CUOTIDIANO

domingo, dezembro 17, 2006

Lendo “O Público” (2006/12/17) – “Câmara do Porto entrega gestão do Rivoli a Filipe La Féria"

”A Câmara do Porto anunciou hoje a concessão da gestão do Teatro Rivoli por quatro anos, a partir de 1 de Maio de 2007, ao produtor e encenador Filipe La Féria.”


Não posso!... Se há coisa que eu adoro no Natal é uma bela surpresa...

Mais a sério. Num qualquer espaço público, estou de acordo que haja espectáculos, chamemos-lhe, de "massas" (como os do La Féria), mas também tem de haver "espaço" para propostas inovadoras, nem que não tenham quase público nenhum e mesmo que precisem de subsídios - a evolução da arte (e a arte é indispensável à evolução dos povos, sendo dela indissociável) sempre se fez à custa de "incompreensões", formas diferentes de ver, pensar, sentir e transmitir a realidade, análises não coincidentes com as maiorias, projectos utópicos. É evidente que, conjuntamente com aqueles que, de facto, fazem Arte, há uns quantos que se arrastam “disfarçados” de artistas - mas isso é natural e o tempo encarregar-se-á de tratar disso. Não se pode é, à partida, recusar a inovação e a experimentação, por pouco popular e de massas que seja. Julgo que a palavra-chave aqui é "equilíbrio", coisa que me parece que, ultimamente, Rui Rio não tem a noção do que quererá dizer...

Outro aspecto do problema é o equilíbrio financeiro. Um modo simples de o conseguir seria, com parte dos lucros obtidos com os espectáculos de massas, cobrir eventuais prejuízos advindos das tais propostas inovadoras – ter-se-ia, assim, uma situação equilibrada que não só satisfaria o “grande público” como permitiria, também, aos “artistas minoritários” ter o seu espaço de experimentação artística, fundamental para a evolução da Arte.


PS - Já agora, porque é que a gestão pública é má e a privada é boa? Não me digam que não há firmas privadas mal geridas e a falir... A questão é se os gestores são bons ou maus e se lhes são dado meios para cumprir a sua missão, apenas isso.

3 Commenários:

  • Hum... Tás a dar opinião, é? Tens a certeza que é dada, assim tipo "grátes-grátes ma mêmo grátes"? OK. I'll buy it. Mas não dou a minha desta vez. Fico a torcer para que o Pipinho nos surpreenda, como homem do espectáculo que é, e que, tendo tanta mão para a revista, revele também olhos para tudo o que seja teatro e cultura.
    Abráciossss!

    By Blogger APC, at 17 de dezembro de 2006 às 12:41  

  • Cuotidiano.
    Serás tão assim Trivial.
    Como o teu nome ?
    Estou numa terra onde,
    Cotas, como eu.
    Vão ao Teatro de Vanguarda.
    E muitos, Analfabetos !!!!.
    Sabes onde começaram ?
    No Politeama, com o Filipe.
    Em excursões.
    Fica sempre qualquer coisa.
    »»»in) Lá Féria «««
    E se os Vanguardistas,
    Vanguardassem, autores portugueses ?
    Era um atentado Global ao dito...
    E são contra a Globalização.ihihihi
    Mas querem fundos, da e na Mesma...
    Um abraço
    poetaeusou(amistoso)



    Mesmo

    By Anonymous poetaeusou, at 19 de dezembro de 2006 às 15:23  

  • Arte e Entretenimento

    Nos dias de hoje, com a globalização, a massificação do consumo e o crescimento exacerbado da indústria do lazer, torna-se cada vez mais difícil distinguir o entretenimento da arte. O ideal consumista converteu a arte num produto de estética populista, fruto da cultura do entretenimento e formatado à lógica do espectáculo.
    A lei do rentável foi matando a capacidade de discernimento do indivíduo, tornando-o apenas em consumidor ou consumível .
    “Arts and Entertainments” - Os motores de busca na internet teimam em colocá-los sempre no mesmo directório e o facilitismo da estandardização faz com que essa lógica se vá apropriando do imaginário colectivo.
    Ambas fazem parte da cultura universal mas com papeis substancialmente diferentes na sua capacidade de intervenção no indivíduo, na sociedade e, consequentemente, na História.

    Muitos animais se divertem e entretêm mas apenas um faz arte – o Homem.
    O entretenimento (sem as mais valias do convívio, da pedagogia, da ginástica, etc.) está associado apenas ao prazer e a arte vai muito para além disso, é muito mais abrangente e está inevitavelmente vinculada à inteligência, à intuição, ao raciocínio, ao sentimento, à imaginação, à expressão e a tudo o que nos transcende.
    Jogar consola com o meu filho é entretenimento. Olharmo-nos nos olhos e sentirmos o amor que nos une, compreendendo e realizando a importância desse amor, é arte.
    Um diverte, a outra sensibiliza, emociona, perturba e faz pensar, tocando, modificando, sendo dinâmico e vivo, fazendo evoluir.
    Por vezes tocam-se, misturam-se, como o azul e o amarelo que dão verde. Mas não deixam de ser coisas completamente distintas.

    Entreter é o espaço entre o que se teve e o que se vai ter, é o tempo em que não se tem nada, em que não se é nada, em que não se existe. Logo é necessário passar esse tempo para outra coisa ter, ser ou existir por nós. Recorre-se então ao passatempo que é uma espécie de encher um copo sem fundo, onde se tem uma sensação de satisfação e a ilusão da acção em si. Passar o Tempo é a coisa mais estúpida que se pode (não) fazer na vida. Simboliza a inutilidade por excelência e é sinónimo de inactividade e improdutividade. É queimar tempo de existência. Não no sentido da meditação e da introspecção mas no sentido da passividade no seu estado mais estupidificante.
    Entretenimento é darem-nos algo já feito quando nós não estamos a fazer nada, é darem-nos uma comida já mastigada, ingerida e digerida…

    O objectivo da McDonalds é fazer dinheiro ou boa comida? Claro que para os meus filhos é a melhor comida do mundo. Sabe bem, dá-lhes prazer comer. Mas será que lhes faz bem? Quando tinha a idade deles tinha o mesmo prazer a comer fruta arrancada directamente da árvore…
    Não sei o que é que a McDonalds põe na comida para que as crianças (e não só) gostem tanto e quase se viciem, bloqueando o gosto por outros sabores, mas sei o que o Sr La Féria faz para entreter tanta gente… a resposta está nos sinónimos de entreter.
    Entreter: deter, paliar (com promessas); enganar; recrear; divertir; distrair; suavizar.
    O resto é atirar areia para os olhos e partir do principio que as pessoas não sabem fazer nada dando-lhes tudo feito. O que causa um efeito de satisfação de quem nada fez mas comprou feito. Há o pronto a comer, o pronto a vestir e o pronto a assistir…

    Para acabar digo apenas que não sou contra a existência da McDonalds e do sr. La Féria desde que não contribuam para o desaparecimento progressivo da boa comida e do bom teatro (quero dizer da comida saudável e do teatro inteligente).

    By Anonymous Anónimo, at 19 de dezembro de 2006 às 17:47  

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