CUOTIDIANO

sexta-feira, outubro 13, 2006

Lendo o “Público” (2006/10/12): “Iraque – Estudo aponta 655 mil mortos desde a invasão”

“Desde a invasão norte-americana, em 2000, morreram cerca de 655 mil iraquianos, civis e militares, o que representa cerca de 500 mortos por dia”


Matemática elementar – Como morreram cerca de 3.000 pessoas no ataque às torres gémeas do 11 de Setembro vem que, em termos médios, a cada 6 dias “caem duas torres gémeas” no Iraque, ou seja, de 3 em 3 dias “cai uma”.

Matemática ainda mais elementar – No total e desde o início da invasão, já morreu no Iraque um número de pessoas equivalente à queda de cerca de 440 torres gémeas.

Corolário dos anteriores – Cada americano vale , até ao momento, cerca de 220 iraquianos.

Curiosidade final – No mesmo dia em que “sai” este estudo, embateu uma avioneta contra um prédio em Nova Iorque, em acidente que provocou dois mortos. Curiosamente, foi esta última notícia que teve honras da quase totalidade dos telejornais, tendo a primeira passado despercebida. Como diria o grande filósofo contemporâneo Mário Jardel “Porque será?”

1 Commenários:

  • Caro comparsa escrevente.

    Acho que a questão reside um pouco na importância que nós, ocidentais - fruto do Humanismo, do Cristianismo, e de muitas «life experiences» que fomos coleccionando ao longo da nossa história - damos à vida humana.

    Morrer na Índia, no Iraque, no Irão, não é o mesmo que morrer em França ou nos EUA.

    Merece mais honras de cabeçaho um acidente rodoviário numa auto-estrada dos EUA, em que morrem 5 pessoas do que uma inundação na Ìndia - demasiado frequentes - ou um abalo sismíco no Irão, onde, em ambos os casos, morrem aos milhares.

    Se reparares, o valor intrínseco da vida humana nas diversas civilizações, é díspare. Prova disso mesmo é a de que uma tragédia num desses paises é noticía de rodapé, nos jornais de grande tiragem mundial, ao passo que um banal acidente rodoviário, ocorrido num país ocidental, pode merecer honras de primeira página.

    As vidas humanas perdidas, nunca são fungíveis, recuperáveis, o valor que se lhes atribui é que, infelizente, varia consoante se trate de um ocidental ou de um «specimen» que reputamos «menor».

    A vida é assim e a crueldade humana ultrapassa a imaginação possível.

    Um abraço

    Jorge Rebelo El Madrigal

    By Anonymous madrigal, at 14 de outubro de 2006 às 09:52  

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