-580505807487379194</id><published>2008-04-18T21:48:00.001+01:00</published><updated>2008-04-18T21:53:45.489+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Antunes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;I&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando o Antunes reparou que estava nu, no meio da rua, toda a gente a olhar,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Antunes, que foste tu fazer, como é que aqui chegaste?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deu-lhe, de repente, um &lt;em&gt;clique&lt;/em&gt; e resolveu apenas aquecer, aquecer apenas ao sol tímido da Primavera, temperado por uma brisa com um estranho cheiro a limonada. Ou a infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali ficou, apenas e só a saborear aquele momento, por mais estranho que ele fosse, há que aproveitar, a vida passa demasiadamente depressa para que se consiga ter momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antunes, até que nem é nada mau, bem bom mesmo, já devias ter feito isto há mais tempo, pá!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um polícia chegou e lhe perguntou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas que raio é que você julga que está a fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dando-lhe com o cassetete antes de ouvir a resposta, Antunes limitou-se a sorrir, ansioso de séculos e esperas que estava por qualquer contacto humano. Por mais ignóbil que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antunes, tu também sangras, estás mesmo vivo, fixe!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mais que sorriu - deu uma gargalhada que se ouviu num raio de 50 anos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O polícia anotou toda aquela estranheza no seu pequeno e preto e gasto caderno das ocorrências, levando-o para a esquadra de Santa Marta, para interrogatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabou condenado e perpetuamente preso à sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o Antunes reparou que estava morto, no meio da rua, toda a gente a olhar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Antunes, que foste tu fazer, como é que aqui chegaste?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deu-lhe, de repente, um &lt;em&gt;clique&lt;/em&gt; e resolveu apenas continuar morto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-580505807487379194?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/580505807487379194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=580505807487379194' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/580505807487379194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/580505807487379194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/antunes.html' title='Antunes'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-3041170876763728219</id><published>2008-04-12T18:03:00.000+01:00</published><updated>2008-04-12T18:05:35.650+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>A minha paixão por ti vista de uma estranha janela</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando as palavras ficaram paradas a olhar-te, percebi que não era só eu que me apaixonara por ti. Havia todo o resto do Mundo. E os castores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e hoje ainda serás, por certo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;linda de fazer parar o trânsito - incluindo o intestinal. De facto, até a própria Terra parava de rodar quando, a cada dia, amanhecia apenas e só por ti – o que fazia com que o tempo também parasse e a Swatch fosse quase à falência. Mas isso eram “peanuts”, comparado com o que a minha alma inchava, com o que o meu peito doía, com o que o meu corpo tremia. Com o quanto eu te desejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram anos, muitos. Demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje sobras-me nas canções lentas, no pôr-do-sol feito laranjada, no amanhecer ao som do anúncio da Nescafé, nos cascas dos primos dos camarões tigre do nosso primeiro encontro, nas imperiais saudades de ti, na poesia que me engasga e tusso mas que me ajuda a sobreviver, no tempo a mais que me vai faltando, faltando sempre, no ar sem ti que respiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as palavras ficaram paradas a olhar-te, percebi que não era só eu que me apaixonara por ti. Havia todo o resto do Mundo, incluindo o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por isso calo-me, enquanto o vento te assobia na estranha janela onde vou esperando. Por ti, não por Godot.) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-3041170876763728219?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/3041170876763728219/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=3041170876763728219' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3041170876763728219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/3041170876763728219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/minha-paixo-por-ti-vista-de-uma.html' title='A minha paixão por ti vista de uma estranha janela'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-2880090500350750290</id><published>2008-04-09T13:48:00.004+01:00</published><updated>2008-04-11T17:17:47.426+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comentário'/><title type='text'>Ver ou não ver, eis a questão – a propósito do mais famoso vídeo escolar português</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de milhões de assassinados na China por um regime absolutamente nojento sem que ninguém se importasse muito, foi filmada a barbárie do exército chinês, incluindo esmagamento de pessoas com tanques, na Praça Tiananmen. Aí já toda a gente achou que aquilo era uma ditadura, cambada de malandros e tudo o mais. É claro que, como nunca mais se filmou “nada de especial” – então agora, com os Jogos Olímpicos à porta... -, afinal a China até que nem é tão má assim (tanto mais que lá até se fazem uns investimentos económicos fixes...