CUOTIDIANO

sexta-feira, novembro 03, 2006

Trilogia do Amor

I
Os lugares são sempre longe
Os abraços são sempre lugares
O teu amor é sempre abraço

Nos lugares por onde passo
Em cada passo perto fico
Do longínquo lugar do teu abraço


II
Sentei-me à tua espera, já sabendo que não virias – É que hoje arrasto comigo um amor cansado, como um espermatozóide que perdeu a corrida e se resigna a acabar anonimamente no Tejo, mumificado em papel higiénico, qual faraó dos vencidos.


III
Numa esplanada, ouvindo a conversa da mesa ao lado.

- .... sabes, é que sempre que surge a oportunidade, deve-se sempre agarrar o Amor com as duas mãos!
- Então... e se se for maneta?
- Bom, então aí agarra-se só com uma – mas com muita força!
- Mas... e se não se tiver nenhuma mão?
- Aí agarra-se o Amor com os pés, mas muito firmemente para que ele não nos fuja!
- E se não se tiver pés?
- Bom, então aí agarra-se com os dentes e aperta-se bem os maxilares!
- Então mas... e se não se tiver dentes?
- Bolas, já não sei, isto do Amor é mesmo complicado!

Com as duas mãos peguei na minha sandes e dei-lhe uma dentada. Felizmente isto da fome é básico.

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