CUOTIDIANO

sexta-feira, julho 14, 2006

Olá, sou eu

Ao telefone.

- Olá, sou eu
- Sim, e então?
- Então... então, nada. Mas, desculpa lá, qual é o teu problema?
- Hã...?
- Perguntei qual era o teu problema!
- O meu problema?
- Sim...
- Nenhum, isto é, para além de todos os outros que já conheces.
- Então porque é que me falaste daquela maneira?
- Qual maneira, enlouqueceste?
- O quê, não me vais dizer que achas que aquilo era normal...
- Aquilo, o quê?
- Ai o meu canário... estamos a brincar ou quê?
- Hã...?
- Bom, adiante que é para eu não me chatear!
- ‘Pera aí, quem se está a chatear agora sou eu!
- Hã...?
- “Hã” mas é o caraças! Já te disse - Agora sou eu quem se está a chatear...



Inventámos tanta coisa, evoluimos tanto, e ainda conseguimos a extraordinária proeza de nos zangarmos uns com os outros por coisa nenhuma!

Então e...e se esquecêssemos as palavras e nos limitássemos aos gestos, aos desejos, aos abraços, aos “estou aqui contigo, por ti, por mim, e a única razão é apenas e apenas e apenas porque eu sou eu e tu és tu” ou, mais simplesmente ainda, “porque sim” ?

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