CUOTIDIANO

quarta-feira, junho 07, 2006

Lendo o “Público” (2006/06/07)

"Câmara abandona projecto de Gehry para o Parque Mayer"

"O projecto do arquitecto norte- americano Frank Gehry para o Parque Mayer, defendido por Santana Lopes e que já custou à Câmara 2,5 milhões de euros, está à beira de ser definitivamente arquivado".


Alguns factos curiosos:

- Já se gastaram 2,5 milhões de euros (500 mil contos na moeda antiga) e, em contrapartida, só se tem uma maquete;
- 2,5 milhões de euros depois, ainda não existe contrato assinado entre a autarquia e Frank Gehry;
- Se o arquitecto norte-americano quiser recorrer à lei portuguesa, nomeadamente à que regula o cálculo de honorários para projectos de obras públicas (portaria de 7/2/1972), ainda terá direito a muito mais dinheiro, já que a mesma, no seu arigo 12º, parágrafo 4, estipula que "se o dono de obra mandar suspender, temporária ou definitivamente, a elaboração do projecto, o autor terá direito aos honorários correspondentes às fases já entregues ou em elaboração e a mais uma indeminização pelos prejuízos emergentes da decisão tomada";
- Numa estranha coincidência, o actual presidente da Câmara que, agora, vai deixar cair o projecto, chama-se Carmona Rodrigues; por outro lado, o antigo vice-presidente de Santana Lopes que, na altura, apoiava o projecto, também se chamava Carmona Rodrigues. Serão gémeos? Curiosamente também, foi o mesmo partido (PSD) a vencer as duas eleições;
- Um dos estranhos e ruinosos contornos deste negócio foi a permuta de terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular, efectuada entre a autarquia e a empresa Bragaparques, já que não existia (nem existe) qualquer plano para a zona do Parque Mayer e os terrenos do local da antiga Feira Popular localizam-se numa das áreas mais apetecíveis de Lisboa para a construção - bastará perguntar a qualquer investidor/constructor que terreno preferiria que se terá sempre a mesma resposta óbvia; ou seja, a Bragaparques ficou com a carne e o erário público com o osso;
- A permuta de terrenos atrás referida foi o "melhor negócio imobiliário feito em Lisboa" - Fontão de Carvalho, vice-presidente da CML, 7 de Dezembro de 2005. in "Diário de Notícias";
- Gastaram-se 2,5 milhões de euros em nada, perderam-se anos e, apesar disso, ninguém será responsabilizado. (Esta previsão também entra aqui no capítulo dos factos, pois não tenho qualquer dúvida que será o que vai acontecer – se até o Avelino Ferreira Torres se vai safando...).

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