CUOTIDIANO

quinta-feira, novembro 22, 2007

Por que no piensa usted?

O Chavez é muito grosso (e foi parvo), o rei é muito fino (mas foi grosso), mas quem esteve mesmo bem foi o seu humilde sapateiro, perdão, Zapatero.

Também acho que Chavez se está a tornar um perigo para a região, tanto mais que não basta ganhar eleições - é preciso manter a democracia em funcionamento, o que não me parece que esteja a acontecer. Mas, por mais gozo que me tenha dado - e deu, confesso! - o rei tê-lo mandado calar, não o deveria ter feito, já que, goste-se ou não, Chavez é o Chefe de Estado da Venezuela, um país soberano e, para grande desilusão do rei, já não sob o jugo espanhol. Relembro que, para manter a ordem, estava lá a presidente da mesa. Ainda por cima não me parece que o rei – que está naquele cargo apenas porque nasceu, não porque tivesse sido eleito - tenha legitimidade, sequer, para mandar calar um espanhol em Espanha...

No entanto, posteriormente viu-se que, afinal, Chavez não é parvo nenhum - montou uma armadilha (na qual o palerma do rei caiu) e já está a lixar, conforme pretendia, as petrolíferas espanholas na Venezuela, agora com uma (boa) desculpa. E a comunidade espanhola também começa a ficar preocupada.

Parece evidente que o rei deveria, ao menos, saber que o princípio básico da diplomacia é engolir sapos educadamente - como, aliás, fez o seu humilde sapateiro, perdão, Zapatero.

Bom, isto já vai longo - por isso piro-me antes que alguém me mande calar!

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2 Commenários:

  • Estou de acordo com o exposto.

    Reservo-me no entanto o direito de dizer que o "venezuelano" foi eleito democraticamente, mais do que uma vez, pela população do seu país.

    Mais: a população venezuelana mais desfavorecida - dos tempos de outros governos - está hoje a viver acima da média de povos de muitos outros países (ditos- não sei porquê - de mais democráticos).

    Por isso o homem corre o "risco" de ser de novo eleito, quer ganhe ou não o referendo de 2 de Dezembro próximo, sobre a reforma constitucional proposta por ele próprio, Hugo Chávez, e pelo parlamento venezuelano.

    Será que só porque Chavez não suporta o presidente americano - nem se deixa comer pelas elites económicas yankys - é que deixou de ser democrata?

    Pode-se desconfiar dos seus eventuais intentos de acabar com as liberdades fundamentais, mas até aqui ninguém lhe pode apontar o dedo. O que tem feito é opor-se a injustiças sociais que eram a marca daquele país.

    O povo estará satisfeito e pronto.
    .............
    Respeito no entanto as opiniões opostas.

    Um abraço e bom fim de semana.

    By Blogger zé lérias, at 24 de novembro de 2007 às 04:22  

  • Sobre a legitimidade democrática de Chavez, eu escrevi "não basta ganhar eleições - é preciso manter a democracia em funcionamento", coisa que não me parece que esteja a acontecer, nomeadamente com o silênciamento de tudo o que não lhe agrada, o fecho de televisões de oposição, a criação de um "talk-show" próprio (era semanal e passou a diário de horas!), a intoxicação da população com propaganda... Não tendo nada a ver com Hitler, obviamente, relembro que este último também foi eleito; ou seja, conforme referi atrás, o ser eleito não é critério que baste, é necessário manter a democracia em funcionamento.

    Eu também não suporto o presidente norte-americano (e felizmente a maioria do povo norte-americano também já não) e não deixo de ser democrata por isso. Mais uma vez, não é critério.

    "Pode-se desconfiar dos seus eventuais intentos de acabar com as liberdades fundamentais, mas até aqui ninguém lhe pode apontar o dedo." - Discordo em absoluto!

    "Respeito no entanto as opiniões opostas. Um abraço e bom fim de semana." - Concordo em absoluto!


    PS - Caro amigo: as polémicas são sempre bem-vindas - apareça sempre! Um abraço.

    By Blogger cuotidiano, at 24 de novembro de 2007 às 14:08  

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