CUOTIDIANO

quinta-feira, maio 24, 2007

Dei-me

Dei-te tudo o que tinha
E não tinha
Amei-te como sei amar
E não sei
Dei-te a vida que era minha
Sem o ser
Dei-me todo sem saber
O que dei

Dei-te a chuva e até as fontes
Sem água
Dei-te o tempo que era meu
Sem hesitar
Dei-te o corpo e a alma
Sem me doer
Enquanto a dor me matava
Sem avisar

Dei-te as noites que quisemos
Sem amanhãs
Dei-te luares que escorriam
Sem madrugada
Dei-te as brisas onde voámos
Sem ter destino
Perdi-me, ao dar-te tudo
Sem te dar nada

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quarta-feira, abril 18, 2007

Lentamente

Lenta e saborosamente, vou adormecendo contigo.

Deixando-te, beijo a beijo nas mãos, o meu rasto de sonhos.

Tudo isto só para que me sigas, até ao ponto em que eu te encontre e abrace.

Finalmente nua.

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sábado, março 31, 2007

Cinzas de ti

Olhaste pela janela
Como se tivesses
Perdido uma parte do Mundo
Acendeste um cigarro
Como se quisesses
Voar no próprio fumo

Esboçaste um sorriso
Pagaste a conta partiste
Deixando-me apenas as chuvas de Janeiro
E enquanto ruas e sombras te engoliam
Cinzas de ti ainda ardiam
No cinzeiro

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