CUOTIDIANO

sexta-feira, julho 06, 2007

Espelhos...

Quando a minha namorada imaginária me deixou, percebi que estava lixado. Nunca mais arranjaria alguém tão perfeito quanto ela - nem sequer fazia cocó!

Assim que soube disso (não do cocó, da fuga) e num ataque de fúria, a minha avó pôs-me fora de casa, já que se davam maravilhosamente, provavelmente consequência de ela já estar morta há dois anos. Definitivamente, estava lixado. Mas adiante.

Isto tudo para explicar o que ontem me aconteceu, ao passar em frente a um espelho. Como sempre faço, evitei olhar, já que este meu aspecto de sem-abrigo desmamado é demasiado angustiante – da última vez que tive coragem de o fazer, vi um flamingo com uma prótese auditiva (o que, pensando bem, até nem foi mau).

Desta vez não resisti. Fiz bem – não é que ali estava, em todo o seu esplendor e beleza, a minha namorada imaginária?! E convidava-me para entrar naquele seu mundo, e que iríamos ser felizes para sempre, e que teríamos três filhos, e que dois deles usariam, de certeza, desodorizante?

Sucumbido aos seus encantos, atirei-me espelho adentro – o que, evidentemente, fez com que se partisse todo, tendo ferido um flamingo surdo que passava despreocupadamente.

A minha avó bateu-me.

(Espelhos...)

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