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 200 mil mortos sem que ninguém tenha visto e, consequentemente, sem que tivesse acontecido, foi filmado o ataque do exército indonésio no cemitério de Santa Cruz, em que morreram mais centena e meia de timorenses. Aí já o Mundo inteiro achou escandaloso e, como consequência, começou o “empurranço” para a saída da Indonésia de Timor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando centenas de alunos levaram armas para a escola, outras centenas agrediram colegas, professores e funcionários mas tudo isto sem ter sido filmado, nada disso aconteceu. No entanto, após uma “luta de telemóvel” entre professora e aluna ter ido parar ao YouTube, afinal era o caos da autoridade, não havia respeito nenhum, estava tudo pelas horas da amargura. Então o procurador mexeu o rabo, o presidente indignou-se, as televisões rerererepetiram o vídeo até ao vómito, os professores acharam que a culpa era do ministério, o ministério achou que a culpa era dos pais e dos professores, os pais acharam que a culpa era dos professores e do ministério, e por aí fora em lindíssimos círculos de irresponsabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será que não é óbvio que, na sociedade “fast-food” em que vivemos e nos deixamos viver, tudo isto era inevitável, não sendo este um caso isolado mas sim um exemplo representativo do que realmente se passa na nossa sociedade e, em particular, nas escolas portuguesas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pequeno pormenor - os alunos são crianças e, em grande parte, mal formadas e mal educadas. Mas de quem é a culpa, afinal? Verdadeiramente, é de todos nós, “educadores” (independentemente de sermos pais ou professores ou ambos), que deixámos, por comodismo e inércia, que a nossa sociedade chegasse onde chegou. Crianças que não lêem e estudam por resumos, crianças que sentem um fosso cultural e de postura entre eles e os professores, crianças em que o carinho dos pais se mede no número de jogos para as consolas, crianças que acham que tudo podem fazer porque “ainda têm mais sete vidas”, crianças que só dialogam por “Messenger” abreviando palavras e sentimentos, crianças que passam mais tempo em frente a um computador que a um ser humano, crianças que não conseguem – e já nem querem - ter tempo (ou, no mínimo, tempo de qualidade) com as famílias, crianças que não criam laços afectivos porque não as ensinámos a criar, crianças em que o “bullying” é a sua grande forma de contacto físico umas com as outras, crianças tratadas nas escolas como “o coitadinho que não pode ser chamado à atenção” que se tem vindo a fomentar no ensino português, crianças cobaias de constantes reformas criadas por uns génios do ministério que nunca devem ter visto uma criança à frente, crianças “deixadas andar” nas escolas, em casa, na rua, na vida, essas crianças são os monstros que criámos e, consequentemente, os alunos que temos. Por nossa causa, os (maus) educadores cheios de (boas) teorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito - os alunos são só e apenas as crianças que nós criámos e que temos. Na escola, em casa, na rua. E, infelizmente para elas, com consequências para toda a sua vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuemos, então, a olhar para o lado (com o espírito "não vemos, logo não acontece") que, no futuro, quando as crianças de hoje forem os adultos de amanhã, o brilhante resultado estará ainda bem mais à vista. E no YouTube.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-2880090500350750290?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/2880090500350750290/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=2880090500350750290' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2880090500350750290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/2880090500350750290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/ver-ou-no-ver-eis-questo-propsito-do.html' title='Ver ou não ver, eis a questão – a propósito do mais famoso vídeo escolar português'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-5617344260222552985</id><published>2008-04-07T10:12:00.000+01:00</published><updated>2008-04-07T10:13:52.029+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><title type='text'>Estranhas formas de vida (VI)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quase todas as noites, desde que há mais de meio século se haviam casado, ela preparava-lhe uma bela posta de peixe cozido para o jantar. “Ele adora este prato!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não te esqueças de pôr uma cebola na água da cozedura – recomendava-lhe ele. Ela assim o fazia. “Ele adora mesmo este prato!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais anos, iguais, sempre iguais, se passaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto ele morreu. No funeral, a irmã dele sentou-se ao lado dela. Sem qualquer tema de conversa mais interessante e tendo, obrigatoriamente, que falar,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nos funerais – toda a gente sabe - é fundamental estar sempre a falar, não parar nunca, não vá a Morte baralhar-se sobre quem é que é o morto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acabaram por resvalar para a culinária, consequência da maior parte de suas vidas ter sido passada na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela sua cunhada descobriu, então, que ele sempre detestara peixe cozido. A cebola era só para tentar disfarçar o sabor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-5617344260222552985?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/5617344260222552985/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=5617344260222552985' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5617344260222552985'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/5617344260222552985'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/estranhas-formas-de-vida-vi.html' title='Estranhas formas de vida (VI)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1761404195081306964</id><published>2008-04-02T18:51:00.000+01:00</published><updated>2008-04-02T19:00:50.069+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Relatividades</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Bzzzzzzzzz&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim?&lt;br /&gt;- &lt;em&gt;Xôdôtor&lt;/em&gt;, está aqui o sr. Abrantes para si. Mando entrar?&lt;br /&gt;- Não; dê-lhe um tiro na nuca, por favor.&lt;br /&gt;- Com certeza, &lt;em&gt;xôdôtor&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Pum, pum&lt;/em&gt;!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Bzzzzzzzzz&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Madalena?&lt;br /&gt;- Sim &lt;em&gt;xôdôtor&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;- Já viu o que fez?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Eu disse UM tiro, não dois!&lt;br /&gt;- Desculpe...&lt;br /&gt;- Que não se repita!&lt;br /&gt;- Sim &lt;em&gt;xôdôtor&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, ao jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem sabes, hoje tive uma chatice no escritório.