CUOTIDIANO

domingo, dezembro 24, 2006

A Dor de Mãe - Poema de Natal

Era a manhã de Natal
E fui acordar meu filho adorado
Para abrirmos as prendinhas
E ver o presépio encantado

Mas quando cheguei ao pé dele
- Que grande surpresa a minha
Ia tendo um colapso
Quando lhe abri a caminha

Mal fui para o abraçar
Senti uma ranhoca mole
Tinha havido um feitiço
Meu filho era um caracol

Olhei para ele e perguntei:
- Mas que te aconteceu, afinal?
E ele respondeu, embaraçado:
- Estava grosso, o Pai Natal!

- Fez-me isto sempre a rir
Com um bafo a whisky rasca
Deu-me, de presente, um arroto
E voltou com as renas p’rá tasca!

Então corri logo para o telefone
E chamei um médico que o tratasse
Que veio tão rapidamente
Que até deu mau nome à classe

Mas quando chegámos ao quarto
Disse meu marido, no fim da imperial:
- Vê se temperas melhor os caracóis
Que este não estava nada de especial!

A moral desta história é
Que um pai não deve comer o filho
Pelo menos até ser bem temperado
Com sal, pimenta e tomilho

8 Commenários:

  • Um caracol vai a descer.
    Por aquela parede acima.
    Vai a pensar numa prima.
    O que não tem nada de mal.
    O pior é o Pai Natal.
    E o outro... que o vai comer...
    poetaeusou(prevenido)

    By Anonymous poetaeusou, at 24 de dezembro de 2006 às 18:34  

  • Ahahahah... Grande poeta!
    'Coisinha mai linda! :-)))

    Bem... Ao menos sempre era uma noite de Natal diferente! ;-)

    Quanto aos votos... Bem, os votos...
    Sim, os votos!... Muitos! :-)

    By Blogger APC, at 24 de dezembro de 2006 às 19:49  

  • Gajo,
    Quanta meiguice! Que história mimosa! Um doce! Um doce!
    Ainda bem que a li antes da minha ceia.

    Olha, Mr. S-B, ainda que a gente não queira, é Natal. Aproveito o dia pra te desejar todas as coisas boas que, no dia-a-dia, talvez possa esquecer.

    Um grande beijo.

    By Blogger Leticia Gabian, at 25 de dezembro de 2006 às 00:32  

  • "A Metamorfose" de Kafka, em versão Cuotidiana, lol - não te escaparás à análise desta, não! ;-)

    By Blogger APC, at 25 de dezembro de 2006 às 05:13  

  • Achei muito engraçado o teu poema. Espero que tb visites o meu espaço que ainda ainda em contrução - coisa recente.

    Alkaseltzer

    By Anonymous Anónimo, at 25 de dezembro de 2006 às 17:41  

  • Em vez de estares aí sentado a fazer poemas não que não seja giro e importante mas porque não dizes à APC para parar a birra e voltar a escrever no blog dela uma vez que há demasiadas pessoas que gostam de a ler e isso representa uma desilusão enorme e uma perda para as expectativas que ela gerou ao criar uma pleiâde de leitores atentos e que estavam dispostos a gastar resmas do seu precioso tempo a ler os longos posts que ela escrevia e acho que neste momento nem o teu enorme sentido de humor lhe pode valer uma vez que ela aparafusou as ideias neste sentido e não há nada que a demova de desistir desta obstinação e tal como o Ideafix que é o cão do Axtérix acho que ela não quer dar o braço a torcer mas já se arrependeu um milhão e meio de ir parar com o blog quando podia diminuir o ritmo de post sem ser assim tão radical e morri de exaustão aliás já me cheirava a putrefacção mesmo antes de terminar uma vez que acho que gastei os foles de tanto vos tentar persuadir a não serem mauzinhos com as pessoas e espero que ames o meu novo estilo puro e sadio de escrita como um regresso às origens pois daqui para a frente é só o que te espera e de seguida vou abolir os acentos gráficos e vão-me sair frases do género tenho um cagado no meu quintal e tu ficas sem saber se eu tenho um cágado ou se ando a cagar no quintal como os cães e é bem feita para ti porque queres as coisas virgens e agora vais ter o que mereces e depois vou abolir algumas consoantes desnecessárias e de seguida vou escrever por siglas sem pontuação e sem acentos até ficar como os putos com uma linguagem muito próxima dos chats sem ficar chato e fui mas mando-te um abraço porque nós somos amigos destas brincadeiras e ambos adoramos a provocação tal como nos tempos do saudoso Feliciano Castilho e do Eça e então vamo-nos dando umas bengaladas literárias um abraço amigo do Madrigal XPTO GT com este turbo renovado intercooler com um upgrade de gramática descapotável sem síntaxe ou concordâncias desnecessárias e non passaran liberdad ou muerte la lengua es libre

    By Anonymous madrigal, at 26 de dezembro de 2006 às 02:39  

  • I hear, Roger!
    A birrenta vem aqui deixar-te um beijo na testa (tadinho dele... Cheínho de doces natalícios, o que faz dele um doce só!;-))) e agradecer o recado que me deste a pedido do literariamente-louco-Madrigal, que, aliás, acabo de ler (lol), e a quem preciso esclarecer que não se trata de uma birra ou coiseca outra artificialita, antes pelo contrário: o que começou por ser um necessário e solitário escape, passou a envolver pessoas, sim; e a essas, porque importantes, eu não vou dar tretas e engonhanços e coisas por favor; de modos que, ou escreveria belos frutos da minha inspiração (e essa foi-se, finito, kaput) ou aceitaria uma espécie de "casamento frio" (ah, e tal, porque o companheiro investiu do seu tempo, e agora ia lá abandoná-lo aoo fim deste tempo todo, que isso não se faz, e o melhor é fazer o jeitinho e deixar-me morrer como estou, até porque a infelicidade ajuda e sempre mata mais depressa)... Daqueles como alguns até levam, mas eu não.
    Eu não. Não!
    Eu.

    Non passaran!

    Beijos, pois, aos dois (não te importarás se eu deixar aqui o meu agradecimento à despontualizada e ilimitada gentileza do nosso Madriga-friend, I must presume; até porque o beijo na testa é só teu! :-)))

    E prontus.
    Agora vou por aí, de mãos nos bolsos, fazer p'la vida.
    Over & out.

    Paola, la Passionária! ;-)

    By Blogger APC, at 26 de dezembro de 2006 às 19:26  

  • Não mais voltarei ao Júlio dos Caracóis sem que pense no Pai Natal.

    By Blogger Rui, at 27 de dezembro de 2006 às 17:00  

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