CUOTIDIANO

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Os sapos são do caraças!

Nesse dia acordou mais cedo, tinha algo de importante a fazer antes do trabalho. Levantou-se, dirigiu-se à casa de banho, de caminho gritou “Vive la France!” – como sempre faz quando vai à casa de banho -, higiene matinal, pequeno-almoço e lá saiu, apressado, de casa. Cruzou-se com a vizinha do 5º andar - que também gritava “Vive la France!” mas (vejam bem a falta de maneiras!) sempre antes do almoço -, disse “bom dia” à porteira que lhe respondeu com um arroto extremamente afável (roçando quase o “muito giro”) e ei-lo na rua a correr para a paragem.

Apanhou o autocarro, dirigindo-se à loja dos sapos deprimidos. Tentou comprar um mas, naquele dia, o único disponível tinha apenas um ligeiríssimo complexo de Édipo, o que não o tornava suficientemente deprimido. Não servia, portanto. Tentou a loja dos sapos apenas tristes. “Sabe, morreu-me há pouco uma avestruz asfixiada na areia; ando muito necessitado de uma companhia verdadeiramente solidária”. O vendedor não se comoveu, habituado que estava a toda aquela tristeza batráquia. “Acabámos de receber um carregamento excepcional, quer vir ver?”

Feliz, saiu da loja com o seu novo amigo que, obviamente, chorava lágrimas lacustres. Que contentamento, que bem-estar e tranquilidade isso lhe transmitia!

Chegou ao escritório. Orgulhoso, mostrou a todos o sapo - que continuava a chorar, claro, só que mais ligeiramente. “Tu queres ver que se lhe estão a acabar as pilhas?”, pensou.

Estava ele nestas conjecturas quando, saltando selvática e fogosamente por detrás de uma fotocopiadora, surgiu o chefe e comeu-o. Ficou tudo boquiaberto. Incluindo o próprio chefe.

Claro está que, ao ver toda aquela cena, o sapo cuspiu o Prozac e desatou a rir. Até duas horas e meia depois (mais ou menos). É o tempo que dura o efeito do humano engolido, evidentemente.

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5 Commenários:

  • Caro Cuotidiano

    Soube há pouco tempo que «O Sapo» é, na superstição cigana, um ícone que simboliza agouro e má fortuna.

    Os sapitos de loiça que eu costumava ver à entrada de muitas das lojas do pequeno comércio de Lisboa e do Porto, ganharam então um significado.

    "Sapos para afastar ciganos" - Uma espécie de racismo explicíto camuflado em «inocentes» figuras de loiça saida das fabriquetas das Caldas, evidentemente.

    Sapos caldenses que já não são os celebérrimos falos, mas antes figurações usadas como «espanta ciganos».

    PS. Tal como o Diabo, o racismo tem muitas formas.

    Um abraço

    Madrigal

    By Anonymous madrigal, at 21 de fevereiro de 2007 às 11:31  

  • Sempre soube que tentar rechear sapos de Prozac só podia dar mal resultado... Que tal tentar com Xanax e dá-los de presente a esse chefe esfomeado?

    Obrigado pelo riso logo de manhã, meu caro.

    By Blogger Nuno Guronsan, at 21 de fevereiro de 2007 às 11:41  

  • Em casa sapo pode estar um príncipe... Essa é que é essa! :-P

    By Blogger APC, at 22 de fevereiro de 2007 às 02:05  

  • Sapos? brrr
    Rãs ainda vá.
    Um abraço

    By Blogger Zé Lérias, at 22 de fevereiro de 2007 às 03:47  

  • * "Em casa" = "Em cada"

    Toma lá um beijo em troca do erro!
    :-)

    By Blogger APC, at 25 de fevereiro de 2007 às 05:21  

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