&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Não é que me enganei a contar?! Mas deixa, também não foi assim lá muito importante, esquece. Mais batatas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1761404195081306964?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1761404195081306964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1761404195081306964' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1761404195081306964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1761404195081306964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/04/relatividades.html' title='Relatividades'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-7662545643302153996</id><published>2008-03-25T02:00:00.000+01:00</published><updated>2008-03-25T02:03:17.666+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>A máquina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Repartição pública. Era preciso tirar senha. Fundamental. Urgente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao pé da máquina. Aproximei-me para ler as instruções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Senha A para casamentos, senha B para divórcios, senha C para nascimentos e senha D para frangos assados.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linha seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tire a sua senha, por favor.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim senhor, maquineta inteligente e educada. Em todo o caso, se há coisa que me irrita é darem-me ordens – tire a senha mas é o &lt;em&gt;caneco&lt;/em&gt;! Resolvi ripostar. Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tiro! Encostei-me à máquina e não carreguei em nenhum botão. Zero! &lt;em&gt;Nicles&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Toma lá, máquina!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, é que é para isso mesmo que servem as repartições públicas – para esperar.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do visor começaram a escorrer estranhas lágrimas de &lt;em&gt;bytes&lt;/em&gt;. Apesar da óbvia e inevitável comoção, não cedi...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vá lá, tire uma senha, pooooor favoooor....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Decididamente não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Poooor favoooor, só uma, &lt;em&gt;uminha&lt;/em&gt;, vá lá, peço-lhe, imploro-lhe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Napes&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma, só uma, &lt;em&gt;please&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da máquina começou a sair um fumo estranho, enquanto começava a dizer frases sem nexo. Do tipo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jerusalém 4ever, ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, não cedi - não tirei a senha, evidentemente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, quando me pediram a certidão que não tinha, não acreditaram que eu tinha estado, precisamente, na mesma repartição em que, segundo os tablóides, uma máquina das senhas se havia suicidado. Acharam que isso era só acontecia nas telenovelas, os totós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e – pior que tudo - ainda não perceberam que as telenovelas são bem mais estupidamente realistas que a própria vida?!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-7662545643302153996?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/7662545643302153996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=7662545643302153996' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7662545643302153996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/7662545643302153996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/03/mquina.html' title='A máquina'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-1943734137842886644</id><published>2008-03-21T11:06:00.000+01:00</published><updated>2008-03-21T11:11:24.763+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto/crónica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='parvoíces'/><title type='text'>Sexta-feira tonta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Então pá, o que é que estão a fazer?! – gritou o coelho, enquanto era levado por uns tipos com um ar estranhamente festivo que o haveriam de pregar a uma cruz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha tido azar. Havia sido apanhado pela Seita das Misturas Tradicionais que, já no Natal anterior, suscitara grande polémica, ao obrigar uma desgraçada qualquer a parir num estábulo, entre uma vaca e um burro, um velho barbudo vestido de vermelho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-1943734137842886644?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/1943734137842886644/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=1943734137842886644' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1943734137842886644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/1943734137842886644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/03/sexta-feira-tonta.html' title='Sexta-feira tonta'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25591662.post-8834933034978523609</id><published>2008-03-17T19:46:00.000+01:00</published><updated>2008-03-17T19:51:21.319+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Citações'/><title type='text'>Citações (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;“Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condleezza Rice e mais membros da administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas [sobre a guerra no Iraque]. Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido... sobre a sua vida sexual."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 17 de Março de 2008 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25591662-8834933034978523609?l=cuotidiano.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cuotidiano.blogspot.com/feeds/8834933034978523609/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25591662&amp;postID=8834933034978523609' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8834933034978523609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25591662/posts/default/8834933034978523609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cuotidiano.blogspot.com/2008/03/citaes-i.html' title='Citações (I)'/><author><name>cuotidiano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05895040756914826979</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
